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Anitta rebate pastora e diz que é “Malandra e princesa”

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Anitta rebate pastora e diz que é “Malandra e princesa”

Após o lançamento do novo clipe da música Vai Malandra, parece que as discussões do novo teor da música de Anitta só começou. O vídeo mostra a cantora dançando e rebolando sem retoques na celulite com outras mulheres e homens, seja na laje se bronzeando ou dançando numa mesa de bilhar.

Um dos grandes pontos levantados é a hiperssexualização da mulher no clipe, ponto que incomodou muito a pastora Sarah Sheeva, uma das filhas de Baby do Brasil e fez com que Anitta fosse irônica no Twitter, anunciando que seu marido disse que ela é malandra e principesa.

Anitta rebate pastora e diz que é “Malandra e princesa”

“Culto das Princesas” e como a mulher deve se comportar

Sarah é conhecida por defender o Culto das Princesas, um curso que visa ensinar mulheres a pararem de “ser cachorras”. Segundo a mesma, uma mulher cachorra é aquela que “aceita migalhas, aceita ser maltratada. Uma princesa, não”. Sara defende que a mulher deve ser difícil e se guardar para o príncipe, que no geral tem nojo de mulher fácil, segundo a pastora.

Parece que você voltou ao século passado? Sim! E não para por aí, ao assistir o novo clipe da Anitta, ela criticou que uma mulher não deve mostrar o corpo para todos os homens.

Isso trouxe uma nova reflexão distante e próxima do Culto das Princesas de Sarah: será que Vai Malandra hiperssexualizou as mulheres ou trouxe algum aspecto negativo com isso?

Anitta rebate pastora e diz que é “Malandra e princesa”

Hiperssexualização da mulher

Muito tem sido discutido sobre o uso capitalista do corpo da mulher como objeto de venda e entretenimento, ainda mais no Brasil, onde por muitos anos foi vendido e defendido a ideia que só tem mulher bonita e semi nua. E principalmente da mulher negra, que foi ainda mais hiperssexualizada e objetificada.

Nisso, realmente, Vai Malandra mostra esse lado quando só temos como visualizar mulheres com roupas curtas, de biquini, rebolando. Apesar de Anitta nunca ter dito que estava empoderando ou defendendo as mulheres brasileiras, isso levanta o questionamento de quão ruim pode ser algo assim num momento onde lutamos por direitos básicos e segurança.

Ainda somos o país onde homens estupram mulheres porque dizem que elas provocam com roupa curta, lembrando que 44% dos homens acreditam que mulher que se veste assim não pode reclamar caso seja estuprada. E 1 a cada 3 acredita que a mulher pode ser culpabilizada em casos de violência.

Então que mensagem um clipe como Vai Malandra envia?

Me faz pensar que apesar de Anitta demonstrar não ter levado isso em conta em momento algum e tocar funk, que apesar de marginalizado é um gênero de música que hiperssexualiza homens e mulheres, como isso poderia ser interpretado sem ser ainda pior para as brasileiras.

Liberdade x segurança

Mas até onde algo que Sarah Sheeva disse faz sentido? Em lugar algum. Hiperssexualização tem mais a ver com práticas do capitalismo para objetificar o corpo feminino e, por vezes até desumaniza-lo, do que culpabilizar ainda mais as mulheres e desejar que elas se comportem como princesas.

Uma pessoa pode estar nua andando na rua e mesmo assim não deu permissão para ser violentada. Não importa o que uma mulher está vestindo, não é não. Consentimento nada tem a ver com roupas ou qualquer outra coisa que seja a pessoa está bem para poder falar sua opinião sobre uma investida.

Não precisamos voltar séculos para trás e apagar a liberdade da mulher para discutir se um clipe contribui para os direitos femininos. Na minha opinião, não. Mas Vai Malandra da Anitta não é sobre uma causa e sim sobre funk e pode ser analisado por várias óticas.

É importante não misturar e desvalidar tantos outros pontos já discutidos aqui.

Afinal, entre malandras e princesas, nós só queremos ser respeitadas.

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