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Trump conseguiu prejudicar ‘House of Cards’, como se não bastasse todo o resto

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ALERTA DE SPOILER: este texto contém informações sobre a quinta temporada de “House of Cards”. Favorite o link e leia depois que terminar de assistir.

Trump conseguiu prejudicar ‘House of Cards’, como se não bastasse todo o resto

por Sheila Vieira

Logo antes da abertura do episódio piloto de “House of Cards”, Frank Underwood (Kevin Spacey) nos diz: “Bem-vindo a Washington”. A excitação de poder acompanhar por uma espécie de buraco da fechadura os esquemas de corrupção e as ameaças entre políticos foi fundamental para o sucesso da série e para a consolidação na Netflix no mercado. No entanto, a sensação de assistir à quinta temporada é menos de espiar e mais de ler um jornal.

Chega até a ser engraçado escutar expressões como “fechar as fronteiras”, “ataque cibernético”, “interferência estrangeira na eleição”, “coibir votação” e “vocês não gostam do que eu defendo, mas que eu defendo algo”. “HoC” previu exatamente como seria um governo autoritário dentro da democracia americana e assim perdeu não só o fator surpresa, mas o seu senso de distopia. E com a mídia totalmente determinada a dissecar Donald Trump e seu governo, restaram poucos segredos na Casa Branca.

O fim da eleição presidencial entre Frank e Will Conway (Joe Kinnaman) é uma perda de tempo, quando todos sabemos que não havia chance de os Underwood perderem, por mais enrolação que houvesse para chegarmos à vitória deles. Também poderíamos passar sem cenas repetitivas de “amor” entre Claire (Robin Wright) e Tom (Paul Sparks), sendo que claramente os atores não tinham tanta química assim. Já as adições de Jane (Patricia Clarkson) e Mark (Campbell Scott) foram bem interessantes, enfim colocando os Underwood diante de pessoas igualmente cínicas e inteligentes.

A parte mais controversa da temporada é o momento da revelação de Frank havia articulado sua própria queda para sair da presidência e conquistar o “poder de verdade” no setor privado. Ou seja, Frank quer ser um Joesley. Ele só não contava com a traição de Claire, que parece aproveitar o momento para colocar o marido para escanteio.

Isso significa que a próxima temporada será uma guerra entre Frank e Claire? Talvez seja um bom caminho a trilhar, já que está um pouco cansativo ver o casal matando ou jogando escada abaixo qualquer pessoa que os incomode. Se ninguém pode alcançá-los, não há saída além de colocar um contra o outro.

Se Hillary Clinton tivesse sido eleita, como certamente os produtores imaginavam quando escreveram estes episódios, a quinta temporada de “HoC” teria sido um bom exercício de imaginação. Mas Trump tinha que estragar isso também.