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4 polêmicas que você não imaginava com a tecnologia no futebol

Tapa Da Pantera
há 10 meses147 visualizações

O povo pede há muito tempo, então a FIFA finalmente resolveu testar o uso de replay no futebol. Para isso, criou a figura do juiz assistente de vídeo - ou video assistant referee (VAR, na sigla em inglês) - e colocou essa turma pra trabalhar no teste que vem sendo realizado no Mundial de Clubes.

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4 polêmicas que você não imaginava com a tecnologia no futebol

A intenção é a mesma do chip dentro da bola: diminuir o número de erros de arbitragem, reduzir a polêmica, evitar injustiças. Só que aí, na primeira participação prática do VAR, surgiu todo tipo de polêmica. E logo numa situação que ninguém estava reclamando. Nem jogador nem técnico nem torcida. Ou seja, foi uma confusão geral.

O fato

Kashima Antlers, do Japão, e Atlético Nacional, da Colômbia, disputavam o primeiro tempo da semifinal do Mundial de Clubes da FIFA quando, de repente, o árbitro principal recebeu um aviso e paralisou o jogo para analisar um lance no monitor na beira do campo. Olhou e decidiu marcar pênalti.

O que aconteceu? No lance anterior, em um cruzamento para a área, um choque entre dois jogadores terminou com um atleta do Kashima derrubado. Pelo menos essa foi a interpretação do juizão. E ninguém tinha visto. Ninguém reclamou. Mas a decisão foi tomada, o Kashima fez o gol, e o replay acabou se tornando o protagonista do jogo. E aí surgiu todo tipo de polêmica

1. Vídeo não garante 100% de acerto

Foi pênalti mesmo? Nas redes sociais, muita gente achou que o lance foi uma trombada normal entre atacante e defensor. Por outro lado, também teve quem achasse pênalti indiscutível. Moral da história? Não é sempre que vai ficar claro no replay se uma falta existiu. Essa polêmica nunca vai acabar.

É por isso, aliás, que a NFL, a liga de futebol americano, não usa replays para determinar faltas em contato físico. Na NFL, o vídeo só é usado para determinar questões objetivas: se a bola tocou no chão, se o jogador pisou na linha, se a bola cruzou a linha e questões desse tipo. No futebol americano, não se julga se um contato foi forte o suficiente para interferir num lance. Lá, eles acreditam que a câmera lenta não ajuda nessas questões.

2. Pode usar replay para marcar impedimento?

Outra polêmica do lance é que o atleta do Kashima que sofreu o pênalti estava impedido no momento do cruzamento. Mas ele participou ativamente da jogada ou não? E o juizão que olhou o replay não viu o impedimento? Resumindo: mais polêmica.

E aqui tem uma questão importante: não é tão fácil assim incorporar o replay nas marcações de impedimento. Primeiro porque em alguns lances nem com o “tira-teima” da TV a posição é clara. Tem hora que é o diretor de transmissão que “decide” o lance quando pausa a jogada. Um frame pra cá, outro pra lá, e esse “impedimento claro” deixa de existir.

Mas não é só isso! E se a FIFA determinasse que pode usar replay pra decidir qualquer lance de impedimento? Qual seria o papel do bandeira em campo? Em lances difíceis, o cidadão não marcaria nada, baseado no raciocínio do “deixa que o replay decide”. Daria uma confusão dos diabos.

Pra evitar isso, a FIFA decidiu, pelo menos nesse período de teste, que o replay só pode ser utilizado para avaliar impedimento se a jogada terminar em gol. Se não for gol (e não foi no caso de Kashima x Atlético), não pode usar o replay pra ver se o cidadão estava impedido. Ou seja, o replay, no fim das contas, viu o pênalti, mas não viu o impedimento. Só fez complicar o negócio.

3. Não pode parar o jogo enquanto os VARs olham o replay?

A situação foi confusa porque o cruzamento aconteceu, ninguém viu o pênalti, e a bola continuou rolando. O jogo continuou como se nada tivesse acontecido enquanto o VAR olhava o replay do lance na sua cabine. Só quando a bola saiu, 45 segundos depois, é que o juiz principal foi avisado de alguma irregularidade. Aí ele já estava do outro lado do gramado. Ele só paralisou o jogo para olhar o monitor uns dois minutos depois. E ninguém entendeu por quê. 

A intenção da FIFA é evitar as paralisações. Afinal de contas, se o juizão de vídeo (VAR) revê o lance e não encontra nada, segue o jogo e fica tudo tranquilo. Maaaaas esse procedimento causou uma confusão e poderia ter gerado uma discussão dos diabos. E se na sequência do cruzamento, o Nacional tivesse armado um contra-ataque e fizesse um gol? Teriam anulado o gol dois minutos depois pra marcar um pênalti na outra área? Imagina a insanidade coletiva se isso acontece!

4. Quem explica o que acontece?

Um dos problemas eternos do futebol é entender as marcações dos árbitros. Sim, eles gesticulam e tem toda aquela sinalização pra cada lance, mas nem sempre fica claro o que ele marcou. Marcou impedimento? Quem estava impedido? Falta em cruzamento na área? Quem fez a falta? Bola na mão? Mão na bola? Às vezes, o cidadão aponta para um lugar onde tem um monte de jogador, e quem está no estádio fica sem entender nada. Até vendo pela TV é duro. Imagina agora com o juiz de vídeo…

Quem parou o jogo? O juiz do gramado ou o do vídeo? E o que ele viu? Que lance vai ser revisto? E depois de ver o replay? O que se viu? O que se deixou de ver? Por que foi pênalti? Por que não? Quase nada fica 100% claro para os torcedores. Por que não mostrar o replay com a decisão nos telões dos estádios? Por que os árbitros não têm microfones para explicar suas decisões? O futebol americano faz isso. O rúgbi também. Ah, mas seria caro demais implantar isso no futebol. Tudo bem, mas não seria o caso de usar essa tecnologia nos eventos mais importantes?

Dito tudo isso, é bom lembrar que o uso do replay está em período de testes. A FIFA vai fazer experiências durante 2016 e 2017 e apresentar os resultados disso no começo de 2018. Só aí é que a entidade máxima do futebol vai decidir como, quando e SE os assistentes de vídeo serão oficializados no futebol. 

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TapaDaPantera
Equipe Storia Brasil