Moda, comportamento e tendências
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Somos os responsáveis pela nossa sociedade individualista

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Eu preciso, eu mereço, eu quero: o indivíduo é soberano na sociedade contemporânea. A individualidade está intimamente ligada à liberdade, entre elas as liberdades de escolha, a busca pelo prazer, o culto ao corpo e a beleza, tudo isso inerente aos temas como o hedonismo e ao narcisismo.

Existem dois tipos de sociedade: holistas e individualistas. A diferença está na totalidade do corpo social, presente na sociedade holista e na valorização do indivíduo só na sociedade individualista. Nesse sentido o indivíduo é o controle e o foco do universo social. Isso aconteceu depois das transformações associadas à Modernidade. Nesse momento da história o indivíduo foi libertado das tradições e estruturas sociais. Fizeram parte desse cenário as mudanças sociais, políticas e econômicas resultantes da Reforma Protestante e do Renascimento.

A origem desse individualismo está associada ao momento cultural do renascimento italiano, momento em que as vontades de “poder, fama, prestígio e distinção” foram disseminadas. A cultura renascentista exercia pressão para que o ser-humano daquela época sentisse o desejo de impor sua própria singularidade, de criar seu próprio estilo. O individualismo é a marca principal da Modernidade e é o principal valor cultural da sociedade ocidental.

Somos os responsáveis pela nossa sociedade individualista

Este argumento demonstra que a ideia de indivíduo pode ser desnaturalizada, ou seja, a percepção de si como indivíduo não é inata, mas construída socialmente. Pode-se dizer até que é fundada na sociedade moderna. Nas sociedades individualistas, perpassa a noção de que a sociedade deve estar a serviço do indivíduo, sendo o contrário entendido como injustiça ou opressão. Se tomarmos a publicidade e a moda nas últimas décadas como exemplo, poderemos observar sempre o discurso que supervaloriza o indivíduo, que coloca ele sempre à frente e sempre no centro da sociedade. “Você merece”, “você pode”, “você é o melhor” é algo que a mídia, através da publicidade e propaganda, reforça no âmbito social.

A noção de individualismo nasce junto com a noção de liberdade, nesse momento diversos pensadores, como Rousseau, colocaram o individualismo em um patamar supremo. Para que fosse possível alcançar essa liberdade era preciso se desfazer das instituições sociais como a Igreja, por exemplo, pois elas impediam a realização desse indivíduo plenamente. Essa fase constitui a primeira fase do individualismo. A segunda revolução individualista iniciou-se a partir do século XIX, por influência do Romantismo, trazendo a ideia de que os homens, agora libertos dos laços tradicionais, poderiam ser distinguidos uns dos outros. Os indivíduos buscavam, então, ser valorizados na sua singularidade, queriam ser únicos e incomparáveis e, nesse mesmo momento, a moda surge como propulsora deste desejo.

O individualismo continua presente nas sociedades pós modernas. O indivíduo, em busca de sua liberdade, segue no centro cultural e social. Para Lipovetsky, o indivíduo vive de forma narcisa, não apenas no sentido apenas de culto ao corpo, à beleza padronizada, ao não envelhecimento, ao consumo, mas a um outro estilo de vida que ele denomina homo psychologicus: o indivíduo que se preocupa com seu bem-estar. E nesta busca pelo bem-estar, ele inclui tudo: yoga, acupuntura, medicinas alternativas (holísticas), oriundas da cultura oriental e trazidas para o ocidente. O narciso contemporâneo para o autor não tem uma motivação central. Sem nenhum tipo de motivação essencial, ele busca sobreviver à sua própria apatia (em grego: ausência de paixões), tentando realizar-se apenas no seu próprio poder de consumo e na estabilidade de sua saúde. Esse individualismo contemporâneo abre novos paradigmas sociais.

A moda nesse contexto pós-moderno está relacionada intimamente ao consumo, ao capitalismo. Segundo Svendsen, no princípio da era moderna, vivíamos numa “sociedade de produção” em que os cidadãos eram moldados sobretudo a serem produtores. Seu papel básico era produzir. Na sociedade pós-moderna, esse papel mudou e é como consumidores que seus membros são vistos.

