Anderson Nascimento's story
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Recebendo esmola de... um mendigo?!


Ipanema fim dos anos 90. Primeiro emprego, faz-se tudo, ganha-se quase nada. Uma das tarefas: panfletar. No meu ponto de trabalho fiz um colega: seu Antônio. Mendigo, sem perna, sem casa, sem grana, mas com muita história pra contar. Gostava das esmolas mais gordas, a essas ele falava: "obrigado, vai com Deus". A quem dava moedas ele falava o mesmo, só que tinha outro vai. O vai tomar no cu seu mesquinho filha da puta, logo após virarem as costas. Eu Recebia menos que um salário mínimo, não tinha geladeira no escritório e volta e meia eu comia rango azedo. Tinha que dar um control z comendo folha de boldo a noite num pé próximo ao valão do colégio. Um dia que estava mais quente que o normal, minha marmita azedou muito mais que o normal. Sim, existe um level, não da pra encarar tudo. Não estou no discovery recebendo pra ser a prova de tudo. Fiquei com fome, fui panfletar. Depois de uns dois " vai com Deus", rolou uns três "vai tomar no cu" e um novo: o "vai tomar no cu caralho", este último vai, foi porque a esmola foi um sanduíche mordido. E eu com fome. Seu Antônio da uma mordida com os dentes que ainda tinha, eu olhando faminto, ele me oferece. E eu?! Aceito de prima. Comendo a esmola do mendigo me ví no auge da insanidade, mas que se foda, até que tava gostoso e não ia precisar comer boldo nessa noite.

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O CADAVER AINDA QUENTE DO LEITÃO, NA ESTRADA DO URUBU

O relógio marcava 19:00h, quando arrumei minhas “trouxas” para pegar a estrada com minha parceira, bicicleta laranja, ou "Halédeivisson", o horário é de verão, demora a escurecer, mas olhando para o céu, já conseguia ver sinais de que as portas da luz do dia estavam preguiçosamente se ajeitando para fechar. Fiz velozmente o trajeto, até chegar na porta da estrada do urubu, olhei novamente para o céu, e senti que entrava em contagem regressiva para a reestreia da noite , pedi a Deus que me protegesse, pois a estrada do urubu é muito perigosa, mas eu tinha que chegar em casa logo. No meio do trajeto, um grito, dois homens pedindo ajuda, minha miopia só conseguia ver que havia algo entre eles, estirado no chão. Era o cadáver de um leitão. A noite continuava a cair, e eu?! Eu precisava ajudar aqueles homens a pôr numa caçamba muito pequena, um cadáver tão grande. O bicho pesava mais que a minha consciência, e depois de muito sufoco, muito mesmo, e muito fino dos carros e caminhões, conseguimos colocar o corpo, ainda quente, do bichão no recipiente de lixo. Eles agradeceram, e me ofereceram uma parte do porco como prêmio, eu podia escolher, dei minha parte a eles. Que façam bom proveito, os urubus que nomeiam e são donos desta estrada que me desculpem, não queria os deixar sem rango, mas eu tinha que ajudar aqueles homens, deve ser por isso que a noite segurou mais um pouquinho, para que eu cruzasse alguns caminhos.

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