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Estudo comprova que bebês controlam os pais pelo choro

Kristina Haddad
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Kristina Haddad
Estudo comprova que bebês controlam os pais pelo choro

O som de um bebê chorando é descontrolador. Incrivelmente perturbador! Algo que exige imediatamente a nossa atenção. Tentamos descobrir se eles estão com fome, cansados, com calor ou se precisam trocar a fralda. Isso se somos os papais! Se não temos nenhuma relação com o bebê, a coisa fica mais difícil para a gente.

Pois eis que um um estudo revelou que os gritos e lágrimas de uma criança podem realmente alterar a forma como os pais pensam e agem. Eles nos controlam, gente!

A atividade cerebral de pessoas ouvindo um bebê chorando se altera profundamente. Tanto que elas são impedidas de se concentrarem em qualquer outra tarefa sem ser a de dar atenção ao bebê em necessidade.

É, amigos. A natureza humana fez questão de garantir a sobrevivência desses pequeninos lindos, gordinhos e deliciosos! E nós nos adaptamos a ponto de nos perturbarmos profundamente com o chorinho estridente deles.

Estudo comprova que bebês controlam os pais pelo choro

Por isso, por mais que você leia vários especialistas em crianças, que você estude tudo que é comportamento ideal de pais com filhos, que você ouça todas as opiniões do mundo que te dizem para ignorar o choro dos pequeninos, sinto muito, você não irá conseguir assim tão fácil. Não está na natureza de papais e mamães deixar a criança aos prantos, mesmo quando eles fazem pura manha. Algo a gente simplesmente tem que fazer!

Isso foi comprovado em uma pesquisa da Universidade de Toronto. Os cientistas pediram aos voluntários para fazerem tarefas simples depois de ouvirem um bebê rindo e chorando.

Infant Cries Rattle Adult Cognition
The attention-grabbing quality of the infant cry is well recognized, but how the emotional valence of infant vocal signals affects adult cognition and cortical activity has heretofore been unknown. We examined the effects of two contrasting infant vocalizations (cries vs. laughs) on adult performance on a Stroop task using a cross-modal distraction paradigm in which infant distractors were vocal and targets were visual. Infant vocalizations were presented before (Experiment 1) or during each Stroop trial (Experiment 2). To evaluate the influence of infant vocalizations on cognitive control, neural responses to the Stroop task were obtained by measuring electroencephalography (EEG) and event-related potentials (ERPs) in Experiment 1. Based on the previously demonstrated existence of negative arousal bias, we hypothesized that cry vocalizations would be more distracting and invoke greater conflict processing than laugh vocalizations. Similarly, we expected participants to have greater difficulty shifting attention from the vocal distractors to the target task after hearing cries vs. after hearing laughs. Behavioral results from both experiments showed a cry interference effect, in which task performance was slower with cry than with laugh distractors. Electrophysiology data further revealed that cries more than laughs reduced attention to the task (smaller P200) and increased conflict processing (larger N450), albeit differently for incongruent and congruent trials. Results from a correlation analysis showed that the amplitudes of P200 and N450 were inversely related, suggesting a reciprocal relationship between attention and conflict processing. The findings suggest that cognitive control processes contribute to an attention bias to infant signals, which is modulated in part by the valence of the infant vocalization and the demands of the cognitive task. The findings thus support the notion that infant cries elicit a negative arousal bias that is distracting; they also identify, for the first time, the neural dynamics underlying the unique influence that infant cries and laughs have on cognitive control.
journals.plos.org

Os resultados mostraram que aqueles que escutaram o som de choro eram mais lentos e dispersos do que os que escutaram o riso. Havia uma grande dificuldade de processar as informações por conflitos cognitivos. 

Joanna Dudek e David Haley, psicólogos da Universidade de Toronto e autores do estudo, defendem que, apesar de o estresse provocado pelos gritos infantis terem evocado respostas na mente dos adultos, também pode criar uma resposta adaptável à situação. Ao serem acionados pelo choro, os pais conseguem decidir como ajudar de forma mais eficiente os filhos. Ou seja: a pesquisa comprovou o instinto parental.

Se o choro de uma criança ativa essa perturbação cognitiva no cérebro, ele também ensina aos papais e mamães como a concentrar a atenção de forma mais seletiva. É esta flexibilidade cognitiva que permite aos pais alternar rapidamente a atenção entre as angústias do bebê e as demandas do dia a dia. 

A gente aprende a se virar nos trinta!

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Por Pilar Magnavita

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