Anderson Nascimento's story
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O CADAVER AINDA QUENTE DO LEITÃO, NA ESTRADA DO URUBU

O relógio marcava 19:00h, quando arrumei minhas “trouxas” para pegar a estrada com minha parceira, bicicleta laranja, ou "Halédeivisson", o horário é de verão, demora a escurecer, mas olhando para o céu, já conseguia ver sinais de que as portas da luz do dia estavam preguiçosamente se ajeitando para fechar. Fiz velozmente o trajeto, até chegar na porta da estrada do urubu, olhei novamente para o céu, e senti que entrava em contagem regressiva para a reestreia da noite , pedi a Deus que me protegesse, pois a estrada do urubu é muito perigosa, mas eu tinha que chegar em casa logo. No meio do trajeto, um grito, dois homens pedindo ajuda, minha miopia só conseguia ver que havia algo entre eles, estirado no chão. Era o cadáver de um leitão. A noite continuava a cair, e eu?! Eu precisava ajudar aqueles homens a pôr numa caçamba muito pequena, um cadáver tão grande. O bicho pesava mais que a minha consciência, e depois de muito sufoco, muito mesmo, e muito fino dos carros e caminhões, conseguimos colocar o corpo, ainda quente, do bichão no recipiente de lixo. Eles agradeceram, e me ofereceram uma parte do porco como prêmio, eu podia escolher, dei minha parte a eles. Que façam bom proveito, os urubus que nomeiam e são donos desta estrada que me desculpem, não queria os deixar sem rango, mas eu tinha que ajudar aqueles homens, deve ser por isso que a noite segurou mais um pouquinho, para que eu cruzasse alguns caminhos.

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O CADAVER AINDA QUENTE DO LEITÃO, NA ESTRADA DO URUBU
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