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Mais maconha, menos assédio! Polêmicas no Globo de Ouro

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Mais maconha, menos assédio! Polêmicas no Globo de Ouro

                                              Glória Maria fumando maconha na Jamaica.

"Boa noite para as mulheres e para os homens que sobraram"

"Feliz Ano Novo, Hollywood! É 2018: a maconha finalmente é legalizada e o assédio finalmente não é. É o início de uma nova era, eu sei porque há muito tempo um homem branco não se sentia tão desconfortável em Hollywood"

Foram as duas frase marcantes que o humorista Seth Meyers utilizou no monólogo de início às premiações do Globo de Ouro. O Globo de Ouro deste ano foi marcado por forte resistência das mulheres (e de alguns homens lúcidos) e muitas, mas muitas críticas em relação ao sexismo que existe em Hollywood. Logo no início, Seth Meyers mandou as duas falas que estão no início do artigo. Com a primeira ele quis dizer que sobraram poucos homens porque em 2017 houve um número enorme de produtores, diretores e atores denunciados por assédio. O pior é que, na maioria dos casos, não havia apenas uma pessoa denunciando.

Em relação a maconha ele quis dizer que vários estados dos Estados Unidos da América estão legalizando a maconha até para uso recreativo, como é o caso recente da Califórnia. Por outro lado, os assédios começaram a ser finalmente condenados.

O comediante não perdoou e citou nomes como Kevin Spacey, Harvey Weinstein e Woody Allen. Mas engana-se quem pensa que Meyers foi o único a falar sobre isso. Quem mais merece as atenções são Oprah Winfrey, Natalie Portman e Elisabeth Moss. 

Mais maconha, menos assédio! Polêmicas no Globo de Ouro

                                             Oprah Winfrey, um exemplo de resistência.

É triste ler, ver e conhecer tantos casos de assédio e abusos. Mas é muito bom ver que a população está acordando, as mulheres estão se unindo contra esse mal. A união das feministas é muito importante, pois só assim elas estão conseguindo se libertar de viver "entre os espaços em branco" (como escreveu Margaret Atwood). Elas estão escrevendo sua própria história, de acordo com o que Elisabeth Moss declarou ao ser premiada que você pode conferir abaixo. Eu gostei de ver que um ator tão poderoso foi afastado de uma série que estava rendendo muita grana (Kevin Spacey, de House of Cards) por ter sido acusado de assédio. Assim pelo menos temos esperança de que as coisas comecem a mudar e o respeito impere independentemente de qualquer coisa. 

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          O rosto de Harvey Weinstein em divulgação da campanha online contra o assédio.

Oprah

"Esse tempo acabou" De acordo com a apresentadora, "Chegou um novo dia para as meninas e mulheres vítimas do abuso sexual". Ela elogiou a coragem e determinação de quem apontou os criminosos. Ao receber o prêmio por conjunto de sua carreira ela reiterou o apoio ao movimento #MeToo que começou após as denúncias contra Harvey Weinstein, o produtor cinematográfico. Ela também prestou homenagem a Recy Taylor, uma mulher negra que, em 1944, denunciou ter sido estuprada por um grupo de homens brancos.

Em relação ao movimento #MeToo (Eu também, em tradução do inglês) ela falou o seguinte:

"E, quando finalmente amanhecer, será graças a muitas mulheres magníficas - muitas das quais estão aqui esta noite - e muitos homens maravilhosos, que vão lutar duro para se converter nos líderes que nos levarão a tempos em que ninguém terá de dizer 'eu também'"

Natalie Portman

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                             Natalie Portman vestida de preto em protesto contra sexismo.

"Aqui estão os homens indicados"

Até porque só homens foram indicados para "Melhor Diretor" de cinema. A atriz utilizou a expressão "all-male" ("Here are the all-male nominees"), que é uma expressão muito utilizada para criticar a falta de mulheres em premiações e eventos. Somente uma vez uma mulher ganhou nesta categoria, Barbara Streisend em 1984. Ela também se pronuncio no evento: "Pessoal, chegou a hora! Precisamos de mais mulheres diretoras e mais mulheres indicadas ao prêmio de Melhor Direção. Há muitos filmes dirigidos por mulheres que são muito bons". Mulheres diretoras já existem, falta apenas terem tanto apoio quanto os homens.

Elisabeth Moss

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                                                 Elisabeth Moss, também vestida de preto.

