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O fardo humano

O fardo humano
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Crise pode significar um momento nebuloso, em que nada parece tão simples de ser processado por nossa humilde razão. É um estado das coisas caótico, desordenado e conflitante que nos faz perceber que já não estamos – ou nunca estivemos – no controle das coisas que nos rodeiam. É nesse momento que começamos a nos indagar sobre as possibilidades do futuro, as ações do presente e as decisões tomadas no passado.

Conforme a vida passa, começamos a perceber que não são tão raros os momentos em que nada faz sentido. Nada, exceto a certeza de que todas as escolhas que fizemos durante a vida estavam erradas. As crises existenciais chegam como um soco direto no estômago e deixam uma ânsia presa na garganta por um bom tempo. O dono desse punho forte é o mesmo dono do reflexo que você vê diante de um espelho. A crise é um fardo humano.

Não são raros os momentos que paramos para repensar nossas decisões. Muitas vezes chega-se à conclusão de que perdemos o foco do nosso caminho. Se expande dos pés à cabeça a sensação de que nos perdemos nesse vasto mundo de possibilidades e saber que não existe um mapa só é mais desesperador.

E é quando paramos para questionar nossas escolhas que a crise se instaura. A vida não veio com um botão de desfazer e, por isso, contornar uma decisão errada é tarefa complicada. Na maioria das vezes, é impossível esperar que as coisas se ajeitem sem tomar nenhuma atitude. É necessária uma habilidade de planejamento para que se possa agir como fator determinante de mudança. E tais mudanças em nossas vidas podem comprometer nossos sonhos.

Sonhar faz parte de viver, mas nesses momentos caóticos até mesmo eles são colocados em dúvida. Todos nós temos anseios. Vontade de ser algo, de ter algo e de fazer algo. É isso que nos faz mover, levantar da cama e começar o dia para, no final dele, voltar ao lugar de repouso prontos para repor as energias e enfrentar os desafios do dia seguinte. No entanto, ficamos um tanto inquietos quando perdemos o norte das nossas vontades. Quando não sabemos mais o que fazer ou onde queremos chegar. É aterrorizante porque cada segundo de nossas vidas nesse estado parece um passo atrás do outro para formar um movimento circular, em outras palavras, parece que o tempo passa e nós permanecemos no mesmo lugar. As vezes em um completamente desconhecido.

Nesses momentos é difícil não afogar-se nas incertezas. Não é por acaso que a palavra “crise” está intrinsecamente ligada às situações ruins. Ninguém gosta de sentir essa incerteza quanto à própria vida, história, valores ou situação. Mas parece que não haver muito mais do que incertezas. Questões como: O que eu estou fazendo da minha vida? Onde eu quero chegar com tudo isso? Que atitude tomar? Como decidir? Martelam a todo instante em nossas cabeças e nos fazem sentir como se não estivéssemos aptos para fazer nenhuma escolha.

Mesmo assim, por mais fundo que estejamos mergulhados nesses momentos de mudança súbita e difíceis decisões que nos fazem duvidar das nossas próprias capacidades, é importante lembrar que a crise não é uma coisa totalmente ruim. Por mais chato que seja passar por uma crise existencial, não quer dizer que seja inútil. Muito pelo contrário. Todos esses questionamentos são muito necessários para nós como seres humanos. Significa que continuamos vivendo e nos transformando.

Mudar, crescer e se superar não são tarefas simples. Elas vêm de mãos dadas com a senhora cobrança, amiga da insegurança e da famosa ansiedade. Companhias que ninguém atura por muito tempo. Mas que não precisamos aturar se soubermos manter o equilíbrio e colocar as coisas no lugar. Enfrentar as crises requer coragem, reflexão e disciplina. Só assim poderemos agir como sujeitos ativos rumo à superação e transformação de nós mesmos e do ambiente a nossa volta. Não é fácil, mas vale a pena.

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