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Glória Maria “flagra” criança imitando-a. A resposta é emocionante!

Bapho Cabeça
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Bapho Cabeça
Glória Maria “flagra” criança imitando-a. A resposta é emocionante!

 “Sou Mirella, negra, linda, estudiosa, que quer ter um futuro brilhante como jornalista”.

É assim que a nossa repórter mirim se apresenta na rede social Facebook! Mirella Archangelo, de 11 anos, fez uma reportagem de brincadeira juntamente com os seus irmãos Pablo, Peterson e Marjorie sobre a situação precária da Rua Egydio Pedreschi, do bairro Parque Avelino, zona norte de Ribeirão Preto (SP).

Certo é que o vídeo que Mirella gravou, brincando de ser repórter com os irmãos, viralizou na última semana, e foi parar nos estúdios Globo. A repórter Glória Maria surpreendeu a garota em uma reportagem emocionante, no último domingo (24/12), no Fantástico.

Glória deu dicas de jornalismo para as crianças e aceitou ser entrevistada. O encontro emocionou tanto a garota quanto a repórter.

 Glória disse ser uma responsabilidade grande servir de inspiração para os irmãos.

Seguir na profissão de jornalista é o novo sonho de Mirella, que antes queria ser professora. Glória até pediu à menina que a substituísse no trabalho quando a hora da aposentadoria chegar.

Veja aqui o vídeo completo:

  • O poder da representatividade

Quem me acompanha aqui no aplicativo TopBuzz sabe que vire e mexe estou abordando assuntos sobre a importância da representatividade, e hoje mostro na prática o poder dessa palavra.

Todos nós, independente, de raça, sexo, nacionalidade deveríamos nos sentir representados em todos os setores da sociedade, mas infelizmente ainda não somos.

Pode ser que você não veja a grandiosidade da frase de Mirella e nem compreenda a importância desse encontro entre ela, seus irmãos e Glória Maria, justamente porque sempre se viu representado(a) na novela, no outdoor, na revista e por aí vai.

Mas, fato é que não é algo simples. Realmente, representatividade importa. E como importa, viu.

Glória Maria “flagra” criança imitando-a. A resposta é emocionante!

Assistindo esse vídeo do encontro de Mirella e Glória passou literalmente um filme na minha cabeça... Assim como essa repórter mirim, quando eu estava na 3º série, escrevi uma cartinha dizendo o que eu queria ser quando crescesse e adivinha qual profissão coloquei? Isso mesmo, a mesma de Mirella: jornalista.

Diferente dela que já tem como inspiração Glória Maria, eu queria ser jornalista porque sempre fui muito tagarela, sempre gostei de fazer amizades e sempre gostei de opinar sobre tudo.

Só lá pela minha adolescência que eu tinha como inspiração Glória... Recordo-me que sempre dizia “Serei como Glória Maria e ainda um dia a entrevistarei”. Trocando em miúdos, sonhava em conquistar espaços, em poder inspirar outras crianças.

Mas, eu não tinha tantas referências negras. A pauta da importância da diversidade não fazia parte do meu dia a dia, mas, mesmo assim, veja que de certa forma Glória foi o mote da minha inspiração para que hoje eu fosse realmente uma jornalista.

Nessa história de Mirela, eu sei os dois lados da moeda. Sei o que é pra ela olhar para cima e ver alguém da mesma cor em um lugar de destaque. E, mesmo sem o status de Glória Maria, eu também já me vi numa situação impactante como essa, pois já senti como é inspirar outras pessoas com alguns comentários deixados em meus artigos aqui no TopBuzz.

Glória Maria “flagra” criança imitando-a. A resposta é emocionante!

Por fim, meus amores, eu fico extremamente feliz que essa geração de Mirella e das que estão por vir já podem vivenciar esse tema desde a infância. Porém, ainda falta muito para realmente alcançarmos a tão sonhada igualdade racial.

A história de Mirella nos mostra na prática como que representatividade importa. Em um país que a maior parte das pessoas se autodeclara pretas ou pardas, é preciso que ela e tantas outras crianças e jovens negras vejam mais jornalistas, atrizes, apresentadores da cor de suas peles na tela brasileira.

A mídia é um agente influenciador na sociedade, pois ela estimula consumo e comportamentos. Ou seja, se não nos vemos nela, iremos querer cada vez mais “o que é do branco”, e digo isso por experiência própria.

Eu cresci desejando os cabelos lisos das atrizes da Globo e ter a pele branca das poucas Barbies que eu tinha, pois não me via nos Gibis, nos desenhos. Na minha adolescência também não me via nas revistas, programas de TV e muito menos nas novelas e nos telejornais.

Ah! E, para completar... Quantas vezes, meu Deus, ouvi de outras crianças na escola que o meu cabelo era bom para que as suas mães lavassem as panelas.

Perceberam? Além de passar por um longo período sem me ver representada, a sociedade queria me provar por A e B que eu era o oposto da espécie humana e, por isso, pessoas da minha cor ou do tipo do meu cabelo nunca seriam ninguém e por aí vai. Triste!

Glória Maria “flagra” criança imitando-a. A resposta é emocionante!

Nesse momento, duas pessoas negras, de diferentes classes sociais e idades, estão com os nomes marcados na história.

Gloria Maria, por tudo que conquistou na sua carreira, com talento e determinação e carisma e por estar no lugar certo, na hora certa.

E Mirela, por sua criatividade, desinibição, por acreditar naquilo que estava fazendo. Olha onde isso tudo a levou.

Um pequeno lembrete: se você não se vê em algum setor na sociedade, por favor, se coloque lá, porque nós precisamos de você.

 Nós precisamos ver todo tipo de diversidade nos mais variados campos.

Portanto, é muito importante que cada vez mais haja representatividade e proporcionalidade na televisão, no cinema, na publicidade. Tudo isso faz com que uma criança acredite que pode ser quem quiser e chegar onde quiser, além de influenciar a sociedade na quebra de estereótipos.

Reflita nisso!

Forte abraço e até a próxima.