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Odilon de Oliveira sobre coligações: 'Vamos filtrar os requisitos moral e ético'

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Odilon de Oliveira sobre coligações: 'Vamos filtrar os requisitos moral e ético'

Foto: Odilon em visita a Folha de Dourado, ao lado de Carlos Augusto Fernandes. - Fotos: Valmir Leite

No final da tarde de quinta-feira (31 de janeiro), o juiz federal aposentado e pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo PDT, Odilon de Oliveira, visitou a Folha de Dourados. Passou o dia inteiro em Dourados reunido com lideranças de seu partido e visitando meios de comunicação. Por volta das 17h30 esteve na Prefeitura em audiência com a prefeita Délia Razuk. De lá retornou a Campo Grande.

"Começo por Dourados minha caminhada pelo interior do Estado como pré-candidato ao Governo", disse logo na chegada a Folha ao diretor José Henrique Marques. De agora em diante, o pernambucano de Exu que completará 69 anos no próximo dia 26 de fevereiro, será personagem presente em todos os municípios sul-mato-grossenses. "Eu atendo o clamor público para enfrentar as eleições", afirma.

Na entrevista aos jornalistas José Henrique Marques e Carlos Augusto Fernandes, o juiz federal que se tornou lenda no combate ao crime organizado e objeto de filme e que reside em MS desde 1972, afirma que seu perfil "encaixou" naquilo que o eleitorado deseja nas eleições de 2018, afasta qualquer possibilidade de ser candidato ao Senado em chapas encabeçadas pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e pelo ex-governador André Puccinelli (MDB), mas garante que o PDT está "com as portas abertas" a qualquer partido, com a ressalva de "filtrar" os requisitos éticos e morais de seus membros.

Ele também falou sobre causas sociais, relacionamento com o MPE e os poderes Legisltivo e Judiciário e da Operação Lava Jato.

Leia a seguir, a entrevista.

Folha de Dourados – Depois de longa e reconhecida carreira na justiça federal o senhor agora debuta na política partidária e anunciou pretensão de disputar o Governo de Mato Grosso do Sul nas eleições de outubro. Além do apelo de lideranças nesse sentido, o que mais o levou a aceitar esse desafio?

Odilon – Eu atendi bastante ao clamor público, porque através de consultas qualitativas as pessoas definem determinado perfil, perfil que a pessoa deve ter para enfrentar as eleições, ou para receber os votos em 2018. Então a gente se encaixou, segundo meu próprio entendimento, naquele perfil, e esse clamor público está sendo fundamental. Eu me aposentei depois de trabalhar mais de meio século, 55 anos de serviço. Trabalhei como juiz federal, como juiz estadual, fui promotor de justiça, fui procurador federal, fui professor e fui lavrador e frequentei uma universidade da vida.

Essa universidade da vida ensina muita coisa, ensina a viver, então depois de tudo isso, eu resolvi tentar fazer alguma coisa ainda na política.

Folha de Dourados – No afunilamento do processo pré-eleitoral existe a possibilidade do senhor disputar uma das duas vagas no Senado Federal na chapa do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) ou mesmo do ex-governador André Puccinelli (MDB)?

Não existe nenhuma possibilidade. Nós já definimos que a minha candidatura é para o governo do Estado de Mato Grosso do Sul, e nunca conversamos dentro do partido a possibilidade de eu me candidatar ao senado. Então está definido que o PDT vai lançar um candidato ao Governo do Estado e esse candidato se chama Odilon de Oliveira. Não vai ter retrocesso.

Folha de Dourados – Declarações atribuídas ao senhor na imprensa não deixam clara a política de alianças do PDT para essas eleições. Quais os partidos ou lideranças que vetará?

Todos os partidos encontrarão as portas abertas no PDT. Logicamente que haverá uma filtragem em relação àqueles atores que compõem cada partido. Vamos filtrar os requisitos moral e ético. Trabalhei a minha vida inteira pautando os meus atos com requisitos éticos, no quadro da lei. Então, seria uma negação de todo o meu passado eu admitir, por exemplo, uma coligação com um corrupto. Existe político corrupto, juiz corrupto, policial corrupto, em qual qualquer área tem corrupção. Mas, o maior patrimônio que tenho na vida é o meu perfil, que cultivei durante todos esses anos, o perfil da honestidade.

Folha de Dourados – Nos bastidores é voz corrente que o senhor terá dificuldades de agregar forças na campanha e, se vencer, para governar, por, supostamente, não conhecer os meandros da política, muitos nada ortodoxos. Por favor, faça uma avaliação.

