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Truques do neuromarketing que fazem você pirar no consumo

Alexandre Ribeiro
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Alexandre Ribeiro
Truques do neuromarketing que fazem você pirar no consumo

Quantas vezes você entrou no supermercado e encheu um carrinho com porcarias que normalmente você nem usa ou come? Ou passeou no shopping e resolveu comprar aquela peça de vestuário que te pareceu atraente e por um precinho camarada? Um celular bacana em promoção, uma sobremesa para uma barriga cheia, uma viagem baratinha apenas por um fim de semana.

É amigo, o mundo do consumo sabe do que você precisa e do que não precisa. É por isso que empresas, shoppings, restaurantes e até sites vão a fundo nas pesquisas científicas para fazer você gastar sem sentir.

Cor: cor vermelha na etiqueta é ímã para nossos olhos. Significa que o preço está bom e nos incentiva a tomar a decisão sem pensar tanto, porque pré-concebemos que não nos custará muito. Luz branca em abundância e ambiente clean tem o mesmo efeito solar e nos incentiva a circular, o que é ótimo em lojas grandes e shoppings. E se o piso for escorregadio, então, a gente circula bem devagarinho, que é para olharmos com atenção às vitrines.

Ilhas de produtos: lojas forçam você a caminhar ao redor de coisas que você não precisa para encontrar as coisas que você está realmente procurando. Pelo mesmo motivo as escadas rolantes nos shoppings nunca estão sincronizadas na mesma direção. Em geral, somos obrigados a dar aquela voltinha para continuar subindo ou descendo.

"Fator de toque”: quando você pega algo, a mente mais ou menos diz pra ti que aquele objeto é teu. Utilizando-se dessa informação, as lojas colocam os produtos disponíveis ao alcance da mão. 

Aromas e sons: música alto astral te deixa feliz e animado, enquanto as músicas familiares fazem com que você se sinta confortável. Cheiros agradáveis também deixam sua mente à vontade. Não há muito que você possa fazer para evitar isso, a menos que você faça compras online, mas, de qualquer forma, é bom estar ciente de que nosso cérebro está mesmo trabalhando contra o nosso bolso.

Mas aí o que fazer?

Não se desespere. Drible as armadilhas:

#1 Quando for ao mercado, faça uma lista e se atenha a ela. O mesmo vale para as comprinhas de Natal.

#2 Não saia pegando em tudo o que é produto. É bem provável que você acabe levando alguma coisa desnecessária contigo.

#3 Desconfie da etiqueta vermelha e não caia naquela armadilha: "mas está tão barato!".

#4 Pergunte-se sempre: "onde vou usar isso e que utilidade isso tem para mim".

#5 Aprenda a diferença entre precisar e querer. Você irá perceber que você "quer" umas cinco vezes mais do que "precisa".

#6 Moda é para poucos. Não compre algo só porque todo mundo está usando. Isso não te fará ser mais aceito ou querido. E se for roupa, muito provavelmente não ficará boa em você. Afinal, nenhum corpo é igual a outro, a não ser gêmeos.

#7 Se não estiver convencido de quanta coisa você compra sem a menor necessidade, faça uma lista de tudo o que você tem e tente se lembrar o que você pensou no momento da compra. Vai ser uma epifania para você. Acredite.

#8 Se o número sete (anterior) não te convenceu do quanto você é consumista, faça um cálculo das coisas que você gasta. Aí, sim, a ficha vai desabar.

#9 Liste cada coisa não material que te faz feliz. Não importa se só faz você abrir um sorriso ou se faz você pular de alegria. Coloque tudo na lista. Busque lembrar de quando fez todas essas coisas. Você estava em um momento consumista?

#10 Faça um rehab. Afaste-se um fim de semana da sua vida, do celular, da TV, do guarda-roupa. Passe dois dias de chinelos e camiseta, com uma boa companhia, um bom livro ou um fazendo um projeto legal (tipo um trabalho voluntário). Isso vai te dar outra perspectiva sobre suas coisas e sobre o consumismo.

Porque quando você está constantemente rodeado de coisas e pode comprá-las a qualquer momento, pode ser muito difícil quebrar esse hábito. Mas, mesmo assim, vale tentar passar um dia no parque apreciando as vistas e os sons da natureza, ou ir acampar com alguns amigos, ou caminhar uma trilha você não tenha ido antes.

O desejo de "ter" vai passando e você começa a perceber e a buscar outras recompensas em "ser". Assim, nunca mais você vai sofrer para sair do vermelho e acumular muitas dívidas. O dinheiro vai render mais e será possível mesmo investir em projetos mais a longo prazo e de maior impacto na sua vida. Afinal, você trabalha tanta para quê? Comprar?