Moda, comportamento e tendências
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Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

O Ecoera é um movimento criado, em 2008, por Chiara Gadaleta, consultora de moda e especialista em sustentabilidade. O seu esforço de unir moda, beleza e design às questões sociais e ambientais ajudou esses mercados a quebrar padrões nos processos de produção. Além disso, é uma plataforma que dissemina práticas sustentáveis para criar uma indústria consciente, em que ética e estética estejam em equilíbrio.

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Com apoio da Vogue Brasil - um dos segmentos no qual atua é o Prêmio ECOERA, que tem como missão promover empresas conscientes e aumentar essas ações por todo o mercado - a seleção dos candidatos é feita a partir da metodologia do sistema B, movimento que está presente em 50 países e reconheceu mais de 1800 marcas até hoje.

Saiba mais sobre cinco empresas que fizeram bonito na premiação em 2016:

Aurora Moda Gentil

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

Sustentabilidade, responsabilidade social e produção artesanal são as diretrizes que constituem a marca, que tem como foco peças exclusivas e atemporais, feitas de lã pura e materiais sustentáveis. A Aurora acredita e defende o consumo consciente, com maior qualidade e respeito pela natureza.

O envolvimento da marca com o meio ambiente começa na escolha da matéria-prima. São utilizados, para a confecção das roupas, restos não aproveitados da lã de ovelha e outros materiais, como o jeans com fio de garrafa pet. A produção é 100% artesanal e não passa por nenhum processo de industrialização. O tom natural da lã, como o branco, o marrom ou o cinza, é mantido, mas fazem uso do tingimento com pigmentos naturais como, por exemplo, o verde carqueja ou o amarelo macela.

Após a escolha do fio, a estilista Érica Arrué acompanha todo o processo de produção, que é realizado por tricoteiras da cidade de Dom Pedrito, no interior do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Elas fornecem mão de obra para o tricô e recebem todo o apoio e assistência social com uma remuneração justa. As tags costuradas às peças levam o nome da tricoteira que o produziu, o tipo de lã e a cor.

Damyller

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

Uma marca que tem o jeans no seu DNA, há seis anos utiliza no processo produtivo um equipamento que retira e substitui o uso de água na fabricação dos produtos. A tecnologia é chamada de Máquina de Ozônio, usada para o beneficiamento do jeans. A origem é espanhola e acentua a limpeza das peças, sem a necessidade de produtos químicos.

O processo, além de deixar o jeans com um aspecto vintage e super cool, economiza uma tonelada de produtos químicos por mês, antes utilizados para a lavagem do denim e também destinados ao tratamento dos efluentes. Outro benefício é que 3,3 milhões de litros de água (o equivalente a duas piscinas olímpicas cheias) não são mais desperdiçados.

Svetlana

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

Idealizada pela designer gráfica Mariana Iacia, a marca se define como vegan friendly, ética e contemporânea. Ela é carioca e trabalha com moda sustentável. A empresa surgiu a partir da paixão de Mariana pelos animais e dos álbuns de fotografia de uma mulher real, Svetlana Vladisavljevic, que a empresária adquiriu em um sebo na cidade de Nova York.

A ideia era ter um processo de produção sem nada de origem animal. E ela colocou o projeto em prática quando voltou para o Brasil, depois de estagiar com a estilista Stella McCartney, e decidiu unir o vegetarianismo e a moda.

Integrante do movimento slow fashion, cada peça da label é pensada de forma consciente, única e exclusivamente para o cliente, o que valoriza o conceito e evita o modismo. A marca apresenta estampas próprias, com uma forma moderna de se vestir. As coleções são inspiradas no cinema e na arte de rua, com formas simples e atemporais.

Vert Shoes

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

A marca tem sua fábrica localizada no Vale dos Sinos, no sul do Brasil, e defende a lógica da produção e consumo local, já que a legislação garante e fiscaliza os direitos dos trabalhadores. Além disso, a VERT acompanha diariamente o processo de fabricação e os ateliês com os quais trabalha.

A empresa faz uso do algodão orgânico, trabalhando com 700 famílias do nordeste brasileiro que vivem da agricultura natural. O material é comprado de acordo com os princípios do comércio justo. Após a transação, ele é desfiado para ser colocado em bobinas e transformado no tecido dos tênis e acessórios. A VERT valoriza a relação humana, acima de tudo, por isso reduz os intermediários para aumentar a remuneração dos produtores.

A borracha é nativa e adquirida diretamente de três associações de seringueiros na Amazônia, pagando um preço diferenciado pelo látex. Isso valoriza o trabalho e ajuda na luta contra o desmatamento. O objetivo da VERT é conhecer e ter controle de toda a cadeia de fornecedores de couro, desde a alimentação e condições de vida até o curtimento e seus efeitos no meio ambiente. Entretanto, a empresa escolhe produtores de gado que não estejam localizados na Amazônia, já que a área usada para esse cultivo acaba contribuindo para o desmatamento. Atualmente, ela acompanha e tem total controle do material a partir do momento em que chega ao curtume para o tratamento. Todas as peles utilizadas pela VERT são curtidas em processo low-chrome, o que diminui drasticamente a poluição nas águas residuais e seu efeito no meio ambiente.

Biosoftness

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

Renan Serrano é o estilista da marca Trendt e criador da tecnologia Biosoftness. Uma inovação biológica que elimina o odor do corpo quando as nanocápsulas do tecido entram em contato com o pH da pele. Isso aumenta a vida útil das roupas, porque faz com que sejam lavadas com menos frequência.

