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Precisamos falar sobre a poesia de Rupi Kaur

Giovana Penatti
há 7 meses49 visualizações

Conheci a poetisa Rupi Kaur há algumas semanas, por meio de sua página do Facebook, porque é assim que se conhece tudo hoje em dia. E, em se tratando dela, talvez seja a maneira ais provável de conhecê-la, porque ela ficou conhecida justamente por postar seus poemas e fazer leituras deles nas suas redes sociais.

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Precisamos falar sobre a poesia de Rupi Kaur

Eu não sou uma pessoa das poesias. Sinceramente, não me lembro de ter lido algum livro de poesia na vida. Então, quando dei uma chance para os versos da Rupi, você pode imaginar que eu não era a pessoa mais disposta a gostar.

E "gostar" talvez não seja mesmo o verbo correto, mas eu fui impactada pelas palavras e fiquei curiosa para ser de novo - aquela minha vocação para borboletinha de luz, que se queima na lâmpada e logo volta para se queimar de novo. O impacto às vezes foi menor, outras vezes foi menor, mas sempre me causou algum sentimento, seja pela identificação, seja pela empatia.

Precisamos falar sobre a poesia de Rupi Kaur

Quando percebi, estava com o livro dela nas mãos na Livraria Cultura, depois de encontrá-lo bem por acaso na estante. Em pouco mais de uma hora, o li inteiro. Houve momentos em que segurei as lágrimas, houve momentos em que achei presunçosa.

Arte, né, gente?

Seu primeiro livro chama, em inglês, Milk and Honey. Em português, virou Outros Jeitos de Usar a Boca - nada a ver com Milk and Honey, mas é um trecho de um dos poemas do livro e, particularmente, eu achei que funcionou.

Precisamos falar sobre a poesia de Rupi Kaur

Ele é dividido em 4 partes: o amor, a dor, a ruptura e a cura. Ao longo desses capítulos, Rupi traz poemas claramente autobiográficos, que falam sobre a relação com a mãe e o pai ausente, abusos que sofreu, relacionamentos - desde o início feliz até o fim tempestuoso - , amor próprio, feminismo. Mesmo sendo baseados na vida dela, a identificação é fácil, pois são situações - felizmente para algumas, infelizmente para outras - muito comuns, pelas quais todos passam. Se fosse para escolher uma única palavra para falar da poesia de Rupi Kaur, eu diria agridoce: é essa a sensação de se identificar tanto com algo tão sensível e, ao mesmo tempo, brutal.

Rupi Kaur tem, hoje, 24 anos. Ela mora em Toronto, no Canadá, mas nasceu na Índia. Ela tem sido chamada de "instapoet" - uma palavra que eu, particularmente, acho que denigre seu trabalho, mas falam isso porque ela faz poemas bem curtos e os posta em suas redes sociais. Alguns dos poemas de Rupi têm apenas algumas palavras, somente dois versos, mas eu entendo que, justamente por serem tão curtos, são certeiros: indo direto ao ponto, te pegam de surpresa, inesperadamente, com uma sinceridade e uma sensibilidade enormes. Por isso, ao ler os poemas, não se surpreenda se feridas que você nem sabia que tinha acabarem aparecendo!

Além da escrita, a performance de Rupi, cheia de energia e verdade ao ler seus poemas, também contribuiu para sua fama:

Atualmente, Rupi está trabalhando no segundo livro. Enquanto isso, você pode lê-la nas redes sociais ou no livro Outros Jeitos de Usar a Boca.

Precisamos falar sobre o real motivo pelo qual você está solteiro

Giovana Penatti
há 7 meses24 visualizações
Precisamos falar sobre o real motivo pelo qual você está solteiro
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Responda rápido: quando foi que você ficou com alguém mais de três ou quatro vezes?

Essa foi uma constatação que fiz conversando com outros amigos também solteiros - raramente saímos com a mesma pessoa mais de três ou quatro vezes. Tem mais: usamos apps para conhecer gente nova, marcamos um bar para conhecê-los, vamos para uma das casas passar a noite, dificilmente nos vemos novamente. Ao chegar em casa, abrimos novamente os apps para responder quem nos mandou mensagens enquanto estávamos fora e o ciclo recomeça. Enquanto o app carrega, bate uma certa ansiedade de estar com alguém no presente contínuo, não no pretérito perfeito; ficando, não fiquei. Quem sabe no próximo swype esteja essa pessoa que vai mudar esse cenário. Ou no próximo. Ou no próximo.

No fim, estamos sempre acompanhados, mas nunca com alguém.

(é claro que você pode estar muito bem solteiro, sem querer algum tipo de relacionamento ou de ficar com alguém mais de uma única vez, e não tem nada de errado com isso. Esse texto é mais voltado para quem está aberto à possibilidade de se envolver com outra pessoa. ;) )

Pensando sobre isso, bolei minha teoria do motivo pelo qual estamos todos solteiros e sem nenhuma perspectiva de mudar isso tão cedo: temos um imediatismo tão grande que não nos permitimos conhecer as pessoas. Sim, nós trocamos mensagens o dia todo, vamos ao bar jogar conversa fora uma vez ou outra, mas isso não é suficiente para conhecer de fato alguém.

Para surgir um envolvimento que venha a resultar em qualquer coisa além de one night stand, isso não é suficiente. E esperar que uma pessoa vá mudar isso é a versão remasterizada da espera pelo príncipe encantado; a pessoa que vai mudar isso tem que ser a gente mesmo. Tem que ter tanta coragem de chamar para o cinema quanto para ir em casa transar, tanto de mandar um link que te lembrou uma conversa e quanto de mandar aquele nude que ficou num ângulo maravilhoso. Temos intimidade para todas as sacanagens que nem imaginávamos há 10 anos, mas perdemos para conviver. Temos tanto medo de fazer o famoso papel de trouxa que voltamos à estaca zero, ao "se a outra pessoa não falar nada, eu não falo", sem imaginar que a outra pessoa também está pensando isso.

Não tenho uma solução para isso, visto que eu mesma também sou uma vítima desse imediatismo e tento lutar contra ele - sem muito sucesso, confesso. Mas acho que reconhecer o problema é o primeiro passo para superá-lo. Tomar coragem é o próximo. ;)

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TheRealGiovana
caçadora de histórias