Reflexões - vida de mãe
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Filhos: cada fase uma dor e uma delícia

Num desses grupos de WhatsApp maternos, ou de amigas, uma mãe fala da felicidade do filho mais velho completando 16 anos, enquanto a outra fala da filha de 9 que descobriu que o Papai Noel é a mamãe.

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Filhos: cada fase uma dor e uma delícia

Enquanto o de 16 está começando a namorar, a de 9 ainda tem asco dos meninos porque eles são "muito bobos". Um já tem uma vida semi-independente, a outra está querendo conquistar algumas responsabilidades e autonomias.

As outras mães do grupo falam dos seus filhos: um que voltou a dar trabalho para comer, o outro que não quer fazer lição de casa, mais um que se mostrou solidário à nova aluna Down da escola, ou ainda aquele que ganhou a vaga no time principal da escolinha de futebol .

Mães e suas dores e delícias!

Todos os dias a gente aprende a lidar com sentimentos opostos, conflitantes, complementares, desconhecidos. Haja equilíbrio para aguentar a montanha-russa emocional diária.

A cada fase uma nova dor e uma nova delícia. Dos choros e cólicas às primeiras risadinhas, da alfabetização aos ralados nos joelhos, da fase do "por que?" à fase do "já sei"... eles crescem e extrapolam os nossos sentimentos e limites.

Você pode ficar brava, perder a paciência, mas depois vem algo que te enche de orgulho, de alegria e admiração por ser mãe dessa pessoinha ou desse adolescente maravilhoso. Em geral dá trabalho - se não tiver dando trabalho tem algo errado aí, mas a gente sabe que está no caminho certo (se é que isso existe mesmo) quando eles mostram o lado humano, sincero e puro do próprio desenvolvimento.

Conviver de perto com seus filhos e com outras crianças, ou acompanhar relatos de mães e pais (sejam seus amigos ou em grupos maternos da escola ou nas redes sociais) faz com que você aprenda mais sobre diversidade, educação, estilos de vida e, claro, dores e delícias individuais.

Dia da Mulher: sim ou não?

Se por um lado tem mulheres que se sentem homenageadas nesse dia, por outro há uma parcela que acha a data um insulto.

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Mas e aí? Devemos ou não comemorar o Dia da Mulher?

Dia da Mulher: sim ou não?

Por muito tempo eu achei que devíamos. Depois achei que não devíamos. E hoje em dia acho que tenho uma opinião mais equilibrada do assunto. Uma vez falei que devia ter o dia do homem e recebi como resposta a data em questão. Ok! Mas e o alarde disso? O motivo e a comoção comercial?

Hoje eu acho que esse dia expõe a minoria. Não que mulher seja minoria, mas é tratada como tal. As mulheres são fragilizadas. Sabe o lance das cotas das faculdades? Então... só existe porque não há IGUALDADE.

O mundo deveria ser igualitário na questão racial e de gênero, por exemplo, mas não é. E aí criam-se dias e modos específicos de valorizar os elementos em questão. No caso das cotas raciais, se considerarmos a escravidão, a penetração dos negros nas camadas sociais mais altas e etc, fica bem claro que as oportunidades não são iguais.

Mas, e no caso do Dia da Mulher?

O dia foi criado para relembrar a luta feminina do direito ao voto, melhores condições de trabalho e assim por diante. Então talvez não devesse ser o DIA DA MULHER, mas o DIA DA IGUALDADE? E aí a gente não precisaria focar só na mulher.

Eu acho que as questões de desprestígio das mulheres ocorre em todas as camadas sociais e níveis das organizações, nas famílias e empresas. Porém em alguns lugares isso é "praxe" e passa batido ou fica calado por medo.

Pra mim, é aí que está o problema!

Não é para passar batido, não é para calar. Mulheres acumulam funções, assumem comandos, famílias, gangues. Mulheres fazem e desfazem. São produtivas, dedicadas, atenciosas. Estudam, priorizam, abrem mão.

Homens também. Não? Sim, claro! Mas ninguém bate palma para a mulher que virou a noite trabalhando para fechar um job. Capaz de acharem que estava na farra ou dormindo com o chefe! 

Eu acho péssima a divisão de gênero. Assim como acho péssima a divisão de paternidade, por exemplo. O pai "ajuda", a mãe "rala". Não, tudo errado.

Acho que devíamos falar do SER HUMANO. Que por seus gêneros tem posturas e atividades diferentes, mas que isso não pode ser o fator limitante da sua carreira, por exemplo. Não é falta de capacidade, é falta de oportunidade.

Quer dar flor, bombom, folga, tratamento estético, OK! Mas dê também a igualdade do salário, dos reconhecimentos e oportunidades.

E também tem uma outra questão: a data ganhou uma conotação MUITO comercial. Foi a brecha que encontraram para aliviar o intervalo de baixas entre Natal e Páscoa? Natal e Dia das Mães? Não tá bonito isso não...

Um mundo mais igual, de relações mais iguais e cobranças idem.

Se eu vou comemorar o Dia da Mulher? Vou agradecer cada parabéns, mas não vou fazer disso a minha causa. A minha causa é pela humanidade!

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HelenaSordili
Pra emagrecer, coma! Pra relaxar, grite! Pra ser perfeita, erre! Pra ser você, mude! Autora do blog Eu, ele e as crianças