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Tomar antibiótico 'até o fim da receita' é mito perigoso, sugere pesquisa

Kristina Haddad
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Kristina Haddad

Você sabe bem como funciona essa rotina, né? Garganta inflamada, você vai no médico, e ele te manda tomar uma semana de antibiótico. E não é só isso. Na maioria dos casos, a receita vem acompanhada do seguinte conselho: “é pra tomar até o fim!” Você melhora em três dias, mas continua no antibiótico por uma semana. Mas será que isso faz mesmo sentido?

Tomar antibiótico 'até o fim da receita' é mito perigoso, sugere pesquisa

A justificativa comum é que se você parar de tomar a medicação antes do fim, as bactérias podem se tornar mais resistentes. Só que agora um grupo de cientistas argumenta que tomar antibiótico “até o fim” é um grande mito. E tem mais: um mito que pode prejudicar sua saúde.

Segundo a pesquisa, publicada no British Medical Journal e liderada pelo professor Martin Llewelyn, da Brighton and Sussex Medical School, em 85% dos casos, o mais indicado é parar a ingestão de antibióticos assim que os sintomas desaparecerem. O estudo afirma que “completar o tratamento” é contra uma das crenças mais fundamentais da medicina, que é a pessoa se medicar o mínimo possível.

Ainda segundo os pesquisadores, a exposição mais longa aos antibióticos pode - ao contrário do que se pensa - tornar as bactérias mais resistentes à medicação. Logo, não faz sentido prolongar o tratamento após o fim dos sintomas, já que coloca os pacientes sob riscos desnecessários.

O estudo também levanta a discussão sobre a melhor “mensagem simples” a ser passada aos pacientes - e ao público em geral. Afinal, recomendar a interrupção do tratamento “assim que você se sentir melhor” pode não ser o mais indicado. Nem sempre o desaparecimento (ou a redução) de um sintoma significa que uma infecção foi eliminada. Ou seja, todo cuidado é pouco.