ENTRETENIMENTO

Por que precisamos de rótulos?

Helena Sordili
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Helena Sordili

Num tempo tão plural, ainda procuramos rótulos e definições que nos limitam e colocam em caixinhas únicas. Por que?

Eu vou dizer que essa reflexão veio com mais intensidade depois de ir à pre-estreia do filme Os Smurfs e a Vila Perdida. Sim, para mim qualquer momento de lazer (ou não) é também de reflexão.

Por que precisamos de rótulos?

Eu sempre achei ruim ser enquadrada na categoria mãe (e só), por exemplo, porque nunca somos uma coisa só, frequentamos grupos diferentes, temos amigos de épocas diferentes e podemos nos relacionar com eles normalmente, em momentos distintos.

Se sou meio nerd no trabalho, sou também bem humorada entre os amigos, ainda tenho hobbies com outros grupos que se formaram por esses interesses e assim por diante.

A gente cresce e vai costurando uma série de retalhos que formam a nossa pele, o nosso "quem sou", complementar e plural. E moldável por situação e grupo de convivência.

E por que a reflexão ganhou forma depois do tal filme? Porque lá a crise de identidade de Smurfette está justamente em não delimitar nada na sua tagline. Enquanto um é o Papai Smurf, o outro é o Smurf Gênio ou ainda o Smurf Desastrado, ela é "apenas" Smurfette.

Ela não tem uma habilidade única, não tem algo marcante pelo qual pode ser nomeada e isso dá uma crise na menina. Durante a aventura fica claro que ela é plural, que Smurfette é uma mulher típica, cheia de habilidades - ela até encontra outras tantas como ela lá na Vila Perdida.

Infelizmente algumas mulheres demoram a entender essa nossa condição multitask, e ficam buscando algo essencial que as defina. Somos mães, mulheres, trabalhadoras, aventureiras, fortes e sensíveis. E isso já faz de nós seres únicos!

No mais, vale a pena levar as crianças ao cinema. O filme estreia dia 06/04 e é um programão para toda a família.