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Conhecida por polêmicas e imaturidade, 'Girls' surpreende com final sóbrio

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Conhecida por polêmicas e imaturidade, 'Girls' surpreende com final sóbrio

Como dissemos na última semana neste mesmo perfil, "Girls" foi uma série de seis temporadas que cativou e irritou muita gente, várias vezes fazendo as duas coisas simultaneamente. Suas protagonistas eram millennials mimadas, egoístas e ao mesmo tempo brilhantes, mas o programa da HBO não as colocava como exemplo ou como monstros, apenas como pessoas reais. Tudo isso esteve presente no último episódio, que foi ao ar neste domingo (16 de abril), mas com uma linguagem bem diferente do comum.

O finale acabou sendo um epílogo. O verdadeiro desfecho aconteceu no penúltimo episódio, sendo a última vez que vimos Elijah (Andrew Rannels), Shoshanna (Zosia Mamet) e Jessa (Jemima Kirke). E também a última vez que vimos Nova York, personagem importantíssima da trama. Adam (Adam Driver) e Ray (Alex Karpovsky) já haviam se despedido no antepenúltimo capítulo.

Em "Latching" (Travamento), ficamos apenas com Hannah (Lena Dunham), Marnie (Alisson Williams) e Loreen (Becky Ann Baker), em uma casa no interior do estado de Nova York. A maior "externa" é nas pacatas ruas da cidade, onde acontece a melhor cena (já já chegamos lá). A quase ausência de trilha sonora durante o episódio também chama atenção, conduzindo o público à realização de que não estamos mais vivendo o "sonho" da Big Apple. Agora é vida real. Com um filho que não quer mamar no peito.

Ponto muito positivo para Dunham, Jenni Kroner e Judd Apatow por ter trazido à tona a questão da dificuldade na amamentação, um problema extremamente comum e que ainda não havia chegado ao mainstream. A presença de Marnie como a representante da sociedade que pressiona mães a amamentarem a todo custo e culpando-as pelo fracasso é perfeita, assim como a chegada da mãe de Hannah, que manda pela milésima vez a real: Hannah tem que parar de achar que ninguém entende seu sofrimento, porque todas as pessoas do mundo já estão lidando com suas próprias merdas.

Porém, não havia como esperar que Hannah aprendesse a lição com mais um sermão. A solução foi perfeita: andando pela rua como uma garota rebelde, Hannah se depara com uma adolescente fugindo de casa seminua e oferece sua calça e sapatos para ela. Suspeitando que a garota havia sido abusada por alguém, Hannah é surprendida ao descobrir que a menina havia saído porque sua mãe pediu que ela fizesse a lição de casa e a adolescente preferia ficar com o namorado. Então foi a vez de Hannah dar um sermão sobre maturidade e responsabilidade e, de certa forma, finalmente entender como o mundo a vê.

Após voltar para casa sem calças e escoltada pela polícia, afinal, isso é uma comédia, Hannah ouve seu filho chorando e dispensa a ajuda de Marnie e de sua mãe. Não vemos se o bebê amamentou ou não, mas o que importa é que Hannah agora está decidida a não terceirizar mais suas neuras.

Houve quem se decepcionou com a ausência de um final romântico ou de mais um encontro explosivo entre as (ex-)amigas, mas tudo isso foi coberto nos episódios anteriores. O finale não trouxe revelações ou surpresas, mas sim a ideia de que, inevitavelmente, precisamos aceitar que o mundo não vai se comover eternamente com os nossos problemas. Amadurecer é continuar sofrendo, mas assumindo a responsabilidade.

PS: Marnie sendo pega se masturbando pela mãe da Hannah e depois aparecendo com pijama infantil e trancinhas no cabelo na cozinha é uma das coisas mais engraçadas que eu já vi na vida.

#girls