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É bom demais ficar mais velha

Giovana Penatti
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Giovana Penatti
É bom demais ficar mais velha

Faz pouco mais de uma semana que completei 27 anos. Sempre é esquisito falar sobre uma nova idade; é inevitável se sentir velho, mas isso faz todo o sentido, já que nunca fomos tão velhos como somos hoje.

Esquisito mesmo é as pessoas insistirem em me lembrar que estou cada vez mais perto dos 30 anos. Que daqui pra frente, é "ladeira abaixo". Que chegar nos 30 "é foda". A sombra dos 30 anos cada vez maior em cima de mim, e os 30 devem ser realmente assustadores para esse pânico todo.

Mas ainda tenho 3 anos para os 30. E, dos meus 27 recém-completados, me pego pensando em como é estar cada vez mais... velha. Essa é uma palavra que tenho falado com uma certa frequência e as pessoas me olham como se fosse exagero. Elas não entendem que não digo velha como se estivesse no fim da vida, e sim comparando com todas as idades que tive até agora. Não estou reclamando; é óbvio que estou mais velha. E, enquanto penso sobre meus anos anteriores, uma certeza vem imediata: eu não voltaria a qualquer outra idade de maneira nenhuma.

Desde pequena, ouço minha mãe dizer que não morre de saudades do passado, seja da faculdade ou de quando eu e meu irmão éramos crianças; ela fala que sempre aproveitou todas as épocas da vida e, por isso, não sentia que voltaria, se tivesse a oportunidade. Sempre achei essa visão muito bonita e, mais que isso, muito sóbria: não tem jeito de aproveitar a vida se não for agora. Não dá para voltar.

Talvez por causa disso eu também procure aproveitar tudo ao máximo, respeitando a hora de ir para outra fase, seja essa fase uma nova cidade, um novo emprego, um novo estilo de me vestir, novos hobbies. E, também por isso, eu não tenho exatamente medo de fazer aniversário - não mais, pelo menos, porque já tive altas crises pensando sobre como estava fazendo vinte e qualquer coisa e não tinha conquistado nada na vida. Eu tinha até um plano de começar a mentir a idade logo para ter credibilidade aos 50 (de acordo com esse plano, era para eu ter feito 26 de novo neste ano).

Acho que boa parte dessa mudança de pensamento vem de algo que não tem como aprender de outra maneira, a não ser com o passar do tempo: maturidade. Ou, em outras palavras, ficar mais velha.

E é por isso que eu não trocaria a minha idade por qualquer outra que eu já tive, principalmente porque tudo que tenho hoje veio dos perrengues e alegrias de anos atrás; voltar alguns anos com tudo que me faz feliz hoje seria roubar na brincadeira.

E essas conquistas vão além de emprego, apartamento ou cartão de crédito quitado: quem eu sou aos vinte e muitos é alguém muito melhor que quem era aos vinte e poucos. Sou mais paciente, confiante, sensata, sou uma amiga e uma filha melhor, com sonhos concretos e frustrações que fazem sentido. Sei que posso ser ainda mais e tenho certeza que esse aprendizado virá nos próximos anos, não apenas até os 30, mas até onde for.

Por isso, sempre que vejo uma cara de dó ou ouço um "mas nem parece" quando falo minha idade, fico muito confusa com essa reação. Primeiro, claro, porque sei que não sou tão velha assim! Mas, segundo, porque ter 27 anos é, até agora, a melhor coisa que me aconteceu.