Moda, comportamento e tendências
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Uma moda sem rótulos

Plurissex, unissex, no gender, genderless (ou a denominação que você achar mais apropriada) refere-se a uma moda sem gênero, que serve tanto para a mulher quanto para o homem. A tendência é uma forma universal de se vestir, que desconstrói estereótipos e transcende a barreira que separa os departamentos feminino e masculino.

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Uma moda sem rótulos

O burburinho em torno dessa ideia já é histórico, desde os anos 20, quando Coco Chanel trouxe para o guarda-roupa das meninas a calça pantalona e as camisas. Yves Saint Laurent, em 1960, popularizou o terno entre o gênero feminino, o Le Smoking, que simbolizava a nova posição ocupada pelas mulheres na sociedade. Entretanto, o buzz que se pode acompanhar na internet aconteceu recentemente, em 2013, quando o estilista Jonathan Anderson colocou meninos na passarela usando vestidos, tops e shortinhos de lã com babados. A Semana de Moda de Londres foi à loucura e essa coleção do designer o levou aos assuntos mais comentados do mundo. Anderson incorporou o estilo ladylike à moda masculina, o que gerou uma ligação entre os pólos e fez com que o debate acerca dessa divisão incendiasse a indústria fashion.

Uma moda sem rótulos

Não demorou muito para que a visão de Anderson criasse um efeito dominó. Vários estilistas dedicados ao genderless ganharam destaque. A Hood by Air, com sua forte influência do street style, tem como objetivo chocar nos desfiles, com cachorros, muletas, armas de fogo e maxi chokers de acrílico. Eckhaus Latta, outro nome referência no unissex da New York Fashion Week, apresenta roupas desestruturadas, que se adaptam a qualquer tipo de corpo. Contudo, Vejas Kruszewski, indicado ao prêmio LVMH, é o queridinho do momento, com seus shapes arredondados e estilo college contemporâneo.

Uma moda sem rótulos

Até mesmo as grandes grifes de luxo entraram nessa. Etiquetas como Givenchy, Prada, Balenciaga e tantas outras criaram looks para ambos os gêneros em uma mesma coleção. 

Uma moda sem rótulos

Miuccia Prada declarou ao The New York Times que, cada vez mais, a moda caminha para o momento em que uma tendência serve para ambos os sexos.

Uma moda sem rótulos

As redes de fast fashion, como Zara e C&A, não ficaram paradas e produziram coleções genderless. A marca espanhola, entretanto, recebeu inúmeras críticas dos clientes, já que a linha sem gênero oferecia roupas como moletons, camisetas e calças jeans - peças utilizadas por homens e mulheres há muito tempo. Em relação à empresa brasileira, ela entrou no segmento acidentalmente. A campanha Tudo Lindo & Misturado mostra diferentes modelos com looks de seções masculinas e femininas. A intenção era deixar os clientes mais confortáveis e prontos para explorar novas fronteiras. Apesar disso, nunca denominaram a iniciativa como moda no gender.

No Brasil, encontram-se estilistas jovens que atuam nesse mercado e trazem uma perspectiva transgressora para o mundo fashion. Renan Serrano, da TRENDT, por exemplo, fabrica camisetas oversized e cheias de transparência.

Uma moda sem rótulos

Jaden Smith, filho do ator Will Smith, é adepto ao pulissex e já foi visto com roupas sem gênero. Em 2016, ele estrelou a campanha da Louis Vuitton, que fez o maior sucesso.

Alguns apontam que a questão do sem gênero também está intrinsecamente relacionada com a sustentabilidade, já que, se o produto funciona para todos os gêneros, não há necessidade de tanta matéria-prima. Marcas como a Ocksa, de Porto Alegre, e a paulistana Cemfreio apostam na não diferenciação dos sexos, priorizando o conforto e bem-estar das pessoas.

Embora a moda genderless esteja presente nas passarelas, na rua muitos ainda torcem o nariz, mas a semente já foi plantada. Afinal de contas, quem disse que homem não pode usar saia? Que mulher não tem direito de vestir terno e gravata? O gênero é uma construção social e diária, e não é a genitália do indivíduo que dita como ele deve se vestir. 

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

O Ecoera é um movimento criado, em 2008, por Chiara Gadaleta, consultora de moda e especialista em sustentabilidade. O seu esforço de unir moda, beleza e design às questões sociais e ambientais ajudou esses mercados a quebrar padrões nos processos de produção. Além disso, é uma plataforma que dissemina práticas sustentáveis para criar uma indústria consciente, em que ética e estética estejam em equilíbrio.

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Com apoio da Vogue Brasil - um dos segmentos no qual atua é o Prêmio ECOERA, que tem como missão promover empresas conscientes e aumentar essas ações por todo o mercado - a seleção dos candidatos é feita a partir da metodologia do sistema B, movimento que está presente em 50 países e reconheceu mais de 1800 marcas até hoje.

Saiba mais sobre cinco empresas que fizeram bonito na premiação em 2016:

Aurora Moda Gentil

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

Sustentabilidade, responsabilidade social e produção artesanal são as diretrizes que constituem a marca, que tem como foco peças exclusivas e atemporais, feitas de lã pura e materiais sustentáveis. A Aurora acredita e defende o consumo consciente, com maior qualidade e respeito pela natureza.

