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Juca Kfouri revela voto 'sem entusiasmo' e duvida de renascimento do PT

Sheila Vieira
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Sheila Vieira
Juca Kfouri revela voto 'sem entusiasmo' e duvida de renascimento do PT

Quem não o conhece pode achar que Juca Kfouri tem gabarito para falar somente sobre futebol. Mas este experiente jornalista tem décadas de participação na política brasileira. Ele foi membro da Aliança Libertadora Nacional (ALN) durante a ditadura militar, participou do Partido Comunista antes da redemocratização, e já entrevistou praticamente todos os presidentes da Nova República.

Ao Storia, Kfouri revela em quem pretende votar "sem entusiasmo" nas eleições para a presidência em 2018, além de fazer prognósticos sobre a esquerda, a direita, e sobre o PT, de homens que lutaram junto a Kfouri pela democracia e acabaram repetindo os mesmos escândalos de corrupção dos rivais. Confira:

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Quer mais? Aqui vão mais algumas partes que não entraram no vídeo:

"Aos 67 anos, eu sei que, se houver um golpe militar no Brasil, não será com armas que a gente vai ganhar. Vai ser de novo pela política. Mas convenço meu filho de 26? Não sei. Só me falta essa. Ter que patrulhar o meu Felipe, como meu pai tentava fazer comigo, para não cometer o mesmo equívoco."

"Eu diria que hoje é muito mais tarefa da nossa esquerda lutar tendo como paradigma os países da Escandinávia, e mostrar que é possível ter um capitalismo menos selvagem. Que a injustiça é uma questão que afeta a elite, porque a elite hoje vive enclausurada em condomínios fechados, com portas blindadas e automóveis blindados."

"Quando eu comento com meus colegas estrangeiros, como comentei na Copa de 94, que eu tinha um carro blindado, eles não acreditavam. Que meu filho me obrigou a comprar um carro blindado porque eu ando com as filhas dele, com as minhas netas. Eles falam "Mas você não mora na Faixa de Gaza, nem no Afeganistão". Vou morrer com esse carro."

"O que de pior que pode acontecer (ao Brasil) é haver um retrocesso tal que um milico qualquer ache que pode dar um golpe no Brasil e estabelecer uma outra ditadura."

"A minha utopia é a Dinamarca, e eu estou vendo que vou perder minhas netas. Porque elas estudam em uma escola alemã e minha nora fala que elas podem fazer faculdade na Alemanha. A mais velha está com 12 anos, a menorzinha com nove. Quer dizer, mais seis anos a Lulu está se mandando para a Alemanha. Eu vou estar com 73, se estiver. E a possibilidade de essas pequenas, saindo do Brasil nessa fase, não voltarem é enorme. Claro que hoje é mais fácil visitar, mas isso não vale para mim. Eu as tenho diariamente. E quero mantê-las diariamente, como fiz com meus filhos."

"Tive três chances: ser chefe do escritório da Abril em Nova York, ser correspondente em Paris e em Londres. Não fui porque tinha me separado, dois filhos, que estavam com a mãe, e eu não queria me separar deles. Então fiquei. E também fiquei porque achava que não podia ir embora do Brasil naquela situação, que tinha que brigar aqui. Mas é muito desalentador a gente olhar para o nosso lugar e ver que figuras queridas possam estar melhor em outro local. Mas tem que ser realista. É melhor estar em Copenhague do que no Rio ou em São Paulo atualmente."

Não perca, nesta quinta-feira (11), a segunda parte da entrevista, com opiniões sobre Neymar, Chapecoense, Corinthians, Neto e todas as polêmicas do futebol.

Entrevista e produção: Sheila Vieira

Filmagem: matheus_bosco e Julia May

Edição: Clara Campoli