Anderson Nascimento's story
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Todo mundo tem uma história para contar
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Favela da Rocinha, 90s.

Foto da época de moleque na Rocinha na velha casa vizinha a boca. A parede de tijolos aparentes dava a sensação de proteção, pra receber os amigos, falar sobre a capoeira e sobre o futebol de salão que só comecei a fazer porque dava lanche. Pés descalços no chão de barro, correr pelos becos, lembranças de quase morte nas competições de cipó na mata. A amizade, a saudade. Nos divertimos pra caralho. Nessa parte da favela não tinha saneamento básico nem agua encanada, entravamos na mata pra procurar mina de agua doce, fazíamos a encanação vedando os canos com pedaços de câmaras de ar de bike. Tocava muito amado batista entre os raps, corriqueiramente corriamos de tiroteios e levavamos a vida, a escola, as garotas, os sonhos, os medos, e as incertezas em nossos sorrisos. Saudade de vocês e desse tempo.

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Na foto, Feio, eu, Mauriene e meu irmão mais velho, Carlinhos, deitado sensualmente.

Favela da Rocinha, 90s.

Recebendo esmola de... um mendigo?!


Ipanema fim dos anos 90. Primeiro emprego, faz-se tudo, ganha-se quase nada. Uma das tarefas: panfletar. No meu ponto de trabalho fiz um colega: seu Antônio. Mendigo, sem perna, sem casa, sem grana, mas com muita história pra contar. Gostava das esmolas mais gordas, a essas ele falava: "obrigado, vai com Deus". A quem dava moedas ele falava o mesmo, só que tinha outro vai. O vai tomar no cu seu mesquinho filha da puta, logo após virarem as costas. Eu Recebia menos que um salário mínimo, não tinha geladeira no escritório e volta e meia eu comia rango azedo. Tinha que dar um control z comendo folha de boldo a noite num pé próximo ao valão do colégio. Um dia que estava mais quente que o normal, minha marmita azedou muito mais que o normal. Sim, existe um level, não da pra encarar tudo. Não estou no discovery recebendo pra ser a prova de tudo. Fiquei com fome, fui panfletar. Depois de uns dois " vai com Deus", rolou uns três "vai tomar no cu" e um novo: o "vai tomar no cu caralho", este último vai, foi porque a esmola foi um sanduíche mordido. E eu com fome. Seu Antônio da uma mordida com os dentes que ainda tinha, eu olhando faminto, ele me oferece. E eu?! Aceito de prima. Comendo a esmola do mendigo me ví no auge da insanidade, mas que se foda, até que tava gostoso e não ia precisar comer boldo nessa noite.

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