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Como as teorias estão melhorando os seriados

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Vocês já pararam pra pensar no quanto os roteiristas precisam se preocupar cada vez mais com os roteiros que escrevem para séries e filmes de sagas? Há dez, vinte anos, quando se lançava uma série, o máximo que aconteceria era que amigos discutiriam entre si ou em blogs pequenos voltados para a série e que não chegavam no grande público. Mas, hoje, as coisas mudaram.

Hoje, existem sites como o Reddit, onde milhares de fãs se reúnem para discutir sobre seus temas favoritos. É nesse site, principalmente, que surgem as teorias. E o que acontece, a partir do momento em que uma surge? O roteiro da série precisa estar no mesmo nível que ela.

Se um roteiro, nos dias de hoje, é previsível ao ponto dos fãs descobrirem os principais segredos em 2 ou 3 episódios, ou se tem revelações muito fracas perto das esperadas pelos fãs, ele é extremamente criticado. Não recebe prêmios, perde audiência, e a série pode vir a ser cancelada.

Um exemplo claro disso foi o oitavo episódio da sexta temporada de Game of Thrones. Após o vazamento de uma foto, os fãs passaram dias teorizando sobre o destino de Arya, e o resultado final foi tão fraco que o episódio dó recebeu críticas.

Dessa forma, é evidente o quanto as teorias colaboram para o aperfeiçoamento dos roteiros televisivos e cinematográficos. Hoje em dia, um roteirista precisa escrever um mistério que ao mesmo tempo não seja completamente indecifrável, mas também não entregue tudo de graça. É preciso prever quais serão as teorias dos fãs para acompanhá-las e ainda dar algo mais para os que as seguem. É muito mais difícil escrever um bom roteiro hoje em dia fo que há 20 anos.

Recentemente, tivemos o final da primeira temporada de Westworld, uma série que lidou de forma magestosa com as teorias dos fãs, de um jeito que eu nunca havia visto. Foi quase como se cada episódio fosse escrito após os fãs teorizarem sobre o anterior. Quem critica essa série é porque não a entendeu completamente.

Mal posso esperar para ver o que as próximas séries que surgirem nesse contexto nos trarão.

Animais Fantásticos e Onde Eu Habito?

Se eu pudesse resumir “Animais Fantásticos e Onde Habitam” em uma palavra, seria “confuso.”

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Eu sei que todos nós assistimos os sete filmes do Harry Potter milhares de vezes, mas eu realmente acho que os criadores da nova saga deveriam ter ignorado que conhecemos muito bem o universo mágico e nos introduzido nele novamente. Porque, afinal, nós conhecemos o universo de Harry Potter, na Inglaterra de 1991, não o de Nova York de 1926.

“Animais Fantásticos e Onde Habitam” nos joga no meio de um contexto político bruxo totalmente desconhecido, e não explica nada em nenhum momento. O que é a MACUSA? Qual o cargo de Graves dentro dela? Por que criaturas mágicas foram proibidas nos Estados Unidos, mas não na Inglaterra? A sensação que eu tive enquanto assistia ao filme era de que eu havia caído de para-quedas num mundo em que eu obrigatoriamente devia saber tudo que estava acontecendo, e por isso era deixada de fora do grupinho dos bruxos.

Meu ponto aqui é que, toda história, mesmo que de um universo já conhecido, precisa de um personagem que não sabe sobre tudo que está acontecendo paras nos conduzir. “Animais Fantásticos” tinha esse personagem - Jacob Kowalski -, mas não soube aproveitá-lo muito bem: Kowalski, assim como nós, estava completamente por fora do que estava acontecendo, do começo ao fim do filme.

Como eu acho que eles poderiam ter lidado melhor com isso? Apresentando o Universo a Kowalski, mas de uma forma não repetitiva. Um exemplo é a cena em que Newt apresenta suas criaturas a ele: em vez de termos uma sensação mágica, como quando Hagrid nos mostra o beco diagonal, parece que Newt não está nem um pouco a fim de explicar o que está acontecendo ali, e que ele só está fazendo porque é preciso.

Tudo bem, não combinaria nem um pouco com o personagem do Newt dar uma explicação fofa para o Kowalski, mas acontece que nós temos uma personagem super fofa e que se interessa bastante por ele e poderia ter ficado responsável por conduzi-lo - junto com a plateia - pelo mundo bruxo: Queenie Goldstein.

Outro ponto que colabora para essa confusão toda é o fato de que eles citam muitas coisas que se passaram antes da história do filme sem nenhum contexto ou explicação. Por que Newt foi expulso de Hogwarts? O que aconteceu com o irmão dele? O que houve entre ele e Leta Lestrange? Eu sei que os próximos filmes provavelmente vão responder todas essas questões, mas achei desnecessário jogar tantas informações extras sem nenhuma explicação logo no primeiro filme.

Por fim, precisamos falar sobre Obscuriais. Por mais que eu tenha adorado a ideia dessa criatura, me parece muito que a JK só pensou nisso enquanto escrevia “Animais Fantásticos” e não se preocupou nem um pouco em como isso afetaria a franquia original. Por que Harry não se tornou um obscurial depois de tantos anos sendo reprimido e maltratado pelos tios? Ou o próprio Lord Voldemort, que definitivamente não tinha amor, e sofria bullying no orfanato em que vivia por conta de seus poderes? Por que nenhum personagem jamais citou essa criatura? Me parece algo que a Hermione super mencionaria em algum momento. A não ser que descubram uma cura para isso nos próximos filmes, vou continuar achando que foi uma informação muito mal inclusa na história.

Bom, minha conclusão sobre o filme é de que ele é ok e tem personagens muito amáveis, mas poderia ter sido muito melhor se não nos fizesse sentir como se fosse um clubinho do qual não podemos fazer parte. 

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