O envolvimento da marca com o meio ambiente começa na escolha da matéria-prima. São utilizados, para a confecção das roupas, restos não aproveitados da lã de ovelha e outros materiais, como o jeans com fio de garrafa pet. A produção é 100% artesanal e não passa por nenhum processo de industrialização. O tom natural da lã, como o branco, o marrom ou o cinza, é mantido, mas fazem uso do tingimento com pigmentos naturais como, por exemplo, o verde carqueja ou o amarelo macela.

Após a escolha do fio, a estilista Érica Arrué acompanha todo o processo de produção, que é realizado por tricoteiras da cidade de Dom Pedrito, no interior do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Elas fornecem mão de obra para o tricô e recebem todo o apoio e assistência social com uma remuneração justa. As tags costuradas às peças levam o nome da tricoteira que o produziu, o tipo de lã e a cor.

Damyller

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

Uma marca que tem o jeans no seu DNA, há seis anos utiliza no processo produtivo um equipamento que retira e substitui o uso de água na fabricação dos produtos. A tecnologia é chamada de Máquina de Ozônio, usada para o beneficiamento do jeans. A origem é espanhola e acentua a limpeza das peças, sem a necessidade de produtos químicos.

O processo, além de deixar o jeans com um aspecto vintage e super cool, economiza uma tonelada de produtos químicos por mês, antes utilizados para a lavagem do denim e também destinados ao tratamento dos efluentes. Outro benefício é que 3,3 milhões de litros de água (o equivalente a duas piscinas olímpicas cheias) não são mais desperdiçados.

Svetlana

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

Idealizada pela designer gráfica Mariana Iacia, a marca se define como vegan friendly, ética e contemporânea. Ela é carioca e trabalha com moda sustentável. A empresa surgiu a partir da paixão de Mariana pelos animais e dos álbuns de fotografia de uma mulher real, Svetlana Vladisavljevic, que a empresária adquiriu em um sebo na cidade de Nova York.

A ideia era ter um processo de produção sem nada de origem animal. E ela colocou o projeto em prática quando voltou para o Brasil, depois de estagiar com a estilista Stella McCartney, e decidiu unir o vegetarianismo e a moda.

Integrante do movimento slow fashion, cada peça da label é pensada de forma consciente, única e exclusivamente para o cliente, o que valoriza o conceito e evita o modismo. A marca apresenta estampas próprias, com uma forma moderna de se vestir. As coleções são inspiradas no cinema e na arte de rua, com formas simples e atemporais.

Vert Shoes

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

A marca tem sua fábrica localizada no Vale dos Sinos, no sul do Brasil, e defende a lógica da produção e consumo local, já que a legislação garante e fiscaliza os direitos dos trabalhadores. Além disso, a VERT acompanha diariamente o processo de fabricação e os ateliês com os quais trabalha.

A empresa faz uso do algodão orgânico, trabalhando com 700 famílias do nordeste brasileiro que vivem da agricultura natural. O material é comprado de acordo com os princípios do comércio justo. Após a transação, ele é desfiado para ser colocado em bobinas e transformado no tecido dos tênis e acessórios. A VERT valoriza a relação humana, acima de tudo, por isso reduz os intermediários para aumentar a remuneração dos produtores.

A borracha é nativa e adquirida diretamente de três associações de seringueiros na Amazônia, pagando um preço diferenciado pelo látex. Isso valoriza o trabalho e ajuda na luta contra o desmatamento. O objetivo da VERT é conhecer e ter controle de toda a cadeia de fornecedores de couro, desde a alimentação e condições de vida até o curtimento e seus efeitos no meio ambiente. Entretanto, a empresa escolhe produtores de gado que não estejam localizados na Amazônia, já que a área usada para esse cultivo acaba contribuindo para o desmatamento. Atualmente, ela acompanha e tem total controle do material a partir do momento em que chega ao curtume para o tratamento. Todas as peles utilizadas pela VERT são curtidas em processo low-chrome, o que diminui drasticamente a poluição nas águas residuais e seu efeito no meio ambiente.

Biosoftness

Sustentabilidade: tendência que nunca sai de moda

Renan Serrano é o estilista da marca Trendt e criador da tecnologia Biosoftness. Uma inovação biológica que elimina o odor do corpo quando as nanocápsulas do tecido entram em contato com o pH da pele. Isso aumenta a vida útil das roupas, porque faz com que sejam lavadas com menos frequência.

Essas cápsulas, além de serem biodegradáveis, impedem o crescimento de bactérias e fungos em qualquer tipo de tecido, o que preserva as roupas e contribui na redução do consumo de água. O projeto surgiu quando Renan cruzou dados da falta do líquido em diversos estados do Brasil e dos Estados Unidos. Quando o protótipo foi desenvolvido, fez um teste de sucesso na Trendt e, logo em seguida, assinou uma coleção com a Alcaçuz. Atualmente, a tecnologia é utilizada também pela marca Helen Rödel.

Para conhecer mais sobre o Eco Era acesse www.ecoera.com.br

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StreetStylePOA
Moda, comportamento, fotografia e comunicação.