Ela ganhou o prêmio de melhor atriz pela série The Handmaid's Tale, que foi inspirada pelo livro O conto de Aia, de Margaret Atwood. Elisabeth Moss aproveitou trechos da escritora ("Nós somos as pessoas que não estão nos jornais. Nós vivemos no espaço em branco na beirada da página. Isso nos deu mais liberdade. Nós vivemos nos espaços entre as histórias") para seu discurso:

"Margaret Atwood, essa é para você, e para as mulheres que vieram antes e depois de você, que foram corajosas o suficiente para se posicionarem contra a intolerância e a injustiça e para lutarem pela igualdade e liberdade nesse mundo", afirmou "Nós não vivemos mais no espaço em branco na beirada da página. Nós não vivemos mais nos espaços entre as histórias. Nós somos a história no papel. Nós estamos escrevendo nossa própria história."

Agradecemos então Margaret Atwood, Oprah, Elisabeth Moss, Natalie Protman, Recy Taylor e todas, todes, todos que lutam pelo fim da desigualdade e dos abusos.

Alguns casos famosos

Diversos homens influentes na mídia já cometaram abusos, o UOL tem uma lista de 62 famosos que foram acusados por isso. Há nomes desde grandes diretores de Hollywood a CEOs de empresas enormes, diretores de jornais também estão na lista, nem mesmo o presidente da FIFA escapou. Veja uma pequena listas com alguns dos nomes de peso: 

Woody Allen

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                                                                               Woody Allen

Woody Allen criticou Harvey Winstein, mas ele foi acusado de assédio sexual pela sua própria filha adotiva, Dylan Farrow. Ele foi casado com a atriz Mia Farrow por anos e se separou depois que ela descobriu que ele tinha um caso com sua filha adotiva Soon Yi Previn, que na época tinha 13 anos de idade. Há diversas provas, mas a mídia insiste em blindar o renomado diretor.

Lars Von Trier

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                                                                          Björk e Lars.

O cineasta islandês foi acusado pela cantora do mesmo país, Björk, de assédio durante as gravações do filme Dançando no escuro (2000). E ele, é claro, nega e continuará negando.

John Travolta

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O ator foi acusado por dois massagistas. Um caso foi em 2000 e 2012. Um dos massagistas disse que Travolta pediu para ele massagear suas nádegas nuas e que fizesse investidas.

Sylvester Stallone

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O "garanhão italiano" do filme Rocky Balboa não escapou das denúncias. De acordo com o relato publicado pelo site "Deadline", a sobrevivente era uma adolescente à época. Ao início da noite em um hotel em Las Vegas, ela fez sexo consensualmente com o ator, mas, mais tarde, foi estuprada por ele e seu guarda-costas, Mike DeLuca. O ator nega a acusação.

James Franco

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James Franco é outro hipócrita que estava apoiando o movimento anti-assédio no Globo de Ouro. Ele foi acusado de assédio sexual pelas atrizes Ally Sheedy, Sarah Tither-Kaplan e Violet Paley.

Kevin Spacey

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De acordo com a UOL, "Kevin Spacey foi acusado de assédio sexual pelo ator Anthony Rapp, que tinha 14 à época. Desde 29 de outubro, data da denúncia, outros 11 sobreviventes denunciaram o vencedor do Oscar de maneira anônima ou pública por seus abusos. Entre eles estão o documentarista Tony Montana, o filho do diretor Richard Dreyfuss, o também ator Harry Dreyfuss, e Ari Behn, ex-genro do rei norueguês Haroldo V."

Harvey Weinstein

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                                         Jennifer Lawrence e o monstro Harvey Weinstein.

São conhecidas 82 vítimas do produtor, entre elas estão as sobrevivente, Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow e Ashley Judd. Além disso há pessoas que não são famosas. Há até provas dos pagamentos que ele fazia para comprar o silêncio das vítimas.

Pelo fim dos assédios

E há quem insista em dizer que isso é tudo "invenção das mulheres". Dá nojo ouvir argumentos desse tipo após ver uma lista com mais d 60 homens acusados por assédio (e olha que não foram só mulheres que relataram casos de abuso, há também crianças e homens que sofreram). E ainda faltaram vários, como Johnny Depp e vários brasileiros que espancaram suas mulheres, como Victor Chaves e o cantor Naldo.

É por isso que precisamos agradecer as mulheres que estão sendo fortes e delatando cada um de seus abusadores. Assim a população para de achar que é tudo invenção. Afinal é até engraçado que 82 pessoas "inventem" que sofreram assédio de um só homem. 

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                            O "cantor" Naldo, que foi acusado de bater em sua companheira.

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