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A Casa, novo reality da Record, é um sadismo puro

Daniel Akstein
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Daniel Akstein

Partindo da premissa que o ser-humano adora ver a desgraça alheia, é certo dizer que 'A Casa', o novo reality show da Record, acertou na fórmula. O programa é um sadismo puro. Do lado de dentro e de fora da casa.

No ar desde o dia 27/6, e exibido nas noites de terça e quinta-feira, A Casa começou com 100 participantes na busca do prêmio de 1 milhão de reais. Mas os perrengues estão exatamente nesses números.

A casa em que eles estão, de 120 m², foi feita para comportar com tranquilidade 4 pessoas. Então são 4 camas, 4 toalhas, 4 cobertas e por aí vai. A alimentação e os itens de higiene também são para quatro, e como fazer para alimentar 100? A Casa - sob o comando de um líder eleito toda semana - pode comprar mais comida e outras coisas a mais, como sabonete e papel higiênico, mas tudo vai sendo descontado do montante do prêmio.

Isso, claro, traz as mais diversas brigas e confusões lá dentro. Enquanto alguns defendem que todos devem se alimentar bem, outros não querem gastar - dependendo do quanto eles consomem, o valor do grande vencedor no dia da final, em setembro, pode ser bem pequeno.

A Casa, novo reality da Record, é um sadismo puro

Nos três episódios exibidos até aqui, pudemos ver várias situações que beiram o absurdo. Desde um participante que desistiu logo após a primeira noite e disse que aquilo foi uma grande lição de vida e que aprendeu muito (tudo isso em 24H????) desde uma moça que defendia que o banho devia ser eliminado porque ela quase não toma banho mesmo (para constar: o consumo de água é limitado e eles tem de pagar pelo o que gastam a mais). Sem contar a situação na hora de dormir: sem espaço, alguns ficam sentados cochilando na mesa mesmo.

Mas isso não é nada perto do estresse emocional que todos já estão passando com apenas uma semana dentro da casa. Enquanto alguns participantes torcem para os concorrentes passarem mal (e assim pedirem para sair), outros mostram o seu lado humano e defendem a boa alimentação de todos. No segundo episódio, dois desmaiaram e tiveram de receber atendimento médico.

Logo após o primeiro episódio, o Ministério Público Federal de São Paulo abriu inquérito para investigar o programa: telespectadores denunciaram A Casa por violação de direitos humanos. E, segundo o jornalista Maurício Stycer, do Uol, um participante ameaçou se matar após ser eliminado por causa de uma conjuntivite.

Discussões também não acabam nunca no programa. No último episódio, um dos confinados acordou gritando e arrumando briga com outros. Fofocas, picuinhas e intrigas são algo comum na casa. Assim como os xavecos e as pegações que já começaram desde o início.

Toda semana, um participante será expulso da casa pelo líder, mas sempre tem mais alguém desistindo (por vontade própria ou motivos de saúde). 'A Casa' é quase um experimento antropológico, um programa de sobrevivência, onde claramente é impossível a boa convivência entre todos os moradores, de diferentes idades e pensamentos.

A apresentação de Marcos Mion é uma das gratas surpresas do programa. "É um desafio nunca antes visto na televisão brasileira", dizia ele antes de A Casa estrear. Ele se diverte com os perrengues passados pelos moradores e interage bem com todos.

Assim como no Big Brother e outros reality shows, o público é tão voyer quanto sádico aqui em A Casa. Quer, sim, ver o circo pegar fogo. Mas o atual programa da Record vem extrapolando todos os limites: todo episódio vem com uma pitada exagerada de maldade - não só dos participantes, mas principalmente da emissora. Quando há algo em jogo, e muito dinheiro no caso, os limites se perdem. Mas a audiência aumenta.

A Casa, novo reality da Record, é um sadismo puro

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