Moda, comportamento e tendências
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O que é cool hunting?

Entender as mudanças antes que elas aconteçam é o que todo profissional de moda, comunicação e marketing sonha. Prever essas tendências envolve um conjunto de práticas e conhecimentos que vão muito além do “eu acho” ou “eu penso que”… Os profissionais que se dedicam a essa atividade através da multidisciplinaridade projetam cenários futuros para que possam a partir do presente entender e nos preparar para tudo isso.

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O que é cool hunting?

Esse é o papel do cool hunter ou trendhunter, cada vez mais presente esse profissional trabalha em rede ou em agências de pesquisa e ajuda a criar reports e análises sobre o nosso presente, para que possamos desdobrar possíveis cenários futuros. Para isso é importante compreender o que são tendências e como elas surgem. A respeito disso Monçores diz que o estudo de tendências é um conjunto de técnicas de pesquisa a fim de mapear um determinado grupo, sociedade ou ação específica e, a partir dos dados levantados, gerar análises que permitam, por fim, prospectar futuros possíveis.

O mercado passou a chamar esses profissionais de coolhunters, o termo começou a ser usado no final da década de 1990 e se massificou nos EUA em 1997 com o trabalho do jornalista Malcolm Gladwell para a revista New Yorker, em uma matéria na qual convidou a jovem Deedee Gordon para descrever sua profissão. Na época Deedee era uma pioneira nesta tarefa e chegou a fundar sua própria ‘agência’ de tendências, chamada Look-Look C.

O que é cool hunting?

Segundo Vejlgaard, o coolhunter observa o que acontece nas localidades propensas aos novos modismos de uma grande cidade, na tentativa de responder a questões que seriam difíceis de serem respondidas por dados quantitativos. Os coolhunters não observam objetos ‘cool’, mas sim pessoas ‘cool’ pois os bens adquirem diferentes significados de acordo com o contexto no qual estão inseridos, e pessoas com forte expressão de identidade em seu comportamento e vestuário são mais propensas a projetarem uma visão do novo, particular e único.

Nesse sentido o objetivo de identificar tendências de comportamento é transformar essas informações e insights em informações mercadológicas que sirvam para a inovação social, novos bens e serviços e ajudem a melhorar o bem estar da sociedade como um todo. É possível então transformar cultura em mercado.

UM COOLHUNTER ‘LÊ’ OS 4 Ps:

PEOPLE (PESSOAS: FOTOS TIRADAS NAS RUAS),

PLACES (LUGARES: POR EXEMPLO, NOVAS LOJAS E BARES)

PLANS (PLANOS: NOVOS GOSTOS CULTURAIS, FILMES OU

REVISTAS DE SUCESSO, EVENTOS)

PROJECTS (PROJETOS: AS ATIVIDADES DAS UNIVERSIDADES E INSTITUIÇÕES).

Além disso é importante que o profissional desenvolva uma intuição aguçada e que não trabalhe com julgamentos de valor ou culturais no momento da coleta de dados. Olhar e entender os comportamentos em contextos culturais e sociais é essencial para esse processo.

O que é cool hunting?

“A INTUIÇÃO É BASICAMENTE UM TALENTO COM O QUAL NASCI. NA REALIDADE, TODA A GENTE TEM INTUIÇÃO. NASCEMOS COM ELA, SÓ QUE SIMPLESMENTE NÃO É DESENVOLVIDA”.

                                                                                                                                      LI EDELKOORT

Li Edelkoort é um dos principais nomes no mundo quando o assunto é pesquisa de tendências. Considerada pela revista Time uma das 25 pessoas mais influentes do mundo da moda e uma das mais relevantes no setor do design pela I-D, a holandesa Li Edelkoort, é fundadora do bureau de estilo Trend Union, baseado em Paris e com clientes que vão de Coca Cola e Nissan a Zara e Chanel, a trend forecaster também é criadora da revista Bloom, um misto de horticultura, arte, design e moda, com primeira edição brasileira lançada há três anos.

O trend forecast é outro campo de atuação que tangencia o trend hunting ou o cool hunting, o termo pode ser traduzido para o português como o ato de prever, predizer, prognosticar, projetar, ou seja, criar uma visão de futuro sobre algo. A atividade de forecasting é baseada na busca em compreender e identificar a longevidade das tendências. Portanto, forecasting é um processo analítico e criativo, pois envolve não só a observação de mudanças na moda, mas também a análise e a síntese de todas as informações obtidas junto a diferentes fontes, dentro e fora do campo da moda, incluindo dados quantitativos, como vendas, estoque etc. ( KIM et al. 2011).

Muitas áreas de atuação permitem o trabalho de quem quer entender as tendências de comportamento. Esse campo de atuação precisa de pesquisas que trabalhem além da identificação de comportamentos mas que pesquisem e entendam o porque desses padrões e das mudanças. A busca é pela compreensão sobre como a sociedade se movimenta e como serviços e produtos podem surgir a partir disso em prol de um mundo mais sustentável, ético e humano.

