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Lições de uma boa, mas triste, temporada de Orange Is The New Black

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Por Sheila Vieira. Alerta de spoiler, obviamente.

Lições de uma boa, mas triste, temporada de Orange Is The New Black

WOW. “Orange” sempre foi uma série que soube equilibrar bem os momentos cômicos com os dramáticos, mas a quarta temporada terminou com uma sequência de socos na cara. Os roteiristas decidiram ir a lugares extremamente sombrios e submeter as personagens a violências de quase todos os tipos.

O curioso é que os primeiros episódios deram poucas pistas sobre a tragédia que iria acontecer. Minha primeira review da temporada, só sobre os episódios 1 a 4, até terminou com um pedido por mais intrigas e menos comédia e romance:

Já os episódios do meio da temporada focaram na batalha entre Piper e Maria, desenhando um “showdown” entre as duas até o último episódio:

Mas, no final, a grande luta foi entre todas as detentas e os guardas sádicos que tomaram conta de Litchfield. Foi um movimento ousado da série demonizar veteranos de guerra desta forma, em um país onde eles são venerados a todo momento. Em “Orange”, eles não passam de pessoas perturbadas, acostumadas a torturar vulneráveis.

Lições de uma boa, mas triste, temporada de Orange Is The New Black
Lições de uma boa, mas triste, temporada de Orange Is The New Black

As detentas sofriam derrotas diárias, sendo abusadas em revistas sem motivo, sem recursos básicos (como absorventes) e sendo forçadas a trabalhar em uma construção (que acabou revelando o corpo que Alex matou, crime pelo qual Molly obviamente acabou pagando). Mas a sensação que de qualquer coisa poderia acontecer começou assim que obrigaram Maria a ficar em pé durante dias na mesa do refeitório e o guarda mais perverso de todos obrigou Maritza a engolir um filhote de camundongo.

Crazy Eyes, que teve um dos poucos flashbacks realmente informativos da temporada, foi forçada a espancar sua ex-namorada. O abuso se tornou tão revoltante, que causou a união de todos os grupos e um início de rebelião pacífica, que foi violentamente repreendida e acabou com a morte de Poussey.

Confesso que fiquei me perguntando por que fizeram Bailey, o guarda mais inofensivo, ser o assassino de Poussey. Mas as últimas cenas da temporada trouxeram a resposta: ele seria o único que Caputo (que teve a chance de se redimir, mas foi covarde) defenderia e, com esta atitude, causaria uma rebelião violenta das detentas.

Terminamos sem saber se Daynara (zero à esquerda na temporada até o momento) atirará no guarda perverso ou não (provavelmente não). Já a tomada de Poussey olhando para a câmera foi uma bela homenagem, mas, como em vários momentos da temporada, gostaria de ter visto uma conexão maior entre os flashbacks e as situações atuais das personagens.

A crítica ao modelo privado de administração de prisões foi extremamente dura (talvez até um pouco caricata às vezes), mas mostra porque OITNB é um programa que realmente só poderia ir ao ar na Netflix ou em um canal a cabo. A sutil piada com Suzanne conferindo a lista de compras de um cara no supermercado, com um rifle no carrinho, é mais um exemplo disso.

As frustrações ficam por conta do retorno de Nicky, que voltou para apenas chorar por abstinência e para implorar por migalhas sexuais de Lorna, além da enrolação com o caso de Sophia, claramente porque não havia um plano mais interessante para a personagem, e de Alex novamente achando que ela e Piper têm um futuro. Pennsatucky, por outro lado, ficou presa aos desdobramentos de seu estupro, descobrindo inevitavelmente que o perdão não impede o abuso de acontecer novamente.

É difícil prever para qual lugar os roteiristas podem levar a série depois disso. Deixar a prisão ainda mais parecida com um campo de concentração? Resolver a situação e voltar às intrigas entre as detentas? Nenhum desses caminhos vai parecer muito satisfatório.

De qualquer forma, OITNB merece palmas por aproximar mais a série do que deve acontecer no mundo real, não ter medo de mostrar explicitamente qual é a sua posição política e, como sempre, por retratar mulheres de verdade. 

#OITNB #orangeisthenewblack #TV #netflix #review