MICHEL TEMER

A ditadura em que iremos viver.

Alex Piaz
Yazar
Alex Piaz
A ditadura em que iremos viver.

Vivemos em meio a ditaduras. Você talvez não perceba, mas não há nada de democrático no seu “job colaborativo” ou na horizontalidade do seu departamento. Há sempre um diretor, um que dirige, manda o que quer ser feito e aqueles que têm juízo obedecem. E não basta obedecer somente, é preciso performar.

O que nos leva ao ponto de reflexão. Caminharemos aqui em nosso país para uma espécie de democracia ditatorial, um governo forte, violento, caçador de direitos e ao mesmo tempo eleito pelo voto?

Ditaduras normalmente começam através de golpes de Estado. Aqui houve o golpe, ainda que modernoso em sua gênese e agora totalmente desvelado.

Ditaduras sem propaganda não logram êxito. A subserviência da chamada “grande mídia” sinaliza para e se olharmos a mudança no mapa de mídia do governo golpista constataremos que agora a grana vai para os velhos grupos, a mídia tradicional, apoiadora inconteste da palhaçada que está posta.

Ditaduras anulam suas oposições. Até o primeiro de maio na Paulista foi "proibido".

Cada vez mais as barreiras em prol da democracia são postas à prova. Estamos numa guerra de narrativas.

De um lado, a ideia de que qualquer vontade coletiva é petista e portanto, ladra. De outro, a triste realidade de que a multidão “cala-boca-e-rema”, sempre presa aos seus dogmas e dilemas, compra essa ideia. Há também o caso curioso do liberal em economia e ultra-conservador em relação aos costumes, que se diz empresário, seguidor do Instituto Liberal mas que não vive sem o empréstimo do BNDES. Esse sujeito é apoiador inconteste do que está posto.

Junte isso ao dualismo existente, onde ladrão não tem direito algum e os diferentes são bonitos como peça de decoração, secundários numa peça de teatro de qualidade duvidosa e quando eles levantam suas cabeças, igualados aos ladrões eles são. É a receita masterchef para a caça às bruxas.

Por enquanto, entretanto, temos um dos pilares da democracia em pé. Somos livres para expressar nosso pensamento, ainda que vez ou outra a dona Liberdade tome umas porradas, ela resiste. Não duvide, porém, da capacidade que os que estão a moldar os destinos da nação têm de arrancar de nós tal sagrado direito se acharem necessário. Mesmo antes do golpe os serviços de inteligência traçavam já estratagemas para tais ações.

E mundo, agora com Trump, se torna um tanto mais incerto. Uma sombra paira sobre a nação brasileira.

É possível que Temer, assim como Castelo Branco, seja apenas o começo. Uma ditadura imposta pelas elites e cabresteada por elas, que já começou via retirada dos direitos trabalhistas que está em marcha. Uma ditadura cuja continuidade pode ser confirmada pelo voto, no maior dos paradoxos que nossa nação é capaz de permitir.

Figuras como João Doria e Jair Bolsonaro são a perfeita síntese da enrascada em que nos metemos. Proto-fascistas, um elegante, quase aristocrático e outro, mais militarista e verborrágico. Ambos atores de violências, pouco afeitos ao debate de ideias e respeito ao diverso e com séquito grande de apoiadores.

Tal qual a Berlim dos 30. É preciso cuidado e também é preciso tentar ler os sinais.

Acompanhemos.

Texto publicado originalmente na Revista Trendrhttps://trendr.com.br/sobre-a-ditadura-que-iremos-viver-aac2e172f4c8