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Precisamos falar sobre as pessoas que assistem séries em velocidade acelerada

Giovana Penatti
há 6 meses109 visualizações

Eu tenho uma admiração real pelas pessoas que conseguem ter tempo de fazer coisas. Com dias de apenas 24 horas, morando numa cidade grande, trabalhando oito horas por dia, estudando algumas outras e perdendo mais algumas no trânsito, eu até tenho vontade de fazer várias outras coisas - cuidar das plantas, aprender outro idioma, tirar as cutículas e, principalmente, maratonar séries para poder acompanhar o bate-papo nas redes sociais.

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Infelizmente, minha carta de Hogwarts nunca chegou, então um vira-tempo não é uma possibilidade. 

Mas eu descobri que existe uma tática para conseguir acompanhar as séries mesmo sem ter tanto tempo disponível: basta acelerar a velocidade. Isso mesmo - em vez de assistir em “1x”, você coloca em “2x” e demora a metade do tempo para terminar um episódio. Assim, se demoraria, digamos, 10 horas para maratonar uma temporada, passa a demorar apenas cinco.

Mas, enquanto fazer isso economiza tempo, também causa o desperdício de um monte de outras coisas. Afinal, uma série não é apenas a história; existe o trabalho de uma série de profissionais de diversas áreas, que vão desde o roteiro até cenário, figurino, iluminação, trilha sonora, direção e edição. E todas essas coisas são pensadas para que a série exista na velocidade 1. Então, ao acelerar a velocidade, esse cuidado todo acaba sendo perdido.

Suspeito que até a emoção causada pela série seja menor sem ver as pausas certas, ouvir a trilha direitinho e deixar que as coisas aconteçam no tempo normal. Pense na sua série preferida e nos detalhes dela, seja o timing de comédia, pequenas ações que acontecem ao fundo, objetos de decoração... Não perderia um monte da graça e da identidade se não tivessem essas coisas?

Tem quem se importe apenas com ver a história - e tudo bem! Afinal, cada um consome seu entretenimento como acha melhor. Mas, a meu ver, apreciar uma série tem muito a ver com se deixar envolver e emocionar por ela. Entre ver na metade do tempo ou ver a metade da quantidade de séries que poderia, fico com a segunda opção. ;)

Precisamos falar sobre a poesia de Rupi Kaur

Giovana Penatti
há 7 meses49 visualizações

Conheci a poetisa Rupi Kaur há algumas semanas, por meio de sua página do Facebook, porque é assim que se conhece tudo hoje em dia. E, em se tratando dela, talvez seja a maneira ais provável de conhecê-la, porque ela ficou conhecida justamente por postar seus poemas e fazer leituras deles nas suas redes sociais.

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Precisamos falar sobre a poesia de Rupi Kaur

Eu não sou uma pessoa das poesias. Sinceramente, não me lembro de ter lido algum livro de poesia na vida. Então, quando dei uma chance para os versos da Rupi, você pode imaginar que eu não era a pessoa mais disposta a gostar.

E "gostar" talvez não seja mesmo o verbo correto, mas eu fui impactada pelas palavras e fiquei curiosa para ser de novo - aquela minha vocação para borboletinha de luz, que se queima na lâmpada e logo volta para se queimar de novo. O impacto às vezes foi menor, outras vezes foi menor, mas sempre me causou algum sentimento, seja pela identificação, seja pela empatia.

Precisamos falar sobre a poesia de Rupi Kaur

Quando percebi, estava com o livro dela nas mãos na Livraria Cultura, depois de encontrá-lo bem por acaso na estante. Em pouco mais de uma hora, o li inteiro. Houve momentos em que segurei as lágrimas, houve momentos em que achei presunçosa.

Arte, né, gente?

Seu primeiro livro chama, em inglês, Milk and Honey. Em português, virou Outros Jeitos de Usar a Boca - nada a ver com Milk and Honey, mas é um trecho de um dos poemas do livro e, particularmente, eu achei que funcionou.

Precisamos falar sobre a poesia de Rupi Kaur

Ele é dividido em 4 partes: o amor, a dor, a ruptura e a cura. Ao longo desses capítulos, Rupi traz poemas claramente autobiográficos, que falam sobre a relação com a mãe e o pai ausente, abusos que sofreu, relacionamentos - desde o início feliz até o fim tempestuoso - , amor próprio, feminismo. Mesmo sendo baseados na vida dela, a identificação é fácil, pois são situações - felizmente para algumas, infelizmente para outras - muito comuns, pelas quais todos passam. Se fosse para escolher uma única palavra para falar da poesia de Rupi Kaur, eu diria agridoce: é essa a sensação de se identificar tanto com algo tão sensível e, ao mesmo tempo, brutal.

Rupi Kaur tem, hoje, 24 anos. Ela mora em Toronto, no Canadá, mas nasceu na Índia. Ela tem sido chamada de "instapoet" - uma palavra que eu, particularmente, acho que denigre seu trabalho, mas falam isso porque ela faz poemas bem curtos e os posta em suas redes sociais. Alguns dos poemas de Rupi têm apenas algumas palavras, somente dois versos, mas eu entendo que, justamente por serem tão curtos, são certeiros: indo direto ao ponto, te pegam de surpresa, inesperadamente, com uma sinceridade e uma sensibilidade enormes. Por isso, ao ler os poemas, não se surpreenda se feridas que você nem sabia que tinha acabarem aparecendo!

Além da escrita, a performance de Rupi, cheia de energia e verdade ao ler seus poemas, também contribuiu para sua fama:

Atualmente, Rupi está trabalhando no segundo livro. Enquanto isso, você pode lê-la nas redes sociais ou no livro Outros Jeitos de Usar a Boca.

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TheRealGiovana
caçadora de histórias