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‘Better Call Saul’ teima ao priorizar Chuck, não Gus, e nos dá uma lição

BingeWatchMe
há 4 meses833 visualizações

ALERTA DE SPOILER: este texto contém informações sobre todos os episódios da terceira temporada de ‘Better Call Saul’. Favorite o link e leia depois de ter assistido a tudo.

‘Better Call Saul’ teima ao priorizar Chuck, não Gus, e nos dá uma lição
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por Sheila Vieira

Quando vazou a informação de que Gus Fring (Giancarlo Esposito) enfim apareceria em “Better Call Saul”, a maioria dos fãs deste universo criado por Vince Gilligan imaginou que isso significaria uma mudança do foco principal da série para os esquemas criminosos entre Gus, Mike (Jonathan Banks) e Hector Salamanca (Mark Margolis), aproximando a série atual das tramas de “Breaking Bad”. Porém, as mentes por trás de “Saul” nos surpreenderam ao entregar uma terceira temporada quase inteiramente dedicada a Chuck (Michael McKean). Esta “teimosia” acabou nos premiando com alguns dos melhores episódios da televisão em 2017.

A frustração de acompanhar Chuck é um pouco parecida com o que sentíamos com Skyler (Anna Gunn) em “Breaking Bad”. Eles existem para contestar nossos anti-heróis e nós os odiamos por isso, mas a verdade é que eles sempre estiveram certos sobre Jimmy (Bob Odenkirk) e Walter White (Bryan Cranston), respectivamente. Chuck é arrogante demais para se livrar dos seus demônios e, mesmo assim, sua previsão de que o irmão machucará todos que ele ama é incontestável quando lembramos que Kim (a MARAVILHOSA Rhea Seehorn) jamais aparece em “Breaking Bad”.

Não tomo a última cena do episódio como um suspense, pois não é do feitio de Gilligan e Peter Gould insinuar que Chuck morreu, para depois dizer que ele escapou e nada mudou. Esta é uma série que assume as decisões que toma, e a de matar o irmão McGill mais velho parecia o caminho natural após a exposição de sua doença mental no incrível quinto episódio “Chicanery”.

Chuck não deixa a série porque é um personagem impopular, mas porque seu arco dramático tinha que acabar, deixando um profundo efeito em Jimmy, que descobriremos qual será na quarta temporada. Talvez este desenvolvimento abra mais espaço para os crimes de Gus, Nacho (Michael Mando) e Mike.

No entanto, a verdade é que Mike nem fez tanta falta no episódio final. Os produtores apostaram em seus personagens “originais” de “Saul”, e provaram que não dependem do carisma de Gus e Mike para fazer televisão de qualidade. E, por esta teimosia, eles também merecem o reconhecimento e o respeito do público.

'Orange' resiste em abrir mão da comédia, mesmo em meio a uma tragédia

BingeWatchMe
há 4 meses1.2k visualizações

Confira a crítica da quinta temporada da série da Netflix, por Sheila Vieira

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'Orange' resiste em abrir mão da comédia, mesmo em meio a uma tragédia

ALERTA DE SPOILER: Não leia se você ainda não assistiu à quinta temporada de ‘OITNB’. Mas favorite o link e leia depois. :)
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“Orange Is The New Black” nasceu como uma comédia dramática, a melhor de seu tipo, e é normal que as mentes por trás dela temam perder esta parte tão importante do DNA da série. Porém, as distrações cômicas e outros recursos que desviam o foco da densa trama principal acabam testando a paciência do espectador nesta quinta temporada, lançada em 9 de junho.

Todos os 13 episódios se passam em quatro dias, durante a rebelião das prisioneiras após a morte de Poussey (Samira Wiley). Quando séries optam pelo formato de “tempo real”, geralmente priorizam um ‘arco’, em detrimento dos personagens secundários. No entanto, ‘OITNB’ seguiu o caminho inverso e fez a sua temporada mais plural, dando tramas extensas para todos que estavam dentro e até fora da prisão de Litchfield, como Aleida Diaz (Elizabeth Rodriguez), e trazendo velhos conhecidos de volta, como Natalie Figueroa (Alysia Reiner).

Infelizmente, essa aposta resulta em menos tempo com a real protagonista da temporada, Taystee (Danielle Brooks), e em horas perdidas com a comédia pastelão das “meth heads” Leanne (Emma Myles) e Angie (Julie Lake), com a jornada de nada para lugar nenhum de Pennsatucky (Taryn Manning) e com Linda (Beth Dover) tentando se passar por detenta durante a rebelião.

A intenção de alívio cômico não funciona muito quando é precedida ou seguida por um espancamento ou tortura, e deixa a maratona de episódios ainda mais desgastante do que já seria normalmente. Aliás, é um pouco perturbador como a violência (inclusive sexual) contra os guardas é retratada como algo engraçado.

Outro recurso antigo que parece um tanto obsoleto nesta temporada são os flashbacks. Por mais que tenha sido interessante ver Red (Kate Mulgrew) como jovem adulta querendo emigrar da Rússia, nenhuma volta ao passado trouxe informações realmente novas ou relevantes para a história atual. Quando “Lost” viveu o mesmo problema, inventou os flashes para o futuro. A não ser que ‘OITNB’ se aventure pelo mundo da ficção científica, não contemos com isso.

O que funciona nesta temporada é o que virou o verdadeiro coração da série: a luta de mulheres por respeito e dignidade em um ambiente que faz de tudo para que elas continuem falhando. Não vou desmerecer Piper (Taylor Schilling), uma personagem bem menos detestável do que o público acha, mas era inevitável que seus percalços fossem ofuscados pelas jornadas mais complexas de personagens como Suzanne (Uzo Aduba), Red e Gloria (Selenis Levya).

Após a polícia terminar a rebelião, as prisioneiras foram realocadas para outras penitenciárias e só as protagonistas permaneceram, de mãos dadas, enquanto a polícia invadia o ‘bunker’ de Frieda. Isso significa que a sexta temporada seguirá só com elas e a quinta foi uma espécie de “adeus” às personagens secundárias? Isso seria uma boa notícia. ‘OITNB’ ganhou força como um conjunto, mas precisa se ‘enxugar’ se quiser permanecer prazerosa de maratonar.

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Equipe Storia Brasil