Interessado? O Manual de Coolhunting Métodos e Práticas é um livro dedicado ao tema:

O que é cool hunting?

Foram citados:

VEJLGAARD

Monçores

Morace

KIM et al. 2011 

Confira o artigo abaixo: 

Quando a música encontra a moda

Considerado uma orgia virtual psicodélica, o clipe da música Loner do rapper queer Mykki Blanco, presente em Mykki, seu primeiro álbum de estúdio, é uma união selvagem entre música, arte e moda.

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Quando a música encontra a moda

Produzido em colaboração com o site pornô Pornhub e o designer cult Nicola Formichetti, o vídeo foi dirigido por Anthony&Alex e teve animação de Sam Rolfes. O lançamento aconteceu no final de novembro de 2016.

Em Loner, que conta com a participação de Jean Deux, Blanco faz uma crítica à sociedade atual, a qual ele diz bombardeada pela tecnologia e redes sociais. Além disso, ele aborda a sensação universal que as pessoas têm ao não se sentirem boas e suficientemente dignas para determinadas coisas.

Cores, formas, texturas... em aproximadamente 4’40’’, o público é entretido por essa vibe artsy do clipe, que encontra no figurino uma maneira inusitada de estilizar o amor, a sexualidade e o isolamento digital na contemporaneidade.

As roupas vestidas pelo rapper e pelos figurantes são da coleção de Inverno 2016 da Nicopanda, grife de Formichetti (também diretor de criação da Diesel). O estilista surgiu na indústria fashion em 2011, como stylist da cantora americana Lady Gaga, com quem fez parcerias em Bad Romance e Telephone.

Quando a música encontra a moda

Mas o trabalho de Blanco, que busca se auto afirmar cada vez mais ao mostrar sua subjetividade nas canções do novo disco, vai além. Ele é ainda escritor e ativista, e sua voz acaba inspirando Formichetti, que afirma ser fã do trabalho do artista há um tempo.

Para o designer, o rapper traz reflexões extremamente necessárias à nossa sociedade, principalmente, no que se refere ao encontro da moda e da música mainstream. O clipe ultrapassa barreiras ao questionar as fronteiras impostas por ideologias políticas e sociais.

A influência estruturalista dos anos 20 está presente em Loner, tanto na edição das imagens quanto no figurino, pois provoca uma sensação de estranhamento no público. O futurismo também encontra espaço, já que se rejeita o moralismo e condena a censura sexual da comunidade gay.

O visual cinemático tem cenas envolvendo pessoas usando óculos de realidade virtual que as deixam experimentar o êxtase sexual. Mykki navega por uma variedade de looks, incluindo uma produção que parece feita de espelhos. Enquanto isso, Jean Deaux também arrasa no figurino ao aparecer futuristicamente chic. Segundo Formichetti, a criatividade e o propósito artístico de Blanco estão alinhados às diretrizes da Nicopanda, o que tornou essa colaboração um verdadeiro sucesso para ambos os lados.

Quando a música encontra a moda

UM ENCONTRO CERTEIRO

A música pode ser considerada a voz do tempo, de uma época ou de uma geração. A moda, obviamente, estabelece uma ligação com o momento em que é pensada e feita. Portanto, a música seria a voz de nossa indumentária.

E a relação entre moda e música não é de hoje. Outros artistas, como Elvis Presley, Madonna e David Bowie sempre foram conectados com a indústria fashion. O rei do rock causou frisson ao disseminar o estilo rockabilly, com peças extravagantes, cheias de brilho e sapatos bicolores. Entretanto, foi a rainha do pop que aprofundou esse vínculo. Considerada uma verdadeira camaleoa, ela usava suas roupas para fazer um statement à sociedade. A cantora aparecia no palco vestida de noiva com seu icônico cinto “Boy Toy” e uma maquiagem bem natural, o que declarava sua posição de libertação dos padrões vigentes na época. Durante a The Blonde Ambition Tour, o bustiê desenhado por Jean Paul Gaultier foi um símbolo da luta feminista pelo puritanismo envolvendo o corpo da mulher.

Bowie, contudo, é quem quebrou paradigmas com seu estilo, influenciando a moda com looks questionadores e que ultrapassaram as barreiras do gênero. O cantor britânico era especialista em desconstruir estereótipos e se reinventar, desprendendo-se de padrões. Quem não se lembra do tempo de Aladdín Sane e a famosa maquiagem vermelha com um raio no meio do rosto?

Assim como essas lendas da música, Mykki soube incorporar a moda em seu videoclipe de uma maneira transgressora, que não é inovadora per se, mas que permite às duas indústrias utilizarem seu alcance para disseminar uma importante mensagem: tornar o homem mais humano e livre de preconceitos.

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StreetStylePOA
Moda, comportamento, fotografia e comunicação.