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A importante lição de Lucas Lucco para o ex-admirador

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A importante lição de Lucas Lucco para o ex-admirador

O novo hit do momento, a música Paraíso, ganhou seu clipe com Lucas Lucco e Pablo Vittar em cenas pra lá de provocantes. Como o que não falta na internet é gente sem noção, a vítima da vez foi Lucco. Em seu perfil numa rede social um seguidor comentou:

Será que precisa descer o nível para querer mostrar que não tem preconceito? Pensa na má influência que você traz nas cabeças das crianças que acompanham você. Perdeu um admirador.

A importante lição de Lucas Lucco para o ex-admirador

Gosto todo mundo tem, mas tem gente que confunde opinião com preconceito. Por exemplo: ninguém é obrigado das músicas de Lucas Lucco, Pablo Vittar, Chico Buarque, Lobão ou quem quer que seja. Mas isso não dá o direito de as pessoas desqualificarem quem não gosta. Isso é preconceito.

Veja bem, o comentário do internauta afirma que mostrar não ter preconceito “é baixar o nível” o que significa que o nivelamento por baixo é a presença de Pablo Vittar. E o pior é dizer que isso é má influência para as crianças.

Contudo, Lucas mandou bem na resposta:

Somando atitudes como essa, eu posso ajudar a diminuir o número de crianças que vão crescer e propagar ódio e preconceito como você. No mínimo os meus filhos não vão ter essa mentalidade e isso já me dá muito orgulho.

Pode ser que Lucas Lucco esteja desconstruindo seu machismo, presente em algumas de suas músicas (não sou profundo conhecedor do cantor, mas rapidamente encontrei exemplos no Google). Mas o que também chama a atenção é que o fã acha que é má influência um artista aparecer ao lado de Pablo Vittar, como tantos outros já fizeram como Anitta, Major Lazer, Preta Gil, Lia Clark e Mateus Carrilho.

A importante lição de Lucas Lucco para o ex-admirador

Ou ainda nas campanhas de marketing de marcas famosas em que Vittar participou, como Apple Music, Avon, Chilli Beans, Adidas e Coca Cola. Ainda que neste último caso tenha havido também muita gente intolerante contra a artista.

A importante lição de Lucas Lucco para o ex-admirador

Ou seja, tem quem ache um absurdo um cantor aparecer ao lado de uma drag queen, mas não acha nada demais ter preconceito, raiva, ódio, de que uma artista em ascensão. Só porque se monta como mulher? Só porque faz sucesso? Só porque ousa ser autêntica?

A resposta de Lucas vai de encontro a essas questões, mas ainda sim não tira a vergonha de algumas letras machistas, como em Permanecer:

Mas acontece é que eu te amo

E esse seu bumbum chamando

Que me faz permanecer

Ou na “má influente” Mariana, que narra o encontro de um homem com uma mulher que termina “num quarto alugado meio às pressas”. Ele gostou da atitude da mulher e que é “normal quando a gente ama”.

Mas o amor dele acabou quando descobriu que ela era uma garota de programa:

“Graças a Deus que eu não me declarei

No outro dia vi sua foto no jornal

Cobrando cem reais pelo que eu não paguei”

Há muita má influência nas músicas brasileiras ou não. E é papel dos pais orientarem os filhos ao que ouvir e explicar o contexto de determinadas músicas.

É papel dos artistas e da indústria musical escolher melhor o repertório e pensar bem em que tipo de mensagem está sendo transmitida.

Mas todo discurso que for acolhedor, de respeito à diversidade, como na recente música de Lucas Lucco e Pablo Vittar será bem vindo.