Esse consumo liberta o indivíduo, a partir da moda ele é livre para construir sua identidade. Parece simples pensar assim, mas as questões que emergem acerca da individualidade, a partir da moda, são de ordem muito mais complexa. Não consumimos apenas para suprir necessidades já existentes: nós fazemos provavelmente para criar uma identidade. O consumo, segundo Bauman, também serve como uma forma de entretenimento, ele combate o tédio.

Somos os responsáveis pela nossa sociedade individualista

Sem dúvida, a moda - ou melhor ainda o sistema da moda - como conhecemos na atualidade tem o indivíduo como objeto central e o argumento da identidade como lógica de funcionamento. Surge aí um paradoxo: como sobreviver aos desafios da atualidade olhando para si e pensando de forma individualista, o coletivo a colaboração e a sociedade em rede são respostas a essa sociedade individualista. Quem sabe precisamos construir uma sociedade mais hedonista?

O futuro da moda e os wearables

Você já deve ter ouvido falar em wearables, eles ficaram famosos desde 2012, principalmente, depois de dispositivos como o Google Glass. Essas tecnologias conhecidas como “vestíveis” impactaram o mundo da moda em sua essência. O que caracteriza um wearable é o uso sem necessidade de manuseio, eles estão sempre disponíveis (conectados), têm capacidade de processamento, de "vestir" (estar com o usuário o tempo todo) e de interação com o ambiente e com outros gadgets. Por isso o seu celular não pode ser considerado um wearable, por exemplo.

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O futuro da moda e os wearables

Pensar no tema moda e futuro sempre nos remete às roupas espaciais e cenários brancos, minimalistas e cheio de telas. Nosso futuro já está aí, e não é nem parecido com o que eram os Jetsons, nem esse minimalismo todo. Essa tecnologia muda todo o sistema da moda, desde sua concepção, produção e sentido é muito mais do que uma mudança de estética ou funcionalidade apenas.

Segundo o site Moda e Tecnologia: a “máquina” não é mais a nossa inimiga e agora anda de mãos dadas com os artesãos dos finos ateliês parisienses de alta-costura. O tema da atual mostra do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art de Nova York (MET) – considerada uma das mais importantes para a moda – celebra o trabalho mútuo exercido pelas mãos dos homens e pelas tecnologias aplicadas à moda, desde a invenção da máquina de costura.

Essas tecnologias, além de modificarem nosso cotidiano com facilidades que vão do entretenimento à saúde, aprendem com nossos hábitos aquilo que mais gostamos e aprendem sobre as nossas necessidades. Isso por um lado pode ser assustador, afinal, além de sermos vigiados o tempo todo, agora estamos conectados o tempo todo.

O projeto Jacquard, lançado pelo Google em parceria com a Levi's, nos faz entender melhor o que já deixou de ser futuro e começa a ser realidade. O wearable tech jeans trata-se de uma tecnologia que possibilita a integração de sistemas interativos de gestos e toques em qualquer tipo de tecido, usando teares industriais.

O futuro da moda e os wearables

Objetos, roupas, móveis, enfim, qualquer tipo de superfície que tenha tecido pode agora ser transformada num dispositivo interativo. Nesse caso os fios do jeans são condutivos e assim permitem que uma jaqueta realize sinapses eletrônicas inteligentes. A estrutura do fio do Jacquard possui uma combinação de estruturas metálicas finíssimas com fibras naturais ou sintéticas, como algodão, poliéster ou seda, proporcionando tenacidade suficiente para que o fio possa ser tecido em qualquer tipo de tear industrial.

O resultado é um tecido esteticamente idêntico aos encontrados no mercado, with lasers, porém a estrutura do Jacquard é o que faz com que uma peça comum torne-se uma wearable, nesse caso com tecnologia sensível a movimentos e toques. Com a parceria firmada com a Levi’s e o Google o resultado é esse:

Além da conectividade e a inteligência dessas roupas, que passam a ser dispositivos móveis, a moda ganha novos horizonte com impressões 3D, tecidos com poder de autocura (que ajudam no tratamento da dor, por exemplo), impressões digitais de estampas e texturas, tecidos impermeáveis e ainda roupas que medem a temperatura do corpo ou indicam a incidência de raios solares na pele. Enfim, ainda vem muita coisa por aí, que de minimalista e futurista não tem nada.

Fonte: https://modaetecnologia.com.br

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StreetStylePOA
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