MULHERES

Qual é a sua tribo?

Helena Sordili
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Helena Sordili

Na vida (ao longo dela) nos relacionamos, em geral, com pessoas similares a nós. Na escola a gente senta perto de quem tem afinidade, na faculdade faz trabalho com quem tem a mesma vibe, no trabalho a gente fica amigo de quem é parceiro, na maternagem a gente se aproxima de quem tem os mesmos valores.

Qual é a sua tribo?

Lá em 2008, quando nasceu minha primeira filha e direcionei meu blog para a maternidade, pude notar que há muitas tribos de mães. E parece até uma ofensa você ser de uma e não de outra.

Quando se está grávida os grupos são divididos entre as mães que estão com a cesárea marcada e aquelas que estão aguardando o tempo do bebê. Há o grupo de ativistas pela parto humanizado, domiciliar, na banheira e com a doula, há o outro da cesárea no hospital.

Há o grupo da amamentação exclusiva e do "amamentar não é para mim".

O grupo da licença estendida, que pede licença no trabalho (ou demissão mesmo) e o das mães que voltam a trabalhar no dia 121.

Há uma segregação. Há um mundo polarizado na maternidade. E foi (e é) contra isso que eu levantei a bandeira.

Já dizia minha mãe: os semelhantes se atraem e, embora ter filhos seja algo comum a muitas mulheres, as formas de criação e condução da vida dos filhos pode fazer você se aproximar ou distanciar de outras mães. Isso é normal na vida, em qualquer fase ou momento, como eu disse lá na introdução.

Além das escolhas da mãe precisarem ser respeitadas, acima de tudo - diga-se de passagem, o mundo é muito mais cheio de nuances do que o que sim e não, preto e branco. Não vivemos mais num mundo cartesiano (ou vivemos??). Vivemos num mundo cheio de opções.

Independente do tipo de parto, de licença maternidade, do tipo de criação, de quem cuida dos filhos, da alimentação, do tipo de escola, do uso de gadgets e etc, é importante lembrar que estamos criando seres humanos. E que as nossas escolhas moldam essas crianças. 

Se o fazemos com ou sem informação é que é o problema. Não a escolha em si.

Mas não há porque discriminar alguém que escolheu diferente de você. São escolhas e devem ser respeitadas. E caso apareça alguém com dúvidas sobre como conduzir uma situação, ajude-a dando INFORMAÇÃO e não OPINIÃO.

E que a gente volte a praticar a empatia e a trocar experiências.