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Como descobri minha vocação de Manic Pixie Dream Girl

Giovana Penatti
há 6 meses88 visualizações
Como descobri minha vocação de Manic Pixie Dream Girl
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Veja se essa história lhe é familiar: um cara anda meio numa bad, é meio estereótipo do perdedor, muito gente fina mas meio perdido na vida. Então, surge uma garota bonitinha - mas nada além do "normal" - , meio excêntrica, que aceita o jeitinho dele e faz com que ele se torne a melhor versão dele mesmo. É uma garota que existe somente para fazer esse cara feliz e eles não precisam ficar juntos para sempre: depois que acontece a transformação do protagonista, o papel dela está cumprido.

Puxado, né? É um dos estereótipos mais comuns do cinema: a Manic Pixie Dream Girl e tem um monte de representantes, como a Summer de 500 Dias Com Ela (até certo ponto), a Ramona de Scott Pilgrim Contra o Mundo, a Sam de Garden State, a Claire de Tudo Acontece em Elizabethtown e até a clássica Holly de Bonequinha de Luxo, entre muitas outras.

Como todo estereótipo, ele é ruim porque não permite que os personagens tenham profundidade, ou seja, não contribuem em quase nada para a história. E, sendo um estereótipo feminino, fazem com que as garotas sejam mostradas de uma maneira bem negativa, como se existissem em função de fazer homens felizes, sem ter uma personalidade própria, desejos e aspirações.

Hoje, existe um movimento em direção à criação de personagens femininas mais fortes e interessantes, o que significa que esse estereótipo deve, aos poucos, acabar sumindo. Mas estive pensando que décadas de filmes mostrando mulheres tão submissas deve ter causado sua cota de influência na personalidade das garotas. Parei para reparar em mim mesma e... Talvez eu mesma seja uma Manic Pixie Dream Girl! E uma parte considerável das minhas amigas também já foram a garota dos sonhos de um cara que estava em busca de algo mais na vida.

Percebi isso um dia no qual brinquei com uma amiga que eu sou sempre uma transição para os caras: quando nos conhecemos, eles estão cheios de inseguranças, querendo realizar sonhos sem saber por onde, infelizes no trabalho e tudo o mais. Quando terminamos, eles parecem outras pessoas; é como se eu desse um impulso para eles serem uma versão melhor deles mesmos.

"Tipo uma Manic Pixie Dream Girl", ela falou. Parei por dois segundos, ri e concordei: "tipo isso". Depois, pensei um pouco sobre e fiquei meio preocupada comigo mesma.

Eu tenho minhas aspirações, meus sonhos, meus problemas e frustrações também, e já deixei isso tudo de lado mais de uma vez para ajudar um cara a fazer as coisas dele. Sou uma boa ouvinte e me preocupo com as pessoas, mas nem sempre isso é recíproco, e eu não acho que tenha o direito de exigir que me tratem da maneira como eu trato os outros. Assim, eu acabar apagada, sendo apenas a torcida individual de alguém, é algo bastante possível de acontecer. É extremamente comum um cara perguntar, pela sétima vez, no que eu trabalho, ou nunca decorar onde meus pais moram, ou até achar que um deles já morreu, ou nunca se lembrar que meu cachorro não mora mais comigo, ou me pedir para apresentar uma banda que ninguém conhece sendo que eu só ouço música pop. A versão de mim que ele cria na cabeça dele não é apenas mais legal que a verdadeira; é a única que ele consegue ver.

E como fazer para deixar de ser uma Manic Pixie Dream Girl da vida real? Acho que o primeiro passo é perceber o que me faz uma garota assim. Depois, é evitar me anular: respeitar e exigir o meu próprio espaço num relacionamento e pedir apoio da outra pessoa, assim como eu a apoio. A gente não precisa deixar de ser excêntrica ou felizona, mas precisa saber exigir o nosso protagonismo na nossa própria história.

É bom demais ficar mais velha

Giovana Penatti
há 7 meses33 visualizações
É bom demais ficar mais velha
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Faz pouco mais de uma semana que completei 27 anos. Sempre é esquisito falar sobre uma nova idade; é inevitável se sentir velho, mas isso faz todo o sentido, já que nunca fomos tão velhos como somos hoje.

Esquisito mesmo é as pessoas insistirem em me lembrar que estou cada vez mais perto dos 30 anos. Que daqui pra frente, é "ladeira abaixo". Que chegar nos 30 "é foda". A sombra dos 30 anos cada vez maior em cima de mim, e os 30 devem ser realmente assustadores para esse pânico todo.

Mas ainda tenho 3 anos para os 30. E, dos meus 27 recém-completados, me pego pensando em como é estar cada vez mais... velha. Essa é uma palavra que tenho falado com uma certa frequência e as pessoas me olham como se fosse exagero. Elas não entendem que não digo velha como se estivesse no fim da vida, e sim comparando com todas as idades que tive até agora. Não estou reclamando; é óbvio que estou mais velha. E, enquanto penso sobre meus anos anteriores, uma certeza vem imediata: eu não voltaria a qualquer outra idade de maneira nenhuma.

Desde pequena, ouço minha mãe dizer que não morre de saudades do passado, seja da faculdade ou de quando eu e meu irmão éramos crianças; ela fala que sempre aproveitou todas as épocas da vida e, por isso, não sentia que voltaria, se tivesse a oportunidade. Sempre achei essa visão muito bonita e, mais que isso, muito sóbria: não tem jeito de aproveitar a vida se não for agora. Não dá para voltar.

Talvez por causa disso eu também procure aproveitar tudo ao máximo, respeitando a hora de ir para outra fase, seja essa fase uma nova cidade, um novo emprego, um novo estilo de me vestir, novos hobbies. E, também por isso, eu não tenho exatamente medo de fazer aniversário - não mais, pelo menos, porque já tive altas crises pensando sobre como estava fazendo vinte e qualquer coisa e não tinha conquistado nada na vida. Eu tinha até um plano de começar a mentir a idade logo para ter credibilidade aos 50 (de acordo com esse plano, era para eu ter feito 26 de novo neste ano).

Acho que boa parte dessa mudança de pensamento vem de algo que não tem como aprender de outra maneira, a não ser com o passar do tempo: maturidade. Ou, em outras palavras, ficar mais velha.

E é por isso que eu não trocaria a minha idade por qualquer outra que eu já tive, principalmente porque tudo que tenho hoje veio dos perrengues e alegrias de anos atrás; voltar alguns anos com tudo que me faz feliz hoje seria roubar na brincadeira.

E essas conquistas vão além de emprego, apartamento ou cartão de crédito quitado: quem eu sou aos vinte e muitos é alguém muito melhor que quem era aos vinte e poucos. Sou mais paciente, confiante, sensata, sou uma amiga e uma filha melhor, com sonhos concretos e frustrações que fazem sentido. Sei que posso ser ainda mais e tenho certeza que esse aprendizado virá nos próximos anos, não apenas até os 30, mas até onde for.

Por isso, sempre que vejo uma cara de dó ou ouço um "mas nem parece" quando falo minha idade, fico muito confusa com essa reação. Primeiro, claro, porque sei que não sou tão velha assim! Mas, segundo, porque ter 27 anos é, até agora, a melhor coisa que me aconteceu.

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TheRealGiovana
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