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Trailer de 'House of Cards' dá pistas de uma ditadura Underwood

BingeWatchMe
há 6 meses141 visualizações
Trailer de 'House of Cards' dá pistas de uma ditadura Underwood
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Estamos em maio, mês de nova temporada de "House of Cards". Ok, estreia é só no dia 30, mas já estamos contando os dias. A Netflix, que sofreu um duro golpe no fim de semana, com o vazamento de episódios inéditos de "Orange Is The New Black", divulgou nesta segunda-feira o trailer oficial da quinta temporada da saga de Frank e Claire Underwood em Washington.

O trailer é narrado por Frank, que explica como manipular a população norte-americana através do medo (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência #rs) e diz que os Underwood vão dominar os EUA por muitos anos, dando a entender que haverá uma espécie de dinastia da família no poder.

A temporada enfim terá o resultado das eleições de 2016, na qual Underwood e Claire encaram o republicano Will Conway, que parece frustrado com o que está vendo na televisão. Será que há como os Underwood perderem esta disputa para surpreender um pouco o público? Ou a tendência será colocar Frank como uma representação de Donald Trump?

Vamos dizer que a ficção está sofrendo para competir com a surreal realidade em que estão vivendo os norte-americanos e o resto do mundo. Essa deve ter sido a temporada mais desafiadora para Beau Willimon e os outros roteiristas de "House of Cards".

Em 29 dias, todas as perguntas terão respostas.

PS: vocês também viram que Frank vai ter um contato íntimo com outro homem?

'13 Reasons Why' é necessária e desnecessária ao mesmo tempo e tudo bem

BingeWatchMe
há 6 meses75 visualizações

ALERTA DE SPOILER. ALERTA. DE. SPOILER. VOCÊ FOI AVISADO.

'13 Reasons Why' é necessária e desnecessária ao mesmo tempo e tudo bem
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"13 Reasons Why" é uma daquelas séries que despertam sentimentos. Você vai encontrar mil listas explicando por que o programa da Netflix é uma porcaria que está fazendo jovens se matarem e muitas outras dizendo o quanto se sentiram representadas pela trágica saga da protagonista Hannah.

E eu estou aqui para dizer que a reação certa para este seriado é confusão. Porque muitas coisas em "13 Reasons Why" são realmente necessárias e outras nem tanto. Vou explicar, ao vivo e em estéreo.

O ótimo retrato do verdadeiro abismo de comunicação entre adultos e jovens é algo extremamente necessário. Tudo que acontece entre aqueles jovens fica escondido em um pacto de silêncio mútuo e nenhum deles se sente confiante o suficiente para se abrir com seus pais, professores ou conselheiros. Ou eles sentem medo de serem punidos por algo que sofreram ou temem uma reação dos pais tão imatura quanto a que eles teriam. Ou seja, recomende esta série para quem tem filhos jovens.

Já a narração estilo Meredith Grey de Hannah em suas fitas era algo que a série poderia ter passado sem. Não é difícil acreditar que a garota fosse articulada o suficiente para escrever um texto tão cheio de recursos narrativos, mas suas falas claramente foram escritas para servir o público, não os próprios personagens ouvindo, e isso acabava tirando o realismo de toda a situação.

Também me incomodou o tom de organizadora dos Jogos Vorazes de Hannah em sua narração, fazendo armadilhas e ameaçando quem não seguisse o seu plano com as fitas. Isso é o que, na minha opinião, chegou mais perto de glamourização do suicídio, colocando Hannah como um fantasma assombrando seus algozes, sendo que a realidade era que a maioria deles estava apenas tentando se safar, abafar o caso e continuar a vida como se nada tivesse acontecido. Na vida real, não pense que seus carrascos vão sofrer com a sua morte. É quem você ama que vai.

No entanto, não há como criticar a posição da série de encarar o bullying como um passo inicial para o assédio e até o estupro, principalmente no caso de garotas. Uma foto e um boato colocaram um rótulo em Hannah que, na cabeça dos rapazes da escola, justificava que ela poderia ser verbalmente e fisicamente assediada diariamente. Então, não, bullying não é só constituído de meninas malvadas, mas também de meninos mostrando os primeiros sinais de um machismo e uma homofobia que podem (e provavelmente vão) virar crimes mais tarde.

A cultura do estupro também é um elemento presente de forma correta no tecido de "13 Reasons Why". Justin, por muito tempo, prefere se omitir a respeito da agressão de Bryce a Jessica. Até Hannah faz o mesmo enquanto estava viva. Após a revelação do crime nas fitas, os estudantes se recusam a aceitar, e o próprio Bryce parece não ter total noção de que uma garota desacordada e outra que está em uma banheira não deram consentimento só por estarem nestas situações. Sem falar no conselheiro da escola, que aborda a conversa com Hannah de maneira completamente equivocada, questionando as convicções e reações da garota ao ataque que sofreu. 

Voltando à estrutura em si do seriado, uma falha notável é como o personagem Tony serve apenas como um mecanismo para fazer a história avançar. Ele não está nas fitas e tem quase nenhum investimento emocional na trama, mas está lá para seguir Clay 24 horas por dia e motivá-lo a continuar escutando os áudios de Hannah. Esperei até o último episódio para saber se ele tinha alguma função menos forçada na história, em vão. Mas o ator (Christian Navarro) é muito bom.

As duas coisas que mais me decepcionaram no seriado, porém, foram o episódio centrado em Clay, que obviamente não corresponderia às expectativas, e a maneira excessivamente gráfica que as cenas de estupro e suicídio foram filmadas e editadas. Obviamente, não é apropriado que um adolescente assista a este tipo de conteúdo. Mas a série não é feita justamente para eles? Qual é a lógica então? Por que precisamos saber exatamente como se corta um punho? Por que precisamos ver Jessica sendo violentada de todos os ângulos possíveis quando a própria personagem não se recorda do evento? 

Para não terminar com uma crítica, vou dizer que a série fez um ótimo trabalho de casting, escolhendo atores talentosos e diversos, sem cair em clichês. É uma variedade natural, que inclui minorias em papéis redondos (incluindo vilões). E esse é o ponto da diversidade em elencos: não é só ter "o negro", "o asiático" ou "o gay", mas sim de permitir que atores com estas características possam ter a chance de interpretar todos os tipos de pessoas.

No fim das contas, "13 Reasons Why" é uma série interessante o suficiente para valer a sua maratona de binge-watching no feriado. E tudo bem você ter sentimentos contraditórios em relação a ela.

PS: uma coisinha idiota que me incomodou demais foi o quanto a Katherine Langford (Hannah), apesar de excelente atriz, não conseguia manter os dois lábios juntos (vide foto que escolhi para este post).

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Equipe Storia Brasil