MULHERES

Emma Watson, a Sandy deles

BingeWatchMe
Author
BingeWatchMe

por Sheila Vieira

Emma Watson, a Sandy deles

Aposto minhas duas varinhas que você já me xingou de 10 formas diferentes ao ler o título deste texto. QUAL O PROBLEMA DA SANDY? QUAL O PROBLEMA DA EMMA? Bom, tome um copinho de água, e acompanhe o meu raciocínio. Depois disso, fique à vontade para me xingar novamente se quiser.

Sandy virou uma das pessoas mais famosas do Brasil aos sete anos de idade, com uma bela voz para sua idade e a cara de que sofria bullying dos colegas por tirar nota máxima em todas as provas do colégio. Emma Watson virou uma das pessoas mais famosas do mundo aos nove anos de idade, interpretando uma garota com a qual ela dizia ter muito em comum: extremamente inteligente para sua idade e que sofria bullying de colegas por isso. 

Ainda adolescente, Sandy passou por todo tipo de julgamento sobre sua personalidade (ainda em formação, pois adolescente) e as pessoas se dividiam entre quem a idolatrava e quem a achava “perfeitinha demais”. Como pode alguém achar algum defeito nesta princesa? Ou como pode alguém ser bonita, inteligente, talentosa e não-disfuncional? Aos 16 anos, foi capa da Capricho com a célebre citação “Nunca beijei” (ela falou recentemente que mentiu, aliás).

A imprensa fofoqueira era obcecada com a possibilidade de ela namorar Paulo Vilhena e ainda ser virgem (sim, isso foi um tema amplamente discutido no Brasil. Não finja ter esquecido). Quando estrelou a novela “Estrela Guia”, houve uma comoção para a sua cena beijando Guilherme Fontes (!!!) parecida com a da cena em que Féliz (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso) se beijaram no final de “Amor À Vida”. Enfim, tudo muito surreal.

Emma não teve sua vida amorosa tão exposta desta forma, mas cada decisão sua de vida foi acompanhada de perto, como a escolha da faculdade que iria cursar, por exemplo. Ela falou várias vezes de como se sentia mais pressionada do que Daniel Radcliffe e Rupert Grint, porque sentia que o mundo inteiro esperava por um deslize seu. 

A sexualização precoce por parte da imprensa não foi muito diferente da que aconteceu com Sandy. Até o cabelo dela foi assunto de comoção mundial, quando ela o deixou bem curtinho após o fim das gravações como Hermione.

Sua atuação como embaixadora da ONU pelas mulheres acabou de certa forma tendo até mais relevância do que o prosseguimento da sua carreira. O lançamento de sua campanha “He For She” é lembrado até hoje pelo discurso em que ela falou sobre a necessidade de parar de ligar a palavra feminismo a ódio pelos homens. 

Porém, também virou um dos símbolos do “feminismo branco”. Para quem não entende muito do riscado, este é um termo utilizado por ativistas feministas das minorias (negras, latinas, asiáticas, trans etc) para criticar mulheres brancas que não enxergam as demandas de grupos de mulheres menos privilegiadas e, pior, não entendem o quanto elas contribuem para o silenciamento destas minorias.

Assim como o Brasil se dividiu entre amar e odiar Sandy, o mundo parece caminhar para o mesmo destino em relação a Emma Watson, principalmente agora que ela está em total evidência, por conta do lançamento de “A Bela e a Fera”. Ela tem que ser um modelo ideal de jovem mulher ou uma farsa a ser desmascarada.

O que tudo isso diz sobre nós?

Qual é o nosso problema? Por que submeter estas garotas a um júri popular diário desde a infância? Sandy não tinha culpa de ser uma garota criada em uma família rica em Campinas, com toda a estrutura para atingir todo o seu potencial. Também não tinha a obrigação de “fazer uma merda” para provar que não era “perfeita”. Não foi ela que pediu que sua virgindade virasse pauta nacional.

Emma não tem que se desculpar por mostrar uma pequena parte do seio em um ensaio fotográfico. Não tem que ser colocada na posição de “maior feminista do mundo”, porque ela deve ter plena consciência de que não tem experiência ou vivência para este posto. Ela não deveria ter medo de dar qualquer passo em falso por medo de que sua carreira seja arruinada.

Por que esta necessidade de destruir a imagem de “princesa” que nós mesmos criamos? Elas são apenas garotas brancas ricas, como muitas outras por aí. Vamos superar isso e olhar com carinho para todos os tipos de mulheres que estão no entretenimento. Eu aposto as minhas duas varinhas que Sandy e Emma agradeceriam.

#emmawatson #sandy #mulheres #women #fama #fame