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38% dos brasileiros são sádicos: querem que mulher tenha filho de seu estuprador

Sheila Vieira
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Sheila Vieira

Uma maneira mais ~fofinha~ de falar isso seria “38% dos brasileiros são contra o aborto em casos de estupro”. Porém, para mim, o significado é o mesmo.

38% dos brasileiros são sádicos: querem que mulher tenha filho de seu estuprador

A nova pesquisa foi feita pela consultoria Hello Research e foi publicada em primeira mão pela Exame (que colocou na manchete que 51% dos brasileiros são a favor do aborto, caso a gravidez seja resultado de uma violação).

O olhar otimista do veículo da Abril até tem um motivo: o apoio ao aborto em caso de estupro, que é garantido por lei, como sabemos, era MENOR no passado. Em 2014, 44% acreditavam que uma mulher que engravidou por agressão sexual não poderia ter o direito de interromper a gravidez.

Mesmo levando em conta o quanto a religião influencia a opinião da população, é chocante que uma parcela tão grande das pessoas ainda não consiga entender o tamanho da crueldade que é obrigar uma mulher a gerar um filho de um estuprador. Como sabemos, várias vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes. Que estariam expostas a este horrível destino.

O argumento, como sempre, é ser a favor da vida. De uma vida não desejada, que trouxe um trauma insuperável para a mãe e que provavelmente obrigaria a mulher a ter contato direito com o pai (forçado), se ele quisesse torturá-la mentalmente mais um pouco. Caso o estuprador não reapareça, a mulher que tome conta sozinha, afinal, o papel da criação é só nosso mesmo, não?

Mesmo sendo legal no Brasil, o aborto em casos de estupro não é um procedimento “fácil”. Muitos médicos se recusam a fazê-lo (e não são punidos por negarem um direito garantido por lei a uma paciente) e há relatos de que as vítimas precisam recontar seu trauma de forma ~convincente~ nos hospitais, quando não apresentar um boletim de ocorrência ou algum tipo de registro oficial do ocorrido.

Muita gente quer remover este direito das vítimas, como a nova gestora da Secretaria de Políticas para Mulheres, Fátima Pelaes. Apesar de ter voltado atrás quando criticada, é extremamente improvável que ela simplesmente tenha mudado de opinião em um dia. E que não vá estabelecer políticas condizentes com a sua visão.

O Brasil já deveria estar discutindo a legalização do aborto em qualquer circunstância, mas ainda está preso em um debate que já deveria ter sido superado há muito tempo. Se a sua religião é contra o procedimento e você realmente acredita que deveria dar à luz o filho de quem te estuprou e que tudo tem um motivo, você tem este direito. Não tente tirar o de quem pensa diferente.

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