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Mães que defendem os abusadores das filhas: compreenda história de O Outro Lado do Paraíso

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Mães que defendem os abusadores das filhas: compreenda história de O Outro Lado do Paraíso

Veja bem, tenho várias vírgulas e pontos para levantar sobre O Outro Lado do Paraíso, principalmente quando é para falar de roteiro ou construção de personagem, mas também existem pontos positivos como mostrar e levantar a discussão sobre abuso infantil e culpabilização da vítima.

Na trama, Laura irá confrontar a mãe e contar que seu padrasto, Vinícius, abusou dela quando criança. Além de levantar um crime sensível e uma visão de algo que pouco se fala, a pedofilia, também traz à luz o comportamento de Lorena, a mãe da jovem que não só não acredita, como começa a culpar a jovem.

Mães que defendem os abusadores das filhas: compreenda história de O Outro Lado do Paraíso

Sabe essa coisa de chamar meninas de “novinhas” com uma conotação sexual? Todos os dias de certa forma apoiamos tais condutas sem nem perceber. Seja por assediar uma adolescente ou por acreditar que uma criança realmente pode “seduzir” um homem adulto.

E casos como o de Lorena, uma mãe que fecha os olhos para os abusos que estão bem na frente são mais comuns que do que imaginamos. Quantas vezes vemos mães e filhas brigando por ciúmes por algum namorado? Em algum momento nossas relações de afeto em nossa sociedade e a máxima de proteger toda e qualquer criança e adolescente se perdeu.

O Outro Lado do Paraíso assume uma postura corajosa em mostrar não só uma jovem que está lutando para buscar clareza sobre o passado e as violências que sofreu, mas também ao mostrar o lado perverso de histórias assim: um homem abusador manipulador e uma mulher que acaba por acreditar nele e não na filha.

Mães que defendem os abusadores das filhas: compreenda história de O Outro Lado do Paraíso

Acho que tenho batido muito na tecla do papel social que as novelas possuem quando abordam tais temas. Se títulos famosas lançam atores, roupas, frases, também podem ajudar grande parte da população a compreender que algumas coisas que vivemos todos os dias, precisam de um olhar cuidadoso e um tanto mais de reflexão.

Se ainda vivemos uma realidade onde culpam a vítima de abuso infantil, mais do que nunca precisamos de mais e mais personagens que mostram o mecanismo perverso do abusador em desqualificar a dor e verdades da vítima, e também como isso impacta no núcleo familiar. O criminoso geralmente está inserido nesse contexto “seguro”, não é por acaso que 70% das vítimas são crianças e adolescentes.

Não basta ser um assunto complexo, também é uma trajetória narrativa difícil de desdobrar, já que temos vários fatores e forças que possibilitam que abusos assim aconteçam. E adoraria falar que o caso da novela é isolado, mas todos os dias os jornais nos contam casos parecidos. E em casos piores, o abuso de crianças do sexo masculino é ainda menos notificado, devido ao acréscimo de machismo de nossa cultura, mas ainda temos uma média de 13 notificações por dia de abuso de meninos.

E para vítima, jovem ou criança, geralmente além do abuso é vítima de chantagem, terrorismo e outras violências para assegurar o silêncio. E mesmo que alguém da família ou do círculo íntimo note algo, o medo de denunciar um adulto parece ser maior que a coragem que se exige para proteger uma criança.

Mães que defendem os abusadores das filhas: compreenda história de O Outro Lado do Paraíso

Não só nas novelas, mas também existem sinais que podem te ajudar a descobrir se uma criança ou adolescente está sendo vítima, e assim acionar ajuda. O primeiro ponto é observar qualquer mudança de comportamento brusca. Como se recusar a fazer algo que sempre gostou, mudar hábitos de sono e alimentação, sentir medo de estar só com determinadas pessoas ou em lugares.

Outro ponto é a proximidade excessiva: uma pessoa que se torna muito presente, seja falando que é muito amigo, levando para sair, fazendo convites ou estando sempre lá. Não só para aterrorizar a vítima, a prática é comum para encontrar momentos pertinentes a mais abuso. Sim, pode ser nada, mas é sempre ficar de olho.

A volta de comportamentos infantis também demonstra que algo pode estar errado, como voltar a urinar na cama, pedir mamadeira, medo de escuro, não querer mais sair de casa, demonstrar muito estresse para pequenas mudanças. Tudo isso pode indicar que o emocional da criança está abalado.

Muito comum é o abusador usar de segredo e presentes para se aproximar e manter como refém a vítima. Então converse com crianças sobre tais condutas e fique de olho se em mistura com outros sinais, vários presentes estejam surgindo do nada junto com uma simpatia exacerbada. E por último, e mais complicado, é importante se ater às questões de sexualidade da criança.

Sem preconceito ou vergonhas, é importante entender que crianças e adolescentes estão com o corpo em constante transformação, são curiosas e precisam compreender sobre as relações, inclusive as físicas, no seu tempo. Qualquer mudança nesse aspecto pode ser um indicativo, já que uma menina de quatro anos desenhando genitais indica algo errado ou uma adolescente que se recusa a se aproximar de meninos ou meninas, depende do interesse, demonstrando medo.

Converse com seus filhos, fique de olho no entorno e se inspire em novelas sobre o que não fazer.

Lembre-se: em casos assim, ligue 100 e faça uma denúncia.