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10 lições que aprendemos em Roland Garros 2016

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A edição de 2016 de Roland Garros foi uma das mais estranhas dos últimos tempos: Roger Federer não estava na chave (algo que não acontecia em um Slam desde a época que "Baby One More Time" era o hit do momento), Rafael Nadal desistiu por lesão no meio do torneio, houve um dia com nenhum segundo de jogos em quadra pela chuva e Serena Williams foi dominada em uma final.

O que aprendemos nessas duas longas semanas?

1. Novak Djokovic gosta do Guga tanto quanto a gente.

A admiração do número 1 pelo tricampeão em Paris já havia ficado clara na exibição entre os dois em 2012, quando Djokovic colocou a peruca loira de cachinhos e imitou o catarinense. O sérvio também já declarou no passado que o coração que Guga desenhou na quadra (duas vezes, poucos se lembram deste detalhe) em 2001 foi um momento bem marcante para ele. Mesmo assim, repetir o gesto ao vencer Roland Garros pela primeira vez foi uma reverência tão explícita, que nos faz pensar mais uma vez no tamanho do feito de Kuerten e como a marca que ele deixou naquele saibro nunca será desfeita.

2. Andy Murray tem chance real de ganhar Roland Garros um dia.

Apesar de ter jogado muito bem no saibro nos últimos dois anos, a campanha deste ano provou que Murray, aos 29 anos, enfim se tornou um favorito no saibro. Não foi uma jornada fácil, já que ele quase foi eliminado por Radek Stepanek e pelo famoso-quem Mathias Bourgue, mas a vitória contra Stan Wawrinka e o primeiro set diante de Djokovic deixaram claro que o britânico pode sim ter como objetivo fechar o Grand Slam um dia. Talvez seja até mais fácil levar a melhor em Paris do que parar a sequência de finais perdidas na Austrália.

10 lições que aprendemos em Roland Garros 2016

#PratoSlam

3. O teto de Roland Garros terá que sair antes do previsto.

A cada ano que passa, o Aberto da França sai com a imagem mais danificada. O público não aguenta mais correr o risco de ver uma sessão inteira ser cancelada (ou de ver a rodada ser interrompida com 2 horas e um minuto de jogo, impedindo o reembolso) e vários tenistas ficaram revoltados por terem sido obrigados a jogar na chuva. Com o US Open inaugurando o teto da Arthur Ashe neste ano, Roland Garros já está com a fama de "Slam ultrapassado". 

O torneio quer fazer todas as reformas necessárias de uma vez, enfrentando uma burocracia grande (mas necessária, para não danificar o Jardim Botânico vizinho), mas a solução deve ser pelo menos resolver o problema da cobertura rapidamente. O tênis foi jogado por muito tempo sem esta preocupação, mas também temos que levar em conta que as mudanças climáticas estão afetando o calendário (como vimos pela neve no torneio de Munique).

10 lições que aprendemos em Roland Garros 2016

4. Você pode vencer Serena Williams fazendo o jogo dela.

Todos os especialistas dizem que o segredo para vencer Serena Williams é variar o jogo. Se você tentar bater forte como ela, não tem chance. Garbiñe Muguruza provou que não é bem assim. A espanhola encarou a número 1 na agressividade, adicionando uma inteligência tática muito bem-vinda. Além de se movimentar bem e devolver as bolas de Serena com a mesma potência, Muguruza conseguiu uma profundidade de bola perfeita, jogando a vencedora de 21 Slams para trás o tempo todo. A nova campeã não foi Roberta Vinci, mas barrou Serena da mesma forma.

5. A melhor tenista da Espanha na atualidade é uma mulher.

Garbiñe Muguruza é a número 2 do ranking mundial. O melhor entre os homens no momento é Rafael Nadal, quarto colocado. A Espanha sempre deixou o tênis feminino em absoluto segundo plano e só começou a dar o destaque que Muguruza merecia depois que ela foi finalista de Wimbledon. Com a geração de ouro masculina mais perto da aposentadoria e pouca renovação à vista, é hora de olhar para as moças com mais carinho.

Muguruza: "Eles escutam o hino (espanhol) e não é Rafa, é uma meninaaaaaa!"

6. Não desista da Olimpíada antes de jogar Roland Garros.

O ranking que define os classificados para as Olimpíadas é o de 6 de junho (também conhecido como hoje), mas alguns jogadores já anunciaram que não pretendem vir ao Rio antes de Roland Garros. Imagino que a falta de pontos para o ranking nesta edição tenha a ver com isso. Feliciano López foi um destes tenistas, mas descobriu em Roland Garros que tem boa chance de medalha ao lado de Marc López. Os espanhóis venceram ninguém menos que Marcelo Melo/Ivan Dodig e irmãos Bryan em sequência para serem campeões em Paris. Acompanhemos os próximos capítulos...

10 lições que aprendemos em Roland Garros 2016

7. Federetes, nadaletes e sharapovetes ainda veem tênis, mesmo quando seus ídolos não estão presentes.

Os três tenistas com maiores "fanbases" não foram um fator em Roland Garros neste ano. Isso certamente tem um impacto no entusiasmo do público, mas, pelo que acompanhei nas redes sociais, todos eles continuavam de olho no torneio, torcendo por Stan Wawrinka, Andy Murray ou comprando camisetas da Zara para ajudar a Sharapova a ganhar dinheiro.

8. Leander Paes ainda é uma pedra no sapato.

Aos 93 anos de idade (42), o indiano eliminou Bruno Soares das duas chaves e foi campeão nas mistas com Martina Hingis. Pior: USANDO LEGGING.

10 lições que aprendemos em Roland Garros 2016

9. Não corte uma transmissão antes do discurso do campeão.

Este foi um grande deslize do Bandsports no domingo. Por mais que Djokovic já tivesse falado na entrevista pós-jogo, foi uma enorme falta de respeito encerrar a transmissão logo antes de o sérvio pegar o microfone com o troféu em mãos, livre para agradecer quem quisesse. Provavelmente foi por pressão da Band aberta, mas não custava continuar passando no Bandsports. Eles recuperaram o discurso assim que voltaram do comercial, mas não pediram desculpas pelo erro.

10. Tenistas precisam treinar mais curtinhas.

As quadras muito pesadas de Roland Garros neste ano inspiraram os jogadores a encurtarem os pontos com o drop shot. O problema é que até os tenistas top erraram grande parte das tentativas. A grama está aí para eles treinarem mais um pouco.

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