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Ótimo filme sobre José Aldo mostra mais que lutas e brigas

Daniel Akstein
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Daniel Akstein

É possível um filme de luta te fazer sair emocionado do cinema? Se o longa for “Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo”, a resposta é sim.

A história do lutador de MMA e um dos maiores campeões do UFC está longe de ser uma história de pancadaria. Em alguns momentos, você pode até pensar que o tema em si é um dos velhos clichês do cinema, em que um menino pobre dá a volta por cima para sair vitorioso. Mas ela é contada de um jeito tão brilhante que isso passa quase despercebido. Como em ‘2 filhos de Francisco’, na também história real da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano. Não tem como distorcer os fatos, eles estão lá, marcados e cicatrizados. Como no rosto de José Aldo.

O ator José Loreto incorporou o personagem principal, que não economizou nos treinos pra ganhar força muscular e chegou a treinar com o próprio técnico de Aldo, Dedé Pederneiras, vivido no cinema por Milhem Cortaz. Cléo Pires interpreta a namorada/amor/esposa do lutador, Viviane. E Jackson Antunes tem o outro papel de destaque na trama como Seu José, pai de Aldo.

Ótimo filme sobre José Aldo mostra mais que lutas e brigas

Pode chamar de filme de ação, drama, romance. O começo é um turbilhão de emoções que consegue te colocar na pele de um José Aldo ainda jovem em Manaus, sofrendo com as bebedeiras do pai e as conseqüentes violências na mãe. Mostra um jovem pobre sofrendo preconceitos dos ricos. E toda essa raiva embrulhada dentro de si o acompanha até o Rio de Janeiro, onde busca uma nova e diferente vida e onde vai aprender a diferença entre brigar e lutar.

A boa narrativa do filme consegue amarrar todos os demônios e sonhos de Aldo. É contra e por eles que o lutador vai ascendendo. Dormindo no ginásio, na favela, em um hotel luxuoso em Las Vegas. Luta diariamente para esquecer as polêmicas do pai que deixou para trás, mas sabe que precisa acertar essas contas. Coincidentemente, na vida real, Aldo perdeu o pai justamente quando defendeu o primeiro cinturão do UFC, no Canadá, em 2011.

O diretor Afonso Pyart vem conseguindo levar os filmes de ação do cinema nacional a um outro patamar – foi dele o tão bom filme ‘2 Coelhos’, de 2012. A fotografia e o frenesi de algumas cenas mostram a qualidade do atual longa, como no quadro que mistura a paixão de Aldo em golpear o adversário com os corpos quase desnudos em ação de Loreto e Cléo.

Este não é um filme apenas para os amantes de MMA e lutas. É para quem gosta de assistir a algo de qualidade, para os fãs de cinema. É um ingresso que vale a pena!

Ótimo filme sobre José Aldo mostra mais que lutas e brigas

Até a cicatriz no rosto é igual. E ela é contada em uma brilhante cena já no final do filme.

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