Dificuldade a gente encontra em todos os setores da vida. Vamos encontrar dificuldades na pré-campanha, que é essa fase que está se desenvolvendo no período pré-eleitoral. Qualquer governante encontra dificuldade para governar. Agora o fato de eu nunca ter governado no Executivo, isso não é fato que compromete a governabilidade. Temos que exercer qualquer função com habilidade e capacidade. Uma coisa é a vivência e a experiência, outra coisa é a capacidade e a habilidade. Dificuldade todos teremos.

Neste início pré-eleitoral não estou encontrando dificuldade nenhuma, a maior dificuldade que poderia encontrar é de encaixar o meu perfil na expectativa do povo e isso não estou encontrando. Tenho certeza que jamais receberei uma batida de porta na minha cara Então essa dificuldade não vou encontrar.

Folha de Dourados – O histórico como juiz federal no combate à criminalidade, principalmente ao narcotráfico e a contravenção penal, o obriga a viver 24 horas em companhia de homens da Polícia Federal. Isso pode atrapalhar na campanha durante as reuniões, caminhadas, corpo-a-corpo com o eleitorado? Os agentes e as armas não inibirão o eleitor?

Não atrapalha, isso traz uma restrição no ir e vir, principalmente em regiões de fronteira. É evidente que tenhamos um reforço na segurança, mas não oferece risco não. Trabalhei 30 anos na fronteira até me aposentar. Tenho muitos inimigos na fronteira, pois já mandei para a cadeia muitos bandidos e a gente tem que ter um reforço especial.

Folha de Dourados – Uma vez eleito e tendo em vista a famosa incontinência verbal do ex-deputado Ary Rigo na Operação Uragano, quando comprometeu setores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público Estadual com corrupção, como o senhor pretende se relacionar com esses poderes. Quais os limites?

A gente tem que montar um esquadro, fazer uma demarcação, demarcar o território da legalidade. Nós só não vamos nos relacionar com pessoas que não se encaixam no perfil da legalidade.

Folha de Dourados – O PDT está posicionado como um partido de centro-esquerda pela história de seu fundador Leonel Brizola, portanto defensor das causas sociais. O que o senhor pensa dos problemas relacionados à terra dos indígenas e das comunidades quilombolas de Mato Grosso do Sul?

Independentemente de partido temos que nos preocupar com as causas sociais. Todo e qualquer partido deve se preocupar com os direitos sociais, para que não haja falta de direitos sociais. Direito a habitação, alimentação, saúde e assim por diante. Estou filiado a um partido, mas na verdade estou filiado ao povo, não sou de direita ou de esquerda nem de nada, eu sou uma pessoa de conciliação e reconciliação em favor do povo.

Folha de Dourados – E sobre a agricultura familiar?

Sou defensor de qualquer tipo de agricultura, sobretudo da agricultura familiar, já eu atuei na agricultura familiar até os 17 anos de idade, e depois disso estudei em escola agrícola. A agricultura familiar merece toda a atenção. Fortalecer a agricultura familiar não significa que está prejudicando a grande produção, de maneira alguma, temos que incentivar a agricultura familiar. Eu sou defensor da agricultura familiar.

Folha de Dourados – Uma vez eleito qual será o eixo econômico e de desenvolvimento de seu governo?

Todos os setores da economia merecem atenção, muitas pessoas não enxergam o turismo, apesar de ser fundamental, todos os setores são interessantes. Você tem que incentivar o meio rural, o agronegócio e assim por diante. Tem que ter mecanismos de aumento de produtividade. Tem que priorizar o comércio exterior. O estado de MS tem vocação ao comércio exterior, pois exporta carne, mel, proteína animal, grãos e uma série de coisa. Existem diversas maneiras de priorizar isso, como melhorando a malha viária e aumentando a fiscalização da receita federal, pois o contrabando causa um prejuízo imenso aos cofres públicos e à segurança pública.

Folha de Dourados – Para encerrar, doutor Odilon, como o senhor avalia o atual momento político do Brasil, bastante conturbado pelos desdobramentos da Operação Lava Jato? Existe risco de ruptura institucional?

A Lava Jato não solucionou o problema do Brasil, mas chegou e deu um recado de que a lei tem que ser para todos. Trouxe ensinamento e isso daí vai produzir um efeito durante todo o sempre. Agora o momento político está conturbado por causa da corrupção. Isso está uma bagunça. O Brasil está um país anárquico, na saúde pública as pessoas morrem, rouba-se tanto do Brasil. Peguei o dinheiro atribuído à corrupção e fiz cálculo na segurança pública, fiz cálculo na área de saúde, na área da habitação também. Tudo era para estar melhor. Mas, não acredito em risco de ruptura institucional. O Brasil teve uma experiência com um governo que não chamo de ditatura e, sim, governo militar e acredito que o povo já tenha consciência que o que vale mesmo é resolver pelo voto. Tudo deve se resolver pacificamente através do voto.

Por José Henrique Marques e Carlos Augusto Fernandes