Essas cápsulas, além de serem biodegradáveis, impedem o crescimento de bactérias e fungos em qualquer tipo de tecido, o que preserva as roupas e contribui na redução do consumo de água. O projeto surgiu quando Renan cruzou dados da falta do líquido em diversos estados do Brasil e dos Estados Unidos. Quando o protótipo foi desenvolvido, fez um teste de sucesso na Trendt e, logo em seguida, assinou uma coleção com a Alcaçuz. Atualmente, a tecnologia é utilizada também pela marca Helen Rödel.

Para conhecer mais sobre o Eco Era acesse www.ecoera.com.br

Qual o propósito da moda?

Muito se fala sobre as mudanças no mercado da moda, sobre o propósito das marcas e sobre as causas que a moda propõe e se engaja. A frivolidade da moda, o excesso de consumo e o luxo exacerbado são causas que a moda abraçou, defendeu e disseminou, mas que agora começam a perder espaço. É evidente que o modelo de consumo que conhecemos há décadas está em declínio. Tudo isso pode ser explicado se pensarmos que, na atualidade, o verbo “ter” passa a ser substituído pelo “ser”, principalmente, em virtude das mudanças promovidas com a cultura digital - onde o que eu pareço ser nas redes sociais e como eu penso tem um valor social, é preciso ser cool, ser moderno, ser atual para conquistar popularidade, capital social e principalmente likes. Nesse contexto, possuir objetos e usar grifes já não é mais sinônimo de sucesso. Pensando nessas mudanças podemos nos questionar: afinal o que é a moda? Qual o seu papel na sociedade? Moda é o que vestimos apenas? 

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Qual o propósito da moda?

André Carvalhal, ex-gerente de marketing da Farm e atual empreendedor e criador da Malha, espaço colaborativo de moda no Rio, lançou o livro intitulado “A Moda com Propósito”, que discute como as marcas vão se adaptar às novas realidades.

A moda é com certeza muito mais do que um objeto material, muito mais do que o tecido ou a peça de roupa em si. A moda é comportamento, até aí nada novo. Para entender melhor podemos relembrar o que Simmel disse há décadas atrás sobre a relação da moda com a identidade, onde as roupas são uma parte vital na construção do indivíduo. A moda não diz respeito apenas a diferenciação de classes, está relacionada à expressão de nossa individualidade. Barthes explica que as roupas são a base material da moda, ao passo que ela própria é um sistema de significados culturais. Lipovetsky defende que a moda é uma forma específica de mudança social, independente de qualquer objeto particular; antes de tudo, é um mecanismo social caracterizado por um intervalo de tempo particularmente breve e por mudanças mais ou menos ditadas pelo capricho, que lhe permitem afetar esferas muito diversas da vida coletiva. Ele ainda explica que só podemos classificar como “moda” a partir do momento em que a efemeridade é constante, as fantasias e exuberâncias aparecem e a sociedade se adapta aos novos conceitos criados.

Qual o propósito da moda?

Se a moda faz parte então dessa construção social e coletiva da nossa maneira de ser e de viver, ela tem o poder de se engajar em causas, valores e criar propósitos, sejam eles quais forem, certo? Os movimentos sociais recentes que discutem temas como o slow fashion, a sustentabilidade, mão de obra social e as mudanças de gênero são propósitos que a moda faz parte, está criando, cultivando e disseminando e as marcas, no lugar de empresas e organizações, têm o poder de promover e levar adiante. Ou seja, o modus operandi mudou. Pensar em moda como consumo deu lugar ao pensar em moda como causa, como propósito. A moda já passou por isso com o feminismo, com o movimento punk e o movimento hippie, isso também não é novo. Ela é filha do capitalismo, da sociedade do consumo e do individualismo contemporâneo. E, se o momento atual é de mudanças profundas na economia, na política e na cultura, é certo que a moda também promova e faça parte dessas mudanças.

Qual o propósito da moda?

Essa mudança de mindset é crucial. Ser ao invés de ter representa um indivíduo consciente, conectado com a sua cultura e sociedade e engajado de forma coletiva, menos individualista e mais coerente com as mudanças da atualidade.

Grandes players do mercado da moda já começaram a virar a chave:

Marcas como a Osklen e Stella Mccartney mostram que a sustentabilidade passa a ser o novo luxo.

Qual o propósito da moda?

Além do que é produzido as causas aparecem no modelo de negócio das empresas e na cadeia produtiva, com menos exploração e mais humanização.

O aplicativo Moda Livre propõe um mapeamento de marcas que não têm em sua cadeia produtiva trabalho escravo, como a maioria do segmento fast fashion.

Qual o propósito da moda?

A imprensa e as instituições ligadas ao mundo da moda já entenderam esse novo mindset e também promovem esses propósitos.

Qual o propósito da moda?

O prêmio Eco Era da Vogue premia as empresas, marcas e iniciativas sustentáveis no Brasil.

Iniciativas independentes promovem as pequenas mudanças que ganham adeptos no mundo inteiro e têm na internet seu maior meio de disseminação, como é o caso do Fashion Revolution (link para o outro texto…)

A mudança já é realidade, basta saber como cada empresa, marca e organização vai entender o seu propósito nesse contexto. 

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StreetStylePOA
Moda, comportamento, fotografia e comunicação.