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Precisamos falar sobre o real motivo pelo qual você está solteiro

Giovana Penatti
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Giovana Penatti
Precisamos falar sobre o real motivo pelo qual você está solteiro

Responda rápido: quando foi que você ficou com alguém mais de três ou quatro vezes?

Essa foi uma constatação que fiz conversando com outros amigos também solteiros - raramente saímos com a mesma pessoa mais de três ou quatro vezes. Tem mais: usamos apps para conhecer gente nova, marcamos um bar para conhecê-los, vamos para uma das casas passar a noite, dificilmente nos vemos novamente. Ao chegar em casa, abrimos novamente os apps para responder quem nos mandou mensagens enquanto estávamos fora e o ciclo recomeça. Enquanto o app carrega, bate uma certa ansiedade de estar com alguém no presente contínuo, não no pretérito perfeito; ficando, não fiquei. Quem sabe no próximo swype esteja essa pessoa que vai mudar esse cenário. Ou no próximo. Ou no próximo.

No fim, estamos sempre acompanhados, mas nunca com alguém.

(é claro que você pode estar muito bem solteiro, sem querer algum tipo de relacionamento ou de ficar com alguém mais de uma única vez, e não tem nada de errado com isso. Esse texto é mais voltado para quem está aberto à possibilidade de se envolver com outra pessoa. ;) )

Pensando sobre isso, bolei minha teoria do motivo pelo qual estamos todos solteiros e sem nenhuma perspectiva de mudar isso tão cedo: temos um imediatismo tão grande que não nos permitimos conhecer as pessoas. Sim, nós trocamos mensagens o dia todo, vamos ao bar jogar conversa fora uma vez ou outra, mas isso não é suficiente para conhecer de fato alguém.

Para surgir um envolvimento que venha a resultar em qualquer coisa além de one night stand, isso não é suficiente. E esperar que uma pessoa vá mudar isso é a versão remasterizada da espera pelo príncipe encantado; a pessoa que vai mudar isso tem que ser a gente mesmo. Tem que ter tanta coragem de chamar para o cinema quanto para ir em casa transar, tanto de mandar um link que te lembrou uma conversa e quanto de mandar aquele nude que ficou num ângulo maravilhoso. Temos intimidade para todas as sacanagens que nem imaginávamos há 10 anos, mas perdemos para conviver. Temos tanto medo de fazer o famoso papel de trouxa que voltamos à estaca zero, ao "se a outra pessoa não falar nada, eu não falo", sem imaginar que a outra pessoa também está pensando isso.

Não tenho uma solução para isso, visto que eu mesma também sou uma vítima desse imediatismo e tento lutar contra ele - sem muito sucesso, confesso. Mas acho que reconhecer o problema é o primeiro passo para superá-lo. Tomar coragem é o próximo. ;)