BEM-ESTAR

Precisamos falar sobre Rita Lobo, Bela Gil e alimentação saudável

Giovana Penatti
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Giovana Penatti

Nos últimos anos, a gente tem visto uma tendência alimentar cada vez mais forte: a de comer tudo natural, pouco processado, sem passar por indústrias, integral, sem açúcar, sem glúten, tudo em nome da saúde. Em meio a essa loucurinha, apareceu a figura da Bela Gil, que apresenta o Bela Cozinha, na GNT, onde ensina quitutes inesquecíveis, como o famoso churrasco de melancia, e a substituir ingredientes por opções mais saudáveis, o que virou até meme.

Precisamos falar sobre Rita Lobo, Bela Gil e alimentação saudável

Eis que, nas últimas semanas, apareceu uma nova figura nessa batalha de o que comer: Rita Lobo, também apresentadora de um programa de culinária na GNT, o Cozinha Prática, ao falar em um tuíte sobre por que não ensinaria a fazer maionese com óleo de coco e iogurte: "1) porque não é maionese; 2) trate seu distúrbio alimentar". O tal distúrbio existe mesmo: chama ortorexia e é a obsessão em comer de forma saudável.

Precisamos falar sobre Rita Lobo, Bela Gil e alimentação saudável

Rita é contra o que chama de medicalização dos alimentos: encarar a alimentação de maneira puramente funcional, isto é, avaliar o que cada alimento fará com seu organismo; devemos comer por prazer e tomar remédio para curar. Já Bela Gil entende que os alimentos podem ter as duas funções: é possível comer bem e fazer pratos gostosos sem abrir mão da alimentação saudável, que, como todo mundo sabe, pode até prevenir doenças. Então, nos vemos divididos entre #TeamRita e #TeamBela - o que, aliás, é algo que as duas apresentadoras nunca nem falaram, mas vocês conhecem a internet.

Afinal, como deve ser nossa relação com comida? O glúten é um vilão nessa história? Nunca mais poderemos ir num fast food sem nos sentir mal? Num mundo onde temos tanta informação tão fácil de conseguir, podemos nos considerar especialistas em nutrição por ter lido muitos artigos que falam sobre batata doce versus batata inglesa?

Precisamos falar sobre Rita Lobo, Bela Gil e alimentação saudável

O que querem dizer esses números??

Particularmente, acho que podemos nos encontrar em um meio-termo. Afinal, equilíbrio é outra palavra que vem ganhando força, e imagino que será nela que iremos chegar no consenso sobre alimentação saudável.

Costumo lembrar das histórias que ouvia da minha vó, sobre como eram as comidas na casa dela. Minha avó nunca comeu arroz integral ou frango grelhado e sempre fazia um bolo para sobremesa; também nunca teve pressão alta, diabetes, obesidade ou qualquer outra doença que possa ser relacionada à alimentação. Ela também nunca teve carro e sempre andou muito por toda a cidade. Claro que há outros fatores aí, incluindo a genética e vida no interior há algumas décadas, mas essas conversas sempre me serviram de comprovação de que o estilo de vida conta mais do que a tapioca no café da manhã para ser saudável. E, com a ajuda dos profissionais certos, é possível que cada pessoa descubra como ser mais saudável de acordo com suas vontades e sua torina.

Como não dá mais para viver em Itapetininga em 1960, minha saída é encontrar meios de tornar o dia a dia mais equilibrado: fazer mais comida em casa, sim, mas se quiser trocar arroz branco pelo integral também pode porque mal não faz; levar marmita para o trabalho é preferencial, mas fazer um almoço feliz de sexta-feira na hamburgueria com os colegas também está liberado - e a hamburgueria pode ser um McDonald's, porque não como todos os dias e, sem excessos, não vai acabar com a minha saúde.

Enfim, acredito que, aos poucos, podemos deixar de ser tão paranoicos com alimentação saudável e perceber que ser saudável - tanto em corpo, quanto em mente - tem a ver com comida, mas não apenas com isso. E que cada um coma o que quiser, sem julgamentos. ;)