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África humilha o resto do mundo em representatividade feminina no Congresso

Sheila Vieira
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Sheila Vieira
África humilha o resto do mundo em representatividade feminina no Congresso

Deputadas tomando posse em Ruanda.

A presença feminina no poder será um tema quente nas próximas semanas, especialmente se for confirmada a informação de que Michel Temer dará posse a um grupo de ministros sem mulheres. A discussão também é forte nos EUA, com a candidata à presidência Hillary Clinton prometendo formar um governo diversificado caso seja eleita.

Quais países você citaria se te pedissem para chutar os países com maior porcentagem de mulheres no parlamento? Imagino que você diria Canadá, nações nórdicas e da Europa Ocidental, certo? Mas a verdade é que países do mundo em desenvolvimento, especialmente africanos, são os líderes de fato desta tendência.

Segundo a União Interparlamentar, em 1 de abril de 2016, o país com a maior porcentagem de mulheres nas ‘Casas Menores’ (as Câmaras de Deputados) é Ruanda. Sim, aquele país que você provavelmente só se lembra por causa do filme “Hotel Ruanda”.

Das 80 cadeiras da Câmera ruandesa, 51 são ocupadas por mulheres, 63,8%. Outros seis países africanos aparecem no top 20: Seychelles em quarto (43,8%), Senegal em sexto (42,7%), África do Sul em oitavo (42,1%), Namíbia em 11º (41,3%, empatado com Islândia e Nicarágua), Moçambique em 15º (39,6%, empatado com Noruega) e Etiópa em 19º (38,8%).

A América Latina também tem uma presença digna no top 20, com a Bolívia em segundo lugar (53,1%), Cuba em terceiro (48,9%), México em sétimo (42,4%), Equador em nono (41,6%) e Nicarágua em 11º (41,3%, empatado com Namíbia e Islândia). O Brasil passa absoluta vergonha em relação a estes ‘colegas’, com 9,9% de mulheres na Câmara, ocupando a 155ª posição.

África humilha o resto do mundo em representatividade feminina no Congresso

Obviamente, os países nórdicos também dão exemplo. A Suécia é a quinta colocada, a Finlândia a décima, a Islândia a 11ª, a Noruega a 15ª e a Dinamarca a 21ª. Os EUA claramente precisam melhorar, já que têm apenas 19,4% de deputadas e estão quase fora do top 100.

No Senado, um país europeu ocupa a primeira colocação: a Bélgica, com a exata metade de mulheres. A Bolívia continua firme também na ‘Casa Maior’, com 17 mulheres entre 36 senadores (47,2%). Dos 81 senadores brasileiros, 84% são homens.

Claro que nem sempre os Congressos mais ocupados por mulheres são de países com leis progressistas em relação a gênero, até porque há diversas deputadas e senadoras conservadoras. Mas a tendência é que parlamentos dominados por homens só discutam legalização do aborto, por exemplo, se for para aumentar as restrições.

África humilha o resto do mundo em representatividade feminina no Congresso

Em Ruanda, por exemplo, a lei que permitia o aborto somente quando dois médicos constatavam que ele era necessário para preservar a saúde e vida da mulher foi reformada em 2012. As mulheres ruandesas agora podem abortar em caso de estupro, incesto, casamento forçado ou comprometimento do feto.

Pense nisso na próxima vez que você estiver confuso ao decidir seu voto para vereador, deputado ou senador. Que tal escolher, entre as pessoas com posição política parecida com a sua, uma vereadora, deputada ou senadora?

Veja a lista completa da União Interparlamentar: 

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