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Entenda como funcionam as categorias da natação e do atletismo nas Paralimpíadas

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Entenda como funcionam as categorias da natação e do atletismo nas Paralimpíadas

O assunto do momento agora é a contagem regressiva para os Jogos Paralímpicos do Rio, entre 7 e 18 de setembro. Como sabemos, o Brasil é uma potência no esporte paralímpico, mas nunca é fácil para o público geral entender como funciona a divisão dos atletas em categorias, especialmente na natação e no atletismo, os esportes mais “inclusivos” dos Jogos.

Vamos tentar entender, então? Comecemos pela natação:

O esporte da piscina divide os nadadores em 14 categorias. As de 1 a 10 são para atletas que têm limitações estritamente físicas (sem envolver visão ou deficiência intelectual). Quanto mais impactante for a limitação do nadador, menor é o número de sua categoria (esta é a informação principal deste texto inteiro).

A S1 reúne atletas que geralmente são tetraplégicos, usam cadeira de rodas e têm extrema dificuldade para comandar braços, pernas e o tronco. Por isso, precisam ser segurados na hora da largada. Mesmo assim, eles conseguem nadar. Veja a prova dos 50m costas de Londres:

Um resumo das outras:

S2: os nadadores geralmente só contam com os braços para nadar.

S3: atletas com amputações nos braços e pernas, que tenham movimento de braço razoável, mas não usam pernas e tronco, e nadadores com graves problemas de coordenação nos quatro membros.

S4: conseguem usar braços, mas não tronco e pernas e nadadores com amputações em três membros.

S5: a classe do Daniel Dias! Nadadores com baixa estatura e uma limitação adicional, com perda de controle de um lado do corpo ou com paraplegia completa. No caso do Daniel, ele teve má formação congênita dos dois braços e da perna direita. Veja um dos SETE ouros dele em Londres:

S6: nadadores com baixa estatura ou amputações nos dois braços, ou problemas de coordenação moderados em um lado do corpo.

S7: nadadores que tenham amputação de uma perna e um braço em lados opostos, ou paralisia de um braço e de uma perna do mesmo lado. Atletas com controle completo de braços e tronco, além de algum movimento de perna podem competir nesta classe.

S8: nadadores que têm amputação em um braço, além de atletas com limitações significativas nos quadris, no joelho e nas juntas do tornozelo.

S9: nadadores com limitações nas juntas de uma perna ou com dupla amputação de perna abaixo dos joelhos.

S10: a classe do André Brasil. Estes nadadores têm limitações “mínimas”, como perda de uma mão ou restrição em um quadril. O brasileiro, quatro vezes campeão paralímpico e duas vezes recordista mundial, teve paralisia infantil (que ele pegou por reação à vacina) e por isso têm a perna esquerda extremamente fina e o pé menor, com restrição de movimento. Veja Brasil batendo o recorde mundial dos 50m livre em Londres:

As categorias de S11 a S13 são para deficientes visuais e seguem o padrão “quanto menor o número, maior a limitação”. Ou seja, os atletas da S11 são quase ou totalmente cegos.

Já a categoria S14 é para nadadores com deficiências intelectuais. Geralmente têm problemas de memória e para reconhecer padrões e sequências, além de poderem ter um tempo de reação mais lento. Seus índices de QI são costumeiramente iguais ou menores do que 75 (a média mundial é 100) e eles encontram dificuldades para lidar com áreas como cuidados pessoais, comunicação e aprendizado.

Mas, calma, ainda não acabamos com a natação! A classificação de um mesmo atleta para nado livre, costas e borboleta (S) pode ser diferente da categoria dele no nado peito (SB), porque este nado especificamente exige muito das mãos e do quadril. Para o medley (SM), uma fórmula é usada para determinar a categoria: 3xS + SB/4, exceto os nadadores das S1 a S4, cujo medley é formado por três nados. Para estes, a fórmula é 2S + SB/3.

Compreendido? Acho que agora vai ser mais fácil entender o esquema do atletismo:

Todos os atletas são divididos em T (track = provas de pista) e F (field = provas de campo). Quem possui deficiência visual, assim como na natação, fica entre as categorias 11 e 13.

A Terezinha Guilhermina, dona de três ouros paralímpicos, é da categoria T11:

Já os atletas com deficiências intelectuais são T20/F20. Eles disputam salto em distância, arremesso de peso, 400m e 1500m.

Atletas das classes F31 e T32/F32 a T38/F38 têm dificuldade para controlar movimentos, geralmente por conta de paralisia infantil ou lesão cerebral séria. Novamente, quanto menor o número da categoria, maior a limitação. Os atletas de 31 a 34 competem sentados em uma cadeira de rodas, enquanto os de 35 a 38 competem em pé.

As categorias T/F 40 e 41 são de atletas com baixa estatura. Além da altura em si, é levada em conta a proporcionalidade dos membros superiores.

Entre 42 e 47 estão os atletas com amputações ou membros com má formação. Os atletas com pernas afetadas estão entre 42 e 44 e os com braços afetados ficam entre 45 e 47, dependendo se a amputação é abaixo do cotovelo ou não. Todos entre 42 e 47 competem em pé, usando prótese quando necessário. Foi na categoria T44 que Alan Fonteles tombou o favorito (e agora assassino) Oscar Pistorius em Londres:

Os atletas das categorias 51 a 57 (nas provas de pista, temos somente categorias 51 a 54) competem sentados, por falta de potência muscular, restrição de movimentos, deficiência de membros ou diferença de tamanho de pernas. Nas classes T51 e T52, os atletas não controlam o tronco e têm limitações nos braços. Já os da T53 têm mais controle sobre os membros superiores. Os da T54 têm movimentos parciais ou totais nos braços e podem ter algum movimento nas pernas.

Para os eventos de campo, as classes F51 a F53 têm atletas geralmente tetraplégicos, com funções limitadas nos ombros, braços e mãos e geralmente nenhum movimento no tronco ou nas pernas. Os da F54 costumam controlar os membros superiores. Quanto maior o movimento de tronco, pernas e quadril, maior a categoria do atleta. Alguns da F57 conseguem ficar em pé e andar, com ou sem ajuda de aparelhos, mas com limitações.

As outras modalidades também têm suas classificações, mas costumam ter uma variedade menor de limitações. O tênis é disputado só por cadeirantes e o judô só por deficientes visuais, por exemplo. Ainda faltam duas semanas para você estar por dentro da Paralimpíada!

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