HOLLYWOOD

Doutor Estranho: Mais do Mesmo

Ingrid Schmidt
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Ingrid Schmidt

Todo mundo estava falando tão bem desse filme que eu fui assisti-lo com a expectativa lá em cima, e só me decepcionei. Doutor Estranho prometeu ser completamente inovador, mas acabou sendo mais do mesmo. Não só mais do mesmo da Marvel: ele usou diversos elementos que já existiam em outros conteúdos como se fosse extremamente criativo, mas a cópia fica bem clara.

Vamos começar por algo básico: a capa do Doutor. Se você estava se perguntando onde foi que você viu uma relíquia com vida própria que fica trollando o personagem principal, eu te digo onde: o tapete mágico do Aladdin. Sim, a Disney já havia feito isso em 1992, muito antes de Doutor Estranho.

Segundo ponto: os feitiços do Doutor. Que outro mago fazia desenhos no ar (muitos parecidos com os do Doutor) para invocar feitiços? A Arme, de Grand Chase. Desde 2003.

Agora vamos para um ponto mais delicado. Esse filme está dando o que falar principalmente por causa dos efeitos especiais. Eles realmente são muito bons, e eu acho sim que merecem um Oscar, mas não vamos sair falando por aí que eles foram completamente inovadores na ideia da dimensão espelhada, porque Sakura Card Captors havia feito isso muuuuito tempo antes, no episódio da Carta do Labirinto.

Outra coisa que todos estão comentando é a (agora) famosa cena em que o Doutor enfrenta Dormammu (”Dormammu, I’ve come to bargain”). Strange prende os dois num loop infinito, no qual Dormammu o mata milhares de vezes, e em todas ele volta à vida. Ouvi muitas pessoas falando sobre “o enorme sacrifício” que o Doutor fez para proteger a humanidade, o que me lembrou uma outra história em que isso acontece. Uma história muuuuuuito antiga, na verdade: o mito de Prometeu. Na história, como punição por ter dado o fogo da vida para os humanos, Prometeu foi acorrentado ao monte Cáucaso, e todos os dias uma Águia viria devorar seu fígado, que se regeneraria durante a noite. Ou seja: o final do filme não foi nada inovador.

Por fim, falando num contexto geral, o próprio personagem Doutor Estranho, no filme, é um repeteco. Nos quadrinhos, a história não é bem assim, mas o filme passou muito a impressão de que ele era uma espécie de Escolhido para substituir a Anciã e, sinceramente, EU NÃO AGUENTO MAIS essa história de “Escolhido”. Foi legal em Senhor dos Anéis, Harry Potter e Star Wars, mas já deu! Nós não queremos mais ver personagens épicos com profecias traçadas. Queremos sentir que poderia ser qualquer um no lugar do herói, inclusive nós mesmos. Queremos nos identificar.

Recebi várias críticas por não ter gostado de Doutor Estranho, mas acho que meus argumentos acima são mais do que suficientes para que todos repensemos se realmente gostamos dos filmes, ou se eram só efeitos especiais muito bons numa história mal escrita.