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Éder, um herói criado em orfanato que marcava gols por um pedaço de carne

Fábio Tava Hecico
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Fábio Tava Hecico

Hoje, certamente ele merecia umas boas cabeças de gado. Ao menos um banquete regado a muito churrasco. Éder, autor do gol do título da Eurocopa para Portugal, cresceu numa espécie de orfanato e quando começou a jogar, era motivado a fazer gols para ter um pedaço de carne na mesa.

Éder, um herói criado em orfanato que marcava gols por um pedaço de carne

Como tantos outros meninos pobres que se deram bem na vida graças a bola, Éder também tem uma bela e comovente história de vida.

Nascido em Guiné-Bissau, chegou a Portugal com os pais ainda pequenino, com somente 3 anos de idade. A viagem seria para tentar tirar a família da pobreza, mas ele acabou entregue a uma instituição que cuidava de crianças - um orfanato no Brasil.

Cresceu chutando bolas pelos corredores daquela "prisão" e, por vezes, teve de cumprir castigos (fixar sem tevê ou proibido de brincar) por causa das janelas e vasos quebrados com suas finalizações sem direção.

Éder, um herói criado em orfanato que marcava gols por um pedaço de carne

Cresceu e começou o cultivar o sonho de ser jogador. Os primeiros passos foram no Adémia, de Coimbra. Lá, um açougueiro fanático pelo clube resolveu mexer com o instinto goleador de Ederzito (este é seu verdadeiro nome) e fez uma promessa.

Éder, um herói criado em orfanato que marcava gols por um pedaço de carne

A cada gol, ele ganharia bom e suculento pedaço de carne, a mais macia e sem gordura. Não faltou mais mistura no prato do garoto.

Foram seis anos até assinar o primeiro contrato profissional, com o Tourizense, com 400 euros de salários.

Éder cresceu, virou atacante goleador por onde passou e deu a maior alegria ao país que o acolheu justamente onde hoje busca seu sustento.

Éder, um herói criado em orfanato que marcava gols por um pedaço de carne

Sim, o herói português atua no futebol francês. Defende as cores do Lille, e espero que a ignorância muitas vezes presenciada no Brasil, não impede também na Europa e ele não seja castigado por ter dado alegria a 11 milhões de portugueses.

Palmas e um bom filé mignon ao camisa 9 de Portugal. Ele merece, é um vencedor.