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As mudanças que aconteceram comigo depois que parei com a pílula

Giovana Penatti
há 5 meses121 visualizações
As mudanças que aconteceram comigo depois que parei com a pílula
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Quando eu tinha uns 15 anos, em uma consulta de retorno com a ginecologista, a médica olhou meu ultrassom e atestou que eu tinha ovários policísticos. Ela explicou, muito rapidamente, que meus ovários tinham pequenos cistos em formação e que, apesar de muito comum, pode causar complicações no futuro, como a impossibilidade de engravidar. Mas era simples de tratar: bastava tomar pílula anticoncepcional. Foi assim que, antes mesmo de ser sexualmente ativa, comecei a tomar hormônios diariamente na adolescência.

Cerca de 10 anos depois, após ler inúmeros relatos de garotas que sofreram efeitos colaterais seriíssimos por causa da pílula, mesmo tomando há muitos anos, e encontrar matérias que apontavam que, de fato, a pílula não deve fazer tão bem - como a recente descoberta de que o uso pode estar associado a doenças mentais como depressão, ou a ironia do anticoncepcional masculino causar os mesmos efeitos colaterais do feminino e, justamente por causa disso, nem ter sido comercializado - , decidi parar.

E parei do nada: um dia, minha cartela acabou e eu não comprei mais. Já tinha pensado em parar antes, mas minha médica falava que não tinha motivo para isso - analisando de outro ângulo, falar que não há motivo para não se entupir de hormônios é uma coisa estranha de se dizer.

Essa decisão de parar com a pílula já tem mais de um ano; eu realmente não lembro quando parei, mas, desde que isso aconteceu, notei algumas mudanças no meu corpo.

Nenhuma mudança foi gigantesca, ou algo que cause arrependimento de ter parado. Inclusive em relação ao motivo pelo qual comecei a tomar pílula: meus ovários nunca mais tiveram cistos e seguem desse jeito.

Percebi três mudanças significativas: em relação à TPM, à acne e à libido. As duas primeiras são inconvenientes, mas não insuportáveis; chatas como espirrar depois de passar rímel ou pegar um resfriado no verão. Já a última é ótima.

Com a pílula, eu não sentia nenhum sintoma de TPM. Sem, fico uns três dias com o pavio curtíssimo, particularmente irritadiça ou curtindo a famigerada bad. Mas, como meu ciclo é bem regular, eu sei que, ao perceber que estou me irritando facilmente ou ficando muito triste do nada, é culpa da TPM - e, sendo uma mulher adulta, não desconto isso em ninguém, afinal, TPM não é motivo para sair dando patada em todo mundo.

Já acne eu nunca tive, e lembro de, quando era adolescente, sentir que essa era a única coisa na qual eu era melhor que meu irmão: ele tinha espinhas e eu não (eu não era cruel e não esfregava isso na cara dele; sei que ter acne pode causar muitos problemas de auto-estima e realmente incomodava meu irmão). Eis que, agora, quem sofre com as espinhas sou eu: todos os dias, encontro novas pelotinhas no rosto, especialmente na testa. E espremo. E ficam cicatrizes que eu nunca tive. Não é nada muito sério e poderia controlar muito bem indo num dermatologista mas, sinceramente, eu morro de preguiça e minha acne não incomoda tanto assim.

Por fim, a libido, que é a terceira mudança e a única que não é uma chatice. Como eu perdi a virgindade quando já tomava pílula, toda a minha vida sexual aconteceu com esses hormônios "extras" e eu não ligava muito para sexo. Nunca sentia muita vontade de transar e não entendia como algumas amigas tinham vontade do nada - falar “essa semana eu quero muito” era uma coisa que nunca acontecia comigo; eu só tinha vontade quando estava com alguém, já no contexto para acontecer. Alguns meses depois de parar de tomar a pílula, comentei com uma amiga que estava com muita vontade de transar e foi ela quem apontou a diferença: “quando a gente se conheceu, você falava que poderia passar o resto da vida sem transar e eu achei esquisitíssimo; foi parar de tomar a pílula que você descobriu que curte sexo”. Essa foi, para mim, a maior mudança, e a que deixou claro como a pílula realmente mexe com o nosso organismo.

