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Dicas para quem precisar usar seu seguro de saúde durante uma viagem

Amanda Previdelli
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Amanda Previdelli
Dicas para quem precisar usar seu seguro de saúde durante uma viagem

Há mais ou menos duas semanas acordei com uma dor de cabeça bem forte. Sabe o que é acordar por causa de uma dor de cabeça? Já é ruim no Brasil, estando em um país onde você quase não fala nada da língua, é pior.

A dor de cabeça virou uma febre baixa, a febre baixa virou febre alta e dias queimando os miolos numa cama me convenceram que estava na hora de fazer algo. Eu nunca tinha usado meu seguro de saúde em nenhuma viagem, nunca precisei (apesar de sempre viajar com um). Agora era a hora.

O primeiro problema foi que eu não tinha me preparado nada para essa situação. Então, se você vai viajar, é importante saber algumas informações básicas sobre como usar seu seguro de saúde.

1. Anote o telefone da central

Ficar procurando na internet o telefone do seguro viagem, ser transferido porque ligou para a central do seguro de saúde normal… tudo isso é um saco. Evite. Já vá com tudo anotadinho e de preferência em português e em inglês/língua local caso você precise de ajuda pra fazer essa ligação.

2. Confira como ligar de fora do Brasil

O meu seguro não tinha um telefone que eu pudesse ligar da Áustria, país onde precisei usá-lo. Em vez disso, eu teria que ligar a cobrar. Você sabe fazer uma ligação internacional a cobrar? Eu não sabia, mas é simples:

liga para 0800 200 255. Uma atendente da Embratel vai atender. Você passa o nome da pessoa e o número do telefone que quer ligar a cobrar.

Ou use o famoso “disk-mamãe”. Meu telefone austríaco não faz chamadas (só tenho dados), eu tava com febre e dor e querendo a sopa que minha mãe faz quando fico doente… Então usei o disk-mamãe e pedi para ela ligar na central pra mim. Alguns minutos depois, a central me ligou de volta no meu celular, foi ótimo. Mesmo assim, anotei em um papel o telefone para ligar a cobrar afinal vai que, não é mesmo?

3. Tenha fácil todos os seus dados e seu endereço

Pode parecer bobo, mas na hora que o cara te perguntar onde você está (para que ele possa te encaminhar para o hospital mais próximo ou chamar um médico para sua casa), é bom você ter aquele endereço impronunciável escrito em algum lugar. Você vai ter que soletrar o negócio.

Com tudo isso em mãos – e depois de ligar pra minha mãe e postar pedindo informações para um grupo de brasileiros que moram em Viena rs – falei com a central. Já tinha meus sintomas todos na ponta da língua (e até uma suspeita de diagnóstico que veio a se confirmar, thanks seriados de medicina) e tudo anotado.

O atendente foi mega simpático, pediu os sintomas, conferiu meus dados, meu endereço e deu até aquele pito básico “meu deus, era para a senhora ter entrado em contato antes!”. Pediu para eu anotar o número de protocolo e disse que em até 70 minutos me ligariam com os procedimentos seguintes.

Aí entra outra dica: é legal ter alguém que possa ser seu tradutor numa hora dessas. Pouco mais de meia hora depois que falei com o atendente brasileiro, meu telefone tocou novamente. E aí começaram a falar em alemão comigo em estado febril. Fiz o que qualquer criança de 10 anos faria e dei na hora o telefone pra alguém que fala alemão e inglês fluentemente. Era o pessoal do hospital ligando para confirmar meus sintomas e endereço porque um médico estava vindo para a minha casa.

AI QUE CHIQUE HOUSE CALL.

Fiquei no aguardo de um doutor com os seguintes apetrechos:

Dicas para quem precisar usar seu seguro de saúde durante uma viagem

Menos de duas horas depois, a campainha toca. Aqui vale notar uma coisinha básica: todo mundo fuma cigarro na Áustria. É horrível, me dá dor de cabeça, me deixa com os olhos ardendo e a galera fuma em lugares fechados. Até hoje acho que eu ter ficado doente teve muito a ver com a cultura da fumaça desse país, mas enfim. Tocou a campainha, abrimos, cadê dotô? Claro, tava dando aquele último traguinho antes de entrar na casa da paciente. Tipo ???

A consulta em si durou menos de 20 minutos. Ele me fez aquelas perguntas básicas para eliminar doenças mais sérias, perguntou se eu tinha manchas (eu tinha checado), perguntou se eu olhei minha garganta (falei que não e foi o único momento que ele encostou em mim), chegou a um diagnóstico e me indicou uns remédios. O médico falava inglês, o que ajudou muito a minha vida, mas tive que pedir ajuda pro amiguinho bilingue porque algumas palavras que eu usei o doutor não entendeu. Mas deu para entender a necessidade de você saber direitinho quais são seus sintomas, há quanto tempo os tem e seu histórico médico? Foi com essas informações que ele me diagnosticou.

Chegamos até a falar um pouquinho sobre a cultura do cigarro na Áustria. Ele não tava nem aí, não falou quão péssimo é pra saúde, não é contra fumar em lugares fechados, não tinha nenhuma dica de remédio ou produto que pudesse reduzir minha irritação à fumaça e, acabada a consulta, quando eu perguntei se ele queria uma água, um suco, alguma coisa, ainda teve a cara de pau de responder “o que eu quero mesmo é fumar ha ha ha“. Então quer dizer, né…

O importante é que alguns dias depois eu já estava 100% de novo. Só aquele cansaço pós febre 40 graus + efeito colateral de remédios que demorou um pouco para passar, mas normal.

ilustra: instagram @sobretudoquepassa