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Do que sentem vergonha os partidos sem "P"

Jorge Afonso Maia Mairink
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Jorge Afonso Maia Mairink
Do que sentem vergonha os partidos sem "P"

O primeiro partido a mudar de nome e retirar o "P" da sigla no Brasil recente foi o DEM, que passou de Partido da Frente Liberal para Democratas em 2007, nome ironicamente inspirado no Partido Democrata dos Estados Unidos, que lá tem mais identificação com a social-democracia do que com o conservadorismo, alma-mater dos nossos democratas.

O PFL sofrendo desgaste de sua popularidade e viu seu número de deputados encolher em até 1/5 em cerca de 15 anos, especialmente após o fim do governo FHC do qual eram fiéis escudeiros e mantiveram seu partidário Marco Maciel na vice-presidência durante os 8 anos.

Seis anos depois, em 2013, Paulinho da Força convocou seus comparsas que estavam em sua maioria abrigados no PDT para fundar o Solidariedade (SOD), também nutrido por uma ironia profunda, ao se referenciar no movimento social polonês da década de 80 liderado por Lech Walesa. Walesa, nessa época, era correspondente de Lula, uma vez que os dois eram grandiosas lideranças sindicais no mundo.

Hoje cabe ao Solidariedade o papel de ser um dos testas de ferro do falido governo Temer, além de Paulinho da Força ter sido contemplado com uma condenação por improbidade administrativa e diversos outros processo ainda em curso.

Veio então a REDE Sustentabilidade, que conseguiu seu registro apenas em 2015 após ter falhado na coleta de assinaturas dois anos antes, partido liderado por Marina Silva, candidata a presidência em 2010 pelo PV e em 2014 pelo PSB. A REDE é um dos menores partidos do país, com apenas 7 prefeitos e 4 deputados federais. Por algum tempo tentou sustentar a pecha de que poderia ser uma outra alternativa para a centro-esquerda, mas vê seus quadros intelectuais desiludidos deixarem suas fileiras a cada dia.

Também em 2015 veio o NOVO, que ainda leva muitas vezes o nome de Partido Novo (já que falar novo pra cá, novo pra lá confunde qualquer um), usou um nome bem clichê para tentar propôr renovação na política. Seus ideias são ultraliberais, a favor do estado mínimo, algo, curiosamente, nada novo já que essas teorias socioeconomicas existem há pelo menos 250 anos. De toda forma, na sua única eleição, 2016, elegeu apenas 4 vereadores em todo o país.

Neste ano de 2017 foi que a moda pegou, quando o PTN resolveu virar Podemos, mesmo nome do partido-movimento espanhol fundado há 3 anos que vem abalando a política por lá, ganhando cada vez mais adeptos e desbancando muitos partidos antigos. Qual a semelhança entre o Podemos de cá e o Podemos de lá? Tanto quanto for possível ser o oposto. Aliás, se eu fosse Pablo Iglésias, um professor universitário de Ciência Política e secretário-geral do partido espanhol, procuraria alguma forma de garantir os naming rights em algum tribunal internacional.

Por essas bandas, o Podemos tem como grande liderança o senador Álvaro Dias, do Paraná, que já figurou por outros 7 partidos em seus mais de 30 anos de mandatos legislativos e executivos. A única proposta que o Podemos tem feito é de, basicamente, lançá-lo como candidato a presidência em 2018, porque fora isso seu site é um compilado de chavões políticos sem muito sentido real.

Outra surpresinha deste ano foi o PT do B, que pensou em se chamar "Nova Democracia" mas acabou ficando com "Avante", tendo como grande proeza usar o mesmo nome como sigla (e ter uma sigla de 6 letras!). O que dizer desse partido que mal começou e já desconsidero pacas? Praticamente nada. Nem site oficial foram capazes de lançar (ainda existe o do PTdoB). É liderado pelo icônico Luís Tibé, deputado federal por Minas Gerias que herdou a legenda criada por seu pai em 1995.

Por último, o PSL resolveu se tornar Livres, mas por algum motivo desimportante disse que só muda de nome de fato no fim do ano. O Livres é uma tentativa no mínimo curiosa de transformar o "Partido Social Liberal" de partido puramente fisiológico em algo próximo do liberalismo político e econômico, meio que uma reedição do Novo só que com caciques. O PSL sempre foi comandado por Luciano Bivar, deputado federal por Pernambuco, desde sua fundação em 1998 e nunca foi muito mais do que reflexo do que devaneio individual por poder.

Como bonus track tem o PEN - Partido Ecológico Nacional, que em seus cinco anos de existência nunca passou nem perto do que seu nome propõe. Esse ainda não oficializou sua mudança de nome, mas já sinalizou que aceitará Jair Bolsonaro como seu candidato a presidente em 2018, com direito a ele sugerir o novo nome: Pátria Amada Brasil (PAB).

Enfim, se o problema fosse só o P, hein?