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Animais Fantásticos e Onde Eu Habito?

Se eu pudesse resumir “Animais Fantásticos e Onde Habitam” em uma palavra, seria “confuso.”

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Eu sei que todos nós assistimos os sete filmes do Harry Potter milhares de vezes, mas eu realmente acho que os criadores da nova saga deveriam ter ignorado que conhecemos muito bem o universo mágico e nos introduzido nele novamente. Porque, afinal, nós conhecemos o universo de Harry Potter, na Inglaterra de 1991, não o de Nova York de 1926.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” nos joga no meio de um contexto político bruxo totalmente desconhecido, e não explica nada em nenhum momento. O que é a MACUSA? Qual o cargo de Graves dentro dela? Por que criaturas mágicas foram proibidas nos Estados Unidos, mas não na Inglaterra? A sensação que eu tive enquanto assistia ao filme era de que eu havia caído de para-quedas num mundo em que eu obrigatoriamente devia saber tudo que estava acontecendo, e por isso era deixada de fora do grupinho dos bruxos.

Meu ponto aqui é que, toda história, mesmo que de um universo já conhecido, precisa de um personagem que não sabe sobre tudo que está acontecendo paras nos conduzir. “Animais Fantásticos” tinha esse personagem - Jacob Kowalski -, mas não soube aproveitá-lo muito bem: Kowalski, assim como nós, estava completamente por fora do que estava acontecendo, do começo ao fim do filme.

Como eu acho que eles poderiam ter lidado melhor com isso? Apresentando o Universo a Kowalski, mas de uma forma não repetitiva. Um exemplo é a cena em que Newt apresenta suas criaturas a ele: em vez de termos uma sensação mágica, como quando Hagrid nos mostra o beco diagonal, parece que Newt não está nem um pouco a fim de explicar o que está acontecendo ali, e que ele só está fazendo porque é preciso.

Tudo bem, não combinaria nem um pouco com o personagem do Newt dar uma explicação fofa para o Kowalski, mas acontece que nós temos uma personagem super fofa e que se interessa bastante por ele e poderia ter ficado responsável por conduzi-lo - junto com a plateia - pelo mundo bruxo: Queenie Goldstein.

Outro ponto que colabora para essa confusão toda é o fato de que eles citam muitas coisas que se passaram antes da história do filme sem nenhum contexto ou explicação. Por que Newt foi expulso de Hogwarts? O que aconteceu com o irmão dele? O que houve entre ele e Leta Lestrange? Eu sei que os próximos filmes provavelmente vão responder todas essas questões, mas achei desnecessário jogar tantas informações extras sem nenhuma explicação logo no primeiro filme.

Por fim, precisamos falar sobre Obscuriais. Por mais que eu tenha adorado a ideia dessa criatura, me parece muito que a JK só pensou nisso enquanto escrevia “Animais Fantásticos” e não se preocupou nem um pouco em como isso afetaria a franquia original. Por que Harry não se tornou um obscurial depois de tantos anos sendo reprimido e maltratado pelos tios? Ou o próprio Lord Voldemort, que definitivamente não tinha amor, e sofria bullying no orfanato em que vivia por conta de seus poderes? Por que nenhum personagem jamais citou essa criatura? Me parece algo que a Hermione super mencionaria em algum momento. A não ser que descubram uma cura para isso nos próximos filmes, vou continuar achando que foi uma informação muito mal inclusa na história.

Bom, minha conclusão sobre o filme é de que ele é ok e tem personagens muito amáveis, mas poderia ter sido muito melhor se não nos fizesse sentir como se fosse um clubinho do qual não podemos fazer parte. 

Doutor Estranho: Mais do Mesmo

Todo mundo estava falando tão bem desse filme que eu fui assisti-lo com a expectativa lá em cima, e só me decepcionei. Doutor Estranho prometeu ser completamente inovador, mas acabou sendo mais do mesmo. Não só mais do mesmo da Marvel: ele usou diversos elementos que já existiam em outros conteúdos como se fosse extremamente criativo, mas a cópia fica bem clara.

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Vamos começar por algo básico: a capa do Doutor. Se você estava se perguntando onde foi que você viu uma relíquia com vida própria que fica trollando o personagem principal, eu te digo onde: o tapete mágico do Aladdin. Sim, a Disney já havia feito isso em 1992, muito antes de Doutor Estranho.

Segundo ponto: os feitiços do Doutor. Que outro mago fazia desenhos no ar (muitos parecidos com os do Doutor) para invocar feitiços? A Arme, de Grand Chase. Desde 2003.

Agora vamos para um ponto mais delicado. Esse filme está dando o que falar principalmente por causa dos efeitos especiais. Eles realmente são muito bons, e eu acho sim que merecem um Oscar, mas não vamos sair falando por aí que eles foram completamente inovadores na ideia da dimensão espelhada, porque Sakura Card Captors havia feito isso muuuuito tempo antes, no episódio da Carta do Labirinto.

Outra coisa que todos estão comentando é a (agora) famosa cena em que o Doutor enfrenta Dormammu (”Dormammu, I’ve come to bargain”). Strange prende os dois num loop infinito, no qual Dormammu o mata milhares de vezes, e em todas ele volta à vida. Ouvi muitas pessoas falando sobre “o enorme sacrifício” que o Doutor fez para proteger a humanidade, o que me lembrou uma outra história em que isso acontece. Uma história muuuuuuito antiga, na verdade: o mito de Prometeu. Na história, como punição por ter dado o fogo da vida para os humanos, Prometeu foi acorrentado ao monte Cáucaso, e todos os dias uma Águia viria devorar seu fígado, que se regeneraria durante a noite. Ou seja: o final do filme não foi nada inovador.

Por fim, falando num contexto geral, o próprio personagem Doutor Estranho, no filme, é um repeteco. Nos quadrinhos, a história não é bem assim, mas o filme passou muito a impressão de que ele era uma espécie de Escolhido para substituir a Anciã e, sinceramente, EU NÃO AGUENTO MAIS essa história de “Escolhido”. Foi legal em Senhor dos Anéis, Harry Potter e Star Wars, mas já deu! Nós não queremos mais ver personagens épicos com profecias traçadas. Queremos sentir que poderia ser qualquer um no lugar do herói, inclusive nós mesmos. Queremos nos identificar.

Recebi várias críticas por não ter gostado de Doutor Estranho, mas acho que meus argumentos acima são mais do que suficientes para que todos repensemos se realmente gostamos dos filmes, ou se eram só efeitos especiais muito bons numa história mal escrita. 

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