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Pior que ver seu time perder é apanhar e ter medo da própria torcida organizada

Daniel Akstein
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Daniel Akstein

Quarta-feira, 6 de julho, 19h45: o ônibus do São Paulo chega ao Morumbi e a torcida faz uma bonita festa em frente ao estádio.

Quarta-feira, 6 de julho, 23h30: o São Paulo acaba de perder para o Atlético Nacional por 2 a 0 e o que vemos é o início de cenas de terror protagonizadas pela torcida organizada e que se estendem até o começo da madrugada.

Da alegria à tristeza, da euforia ao medo. Os mais de 60 mil torcedores que foram ao Morumbi não esperavam essa derrota na semifinal da Libertadores. Pior que ver seu time perder é sair com medo do estádio. Ser assaltado e agredido por alguns idiotas que se denominam torcedor, mas que só estão lá para causar baderna e tumulto.

Pior que ver seu time perder é apanhar e ter medo da própria torcida organizada

Eu estava lá. Cheguei cedo, como manda o protocolo. Até cedo demais. Vi, um pouco distante, o ônibus do time chegar e toda aquela cor tricolor tomar conta do céu do Morumbi. Fogos, muitos deles, explodiam no ar. O clima era festivo.

Festa que passou a virar aflição com a expulsão de Maicon e xingamentos após o primeiro gol do Atlético. Estava na arquibancada azul, a cerca de 20 metros da organizada. Uma cerca separava os dois setores. Com o segundo gol do time colombiano, muitos são-paulinos começaram a deixar o estádio. Faltavam poucos minutos pro fim do jogo, e aquele desânimo e raiva já tomaram conta de todo Morumbi.

Uma parte da Organizada, aquela que estava bem ao lado da cerca, passou a xingar e querer brigar com os torcedores que já iam embora. “Tem que torcer até o fim”, gritavam eles, de costas pro campo e com um monte de xingamentos junto. Reparem no detalhe: eles já não estavam mais torcendo também, já queriam confusão. Um dos que iam embora se irritou e questionou os palavrões, retrucando. Desnecessário, mas a cerca impediu algo mais grave.

Na saída do estádio, a ideia era parar logo na rua para comer aquela já tradicional pizza que apareceu após os jogos paulistanos (um monte de ambulante vendendo a pizza por 10 conto). Pensamos e preferimos passar por um único motivo: se ficar, o bicho pega.

Quando descíamos a rampa da saída já percebemos uma movimentação da organizada. Apressamos o passo e logo começou a correria – os vendedores da pizza também logo dissiparam. “Eles estão vindo pra roubar a torcida comum”, falou um amigo sobre a organizada. Poucos minutos depois, já a uns 100 ou 200 metros longe do estádio, ouvimos as primeiras bombas. Era a polícia intervindo na situação.

No dia seguinte, nesta quinta-feira, vejo na tevê que alguns torcedores foram presos, outros feridos, mas o pior foi ver os torcedores comuns saindo assustados do estádio mais de uma hora depois que o jogo terminou.

Sempre, toda vez depois que isso acontece, as perguntas começam a se repetir. Até quando as organizadas vão continuar fazendo o que bem desejam? Enquanto não houver punição severa, a resposta é simples: até quando eles quiserem. Infelizmente.

Pior que ver seu time perder é apanhar e ter medo da própria torcida organizada

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