CELEBRIDADES

William Waack diz que não é racista; veja 4 motivos para não acreditar nele

Autor

O jornalista William Waack se pronunciou pela primeira vez desde sua demissão, voltando a ser assunto nos principais portais de notícias. Ex-âncora do Jornal da Globo, Waack até hoje não havia se pronunciado abertamente sobre o caso do vídeo polêmico em que faz um comentário racista.

Relembre o caso: o vídeo em que William Waack aparece nos bastidores de uma transmissão fazendo comentários de cunho racista começou a circular no dia 8 de novembro de 2017. As imagens foram gravadas em 2016, quando ele estava nos EUA cobrindo as eleições americanas, mas só vieram à público no final do ano passado. Ao lado de um comentarista, ele reclama de uma pessoa na rua cujo barulho atrapalhava a transmissão e diz que aquilo só poderia ser “coisa de preto”. Após o ato racista, algumas pessoas passaram a denunciar outras formas de racismo com a tag #écoisadebranco.

Em menos de 24 horas após o vídeo ser lançado, a repercussão e as críticas foram tão grandes que Waack foi afastado da bancada do “Jornal da Globo”, que apresentava sozinho, e a Globo fez uma nota comentando o afastamento. Tudo no mesmo dia. Quase dois meses depois, a Globo anunciou a demissão de Waack, que apresentava também dois programas na GloboNews.

Em uma tentativa (frustrada) de se redimir pelas palavras e ainda tentar salvar o resto de reputação, Waack publicou um artigo no jornal Folha de S. Paulo afirmando que tudo não passou de uma brincadeira. O artigo foi recebido de forma negativa pelo público, que não ficou convencido de que o jornalista é uma “vítima” das redes sociais.

Mas será que devemos acreditar em sua redenção?

William Waack diz que não é racista; veja 4 motivos para não acreditar nele

Entenda abaixo porque não podemos esquecer este caso

1- O apelido de Waack na redação era “Adolfinho”

Não é de hoje que, nas redações em que William Waack trabalhou, alguns de seus subordinados chamavam o jornalista de “Adolfinho”, fazendo uma comparação com Adolf Hitler, famoso ditador da Alemanha nazista. O apelido veio não só pela maneira dominadora e arrogante que Waack liderava sua equipe, mas também por transmitir tensão por onde passava desde os anos 1990.

Sua demissão lembra o caso de Felix “PewDiePie”, sueco que era a maior estrela do YouTube. Após a denúncia do jornal "The Wall Street Journal" sobre mensagens contra judeus em vários de seus vídeos, a Disney rompeu com o sueco, e em seguida, o próprio YouTube cancelou a próxima temporada da série "Scare PewDiePie". Embora parte do conteúdo mais controverso tenha sido apagado, PewDiePie nunca conseguiu se redimir e rever os dois contratos perdidos. Já William Waack escreveu em seu “artigo de redenção” que os colegas o admiram, mas quem estava abaixo profissionalmente que Waack não tinha o mesmo tratamento que um “colega”.

2- Vocabulário Chulo

Por mais que Waack defenda que foi “uma piada de mal-gosto”, esta não foi a primeira vez que William Waack fez um comentário de racista. Ao dar bronca em uma jornalista, chegou a chamá-la de “preta safada”. Este episódio, embora não tenha sido gravado, contou com diversas testemunhas e quase chegou aos tribunais - o que só não aconteceu porque a lei sobre racismo não havia sido criada ainda e, hoje, já teria prescrito. Funcionários da mesma equipe relatam que, em mais de uma situação, ele humilhou com palavras vulgares técnicos e redatores caso algum erro fosse cometido, principalmente entre as mulheres.

3- Ele é racista E machista

As demonstrações de machismo de William Waack conseguem ser ainda piores do que uma “piada de mal gosto”. Na cobertura dos jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, quando Waack e a jornalista esportiva Cristiane Dias se estranharam e trocaram farpas ao vivo durante o jornal. O caso foi muito comentado na época, já que tudo começou quando a Cris falou que jornalista sequer a havia cumprimentado antes de estar no ar.

William Waack diz que não é racista; veja 4 motivos para não acreditar nele

Zileide Silva, jornalista que cobria férias de Christiane Pelajo na bancada, também foi vítima de Waack quando se esqueceu de se despedir ao final do noticiário. O âncora deu seu "boa noite" e, apontando para a câmera, disse "boa noite e até amanhã". Pode parecer apenas “grosseiro” da parte dele, mas como explicar que ele só tenha sido grosseiro ao vivo com mulheres?

Vale lembrar que, em 2015, William Waack revelou que foi o pivô da saída de Christiane Pelajo do “Jornal da Globo”, com que dividia a apresentação há anos. Waack teria ameaçado a direção caso não adotassem um “novo formato” para o jornal, um que só caberia ELE na bancada. Embora a Globo nunca tenha admitido esta informação, o fato é que desde 2015 Willian Waack têm sido o único âncora do jornal, não dividindo a apresentação do telejornal com ninguém.

Por fim, acho que o caso mais claro de tentativa de desqualificar alguém foi na participação de Anitta, na final das Olimpíadas. Ele começou perguntando sobre a autenticidade da cantora, já que para ele, ela era só uma funkeira: “Aquela coreografia que você fez nada tem a ver com o que a gente conhece dos seus clipes. Era a Anitta que estava lá?”, perguntou o âncora do Jornal da Globo. “Eu sou muito eclética, ouço de tudo. Tenho um tio que é da Velha Guarda. Eu não ‘transito’ só no tipo de música que eu canto”, respondeu. Waack continuou desmerecendo a cantora durante toda a entrevista, sempre rebatido pela sagacidade da Anitta.

4- Ele nunca admitiu o erro

E mesmo depois de demitido e execrado pela maioria dos internautas, a “carta aberta” feita por ele mostra que ele ainda não entendeu lição sobre o racismo no Brasil. O problema vai muito além de “coisa de preto” e “coisa de branco”.

O fato de celebrarmos Heraldo Pereira como substituto de Waack é significativo, mas é apenas um sintoma: você já parou para contar quantos jornalistas a Globo tem? Quantos são negros? De destaque, apenas Heraldo, Zileide, Maju. E é sobre isto que falamos quando tentamos discutir sobre o racismo na televisão, quando torcemos por um dos três ter destaque em um país em que mais da metade se assume descendente de africanos.

Culpar quem vazou o vídeo não é pedir desculpas. Dizer que “não era intenção ofender qualquer pessoa, e aqui estendo sinceramente minha mão" soa ridículo, já que ele utiliza o resto do artigo para falar de Glória Maria com a frase já conhecida “não sou racista, até tenho amigos negros”. Waack pode negar, pode desconversar, pode nunca mais falar sobre o assunto, mas jamais vai conseguir apagar sua postura machista e racista de um Brasil em que há racismo, mas não racistas. E enquanto houver internet, vamos condenar esse tipo de atitude.

William Waack diz que não é racista; veja 4 motivos para não acreditar nele