É claro que cada pessoa é uma e a pílula - e os diferentes tipos de pílula - atuam de maneiras diferentes em cada um. Esse relato é sobre o que aconteceu comigo: eu realmente não precisava desses hormônios diários e, apesar de algumas chatices, o lado positivo de não tomar pílula para mim é muito maior, desde me conhecer melhor a não ter que colocar um despertador para lembrar do horário de tomá-la (sério, foi uma década com pílula e eu nunca consegui lembrar sozinha!). Sobre os cistos no ovário, eles continuam não existindo.

Esse texto não é para convencer todo mundo a abandonar a pílula, até porque muitas mulheres a usam para fazer tratamentos. Mas, se esse não for o seu caso e você estiver pensando em parar também, marque uma consulta com seu médico para avaliar se é possível utilizar outro método contraceptivo.

Como descobri minha vocação de Manic Pixie Dream Girl

Giovana Penatti
há 6 meses88 visualizações
Como descobri minha vocação de Manic Pixie Dream Girl
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Veja se essa história lhe é familiar: um cara anda meio numa bad, é meio estereótipo do perdedor, muito gente fina mas meio perdido na vida. Então, surge uma garota bonitinha - mas nada além do "normal" - , meio excêntrica, que aceita o jeitinho dele e faz com que ele se torne a melhor versão dele mesmo. É uma garota que existe somente para fazer esse cara feliz e eles não precisam ficar juntos para sempre: depois que acontece a transformação do protagonista, o papel dela está cumprido.

Puxado, né? É um dos estereótipos mais comuns do cinema: a Manic Pixie Dream Girl e tem um monte de representantes, como a Summer de 500 Dias Com Ela (até certo ponto), a Ramona de Scott Pilgrim Contra o Mundo, a Sam de Garden State, a Claire de Tudo Acontece em Elizabethtown e até a clássica Holly de Bonequinha de Luxo, entre muitas outras.

Como todo estereótipo, ele é ruim porque não permite que os personagens tenham profundidade, ou seja, não contribuem em quase nada para a história. E, sendo um estereótipo feminino, fazem com que as garotas sejam mostradas de uma maneira bem negativa, como se existissem em função de fazer homens felizes, sem ter uma personalidade própria, desejos e aspirações.

Hoje, existe um movimento em direção à criação de personagens femininas mais fortes e interessantes, o que significa que esse estereótipo deve, aos poucos, acabar sumindo. Mas estive pensando que décadas de filmes mostrando mulheres tão submissas deve ter causado sua cota de influência na personalidade das garotas. Parei para reparar em mim mesma e... Talvez eu mesma seja uma Manic Pixie Dream Girl! E uma parte considerável das minhas amigas também já foram a garota dos sonhos de um cara que estava em busca de algo mais na vida.

Percebi isso um dia no qual brinquei com uma amiga que eu sou sempre uma transição para os caras: quando nos conhecemos, eles estão cheios de inseguranças, querendo realizar sonhos sem saber por onde, infelizes no trabalho e tudo o mais. Quando terminamos, eles parecem outras pessoas; é como se eu desse um impulso para eles serem uma versão melhor deles mesmos.

"Tipo uma Manic Pixie Dream Girl", ela falou. Parei por dois segundos, ri e concordei: "tipo isso". Depois, pensei um pouco sobre e fiquei meio preocupada comigo mesma.

Eu tenho minhas aspirações, meus sonhos, meus problemas e frustrações também, e já deixei isso tudo de lado mais de uma vez para ajudar um cara a fazer as coisas dele. Sou uma boa ouvinte e me preocupo com as pessoas, mas nem sempre isso é recíproco, e eu não acho que tenha o direito de exigir que me tratem da maneira como eu trato os outros. Assim, eu acabar apagada, sendo apenas a torcida individual de alguém, é algo bastante possível de acontecer. É extremamente comum um cara perguntar, pela sétima vez, no que eu trabalho, ou nunca decorar onde meus pais moram, ou até achar que um deles já morreu, ou nunca se lembrar que meu cachorro não mora mais comigo, ou me pedir para apresentar uma banda que ninguém conhece sendo que eu só ouço música pop. A versão de mim que ele cria na cabeça dele não é apenas mais legal que a verdadeira; é a única que ele consegue ver.

E como fazer para deixar de ser uma Manic Pixie Dream Girl da vida real? Acho que o primeiro passo é perceber o que me faz uma garota assim. Depois, é evitar me anular: respeitar e exigir o meu próprio espaço num relacionamento e pedir apoio da outra pessoa, assim como eu a apoio. A gente não precisa deixar de ser excêntrica ou felizona, mas precisa saber exigir o nosso protagonismo na nossa própria história.

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TheRealGiovana
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